23 de julho de 2014
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Oh, como seria quase perfeita!

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Saída limpa de uma porta torta de uma casa desarrumada de cantos sujos cujos habitantes suspiram à janela por dias de sol, outros usam enxadas nos seus jardins e outros procuram enxadas em casas vizinhas. Para uns o bicho papão foi embora, para outros a ama deveria cá permanecer. Como seria bom crescer, crescer, crescer! Como seria bom desempoeirar a casa de cima a baixo, de baixo a cima, sacudir cada tapete, aspirar as profundezas de todos os móveis. Antes ou depois, ou talvez durante esta higiénica limpeza com perfume de justiça daquela antialérgica por se tratar de verdadeira justiça, fazer crescer terrenos em vez de se cortarem nas enxadas. Ah, como seria bom crescer! Crescer, crescer, crescer. O resto, todo aquele resto que preenche tudo, viria por acréscimo, como a riqueza ética, a ética rica, uma saúde digna, liberdade de escolha, cultura e ensino que oferecem opções de pensamento para todos. A casa não seria perfeita, porque não há uma perfeição que seja perfeita para todos, mas seria quase perfeita. Limpa, arrumada, arejada e fértil. Oh, como seria quase perfeita!

Uma liberdade acorrentada

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Ninguém é completamente livre porque para o ser teria de ser completamente sozinho. Por isso, a liberdade individual em absoluto não existe. Também não existe uma definição universal de liberdade nem uma equação matemática que permita chegar até ela. A liberdade, apesar de ser um conceito vago e preso a tantas convenções sociais e governativas, faz-nos sentir em paz quando nos sentimos parte dela. Aproximamo-nos da liberdade quando cultivamos relações desinteressadas, quando temos a capacidade de vermos o mundo sem qualquer preconceito - o que só é alcançado com o conhecimento da vida - quando não temos preocupações materiais quer ao nível das necessidades básicas quer ao nível do consumo desnecessário e quando não temos medo em assumirmos o que pensamos e sentimos, isto é, em assumirmos quem somos.

Contudo, a liberdade não é sinónimo de felicidade. Muitos vivem certamente felizes e terrivelmente aprisionados sem se aperceberem. Por isso, a liberdade também é uma tomada de consciência. A verdade é que se esbarra unicamente nesta questão, de sermos livres ou não, quando gostaríamos de fazer uma opção que sabemos não ter liberdade para a fazermos porque, até essa altura, vivíamos bem com todas as prisões que nos ofereciam uma aparente liberdade. Apesar de todos os condicionalismos não há maior liberdade do que a liberdade de espírito! Mas esta liberdade é individual e, por isso, sem definição universal.

A liberdade social tem-se adquirido através do estabelecimento de direitos que são alcançados através de contratos onde estão inerentes deveres e responsabilidades. Por isso, a liberdade social também não existe efectivamente pois para conseguirmos alguns tipos de liberdade temos de nos acorrentar num sistema complexo de regras e de leis. Ou seja, a liberdade social não passa de uma invenção fruto da organização de cada nação.

Até que ponto nos oprimimos a nós próprios e aos outros? Até que ponto somos livres? Aquilo que nos rouba a liberdade dá-nos outro tipo de liberdade? Talvez não exista uma única liberdade mas vários tipos de liberdade em que rescindimos de uns para alcançarmos outros. Ou seja, a liberdade pode ter uma classificação qualitativa e quantitativa completamente dependente das variáveis de cada um. Cada um de nós sabe o que condiciona a sua própria liberdade, até que ponto entregaria a sua liberdade e em que sentido se sente livre. Não há nada que acorrente mais a liberdade do que a resignação, a inacção e o medo.

Aquilo que mais assusta

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A causa de todos os males é ignorarmos a humanidade. Interessa mais defender ideais políticos, teorias económicas ou crenças religiosas. Cada um com as suas ideologias esquecemo-nos que a única coisa que nos deveria guiar são os direitos humanos e como isso simplificaria tanta coisa, anularia tantos preconceitos que nos tornam profundamente insensíveis ao sofrimento alheio quando teorias e crenças tentam explicar o que é inexplicável em termos de direitos humanos. Com a ajuda de alguns ideais, racionalmente conseguimos anestesiar a nossa própria humanidade e aceitamos amenamente desgraças como a guerra, a fome, a morte e qualquer violação dos direitos humanos. Somos facilmente manipulados ou então extremamente preguiçosos. As notícias da guerra, da fome, da violência já não nos chocam. "É mesmo assim", pensamos egoistamente indiferentes ao espetáculo do terror exterior. Somos indiferentes ao nosso próprio egoísmo e isto é o que mais assusta e fomenta a falta de humanidade.

É a humanidade que serve todos os outros interesses menos humanos com a sua fome, morte, doenças, guerra e desgraças. A humanidade em vez de ser servida e protegida é usada. Apesar das diversas teorias todos conseguimos sentir a humanidade de uma única forma, uns com mais sensibilidade do que outros, mas todos chegamos a acordo relativamente ao que é humano ou não. O querer ter razão, o querer defender uma ideologia política, economia ou religiosa, torna-nos loucos quando deixamos de conseguir ver a humanidade como é: simplesmente humanidade. A humanidade não é moralidade, nem milhões de euros, de dólares, do que for, nem se trata de uma rede confusa de interesses pessoais. A humanidade tem servido tudo isto apesar de lhe colocarem cinicamente uma coroa de papel na cabeça. A humanidade no fundo é uma questão de sorte, sorte em termos nascido aqui e não ali. A falta de sorte de uns serve a sorte de outros.

Prometes que me prometes?!

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Promessas sobre promessas. A política faz-se de promessas que queremos ouvir. Todos fazemos promessas que julgamos vir a cumprir. Retórica cheia de inocência genuína ou disfarçada.

De cada vez que ouvimos uma promessa política os nossos pensamentos imediatos são: como isso seria maravilhoso, como se conseguem indignar tal como nós e como ouvimos as mesmas promessas da boca de tantos políticos, independentemente dos partidos. É como se não existisse uma verdadeira oposição, apenas uma troca de cadeiras e as mesmas promessas sem muita responsabilidade.

Não há qualquer dúvida de saberem o que queremos escutar, o problema reside em converterem as promessas em prática para que não se tornem vãs. A verdade é que pouco decidem quando representam decisões alheias, pois o poder político parece obedecer ao poder económico. Mas também é verdade que nos deixamos enganar com tais promessas, quando conseguimos imaginar o quanto será difícil tomar decisões genuinamente complexas. Talvez a promessa deva ser feita ao contrário: nós, eleitores, prometemos que confiamos e apoiamos o vosso trabalho depois de nos provarem com factos reais de como são capazes, depois de apresentarem propostas em vez de fazerem promessas, depois de mostrarem caminhos possíveis em vez de profetizarem resultados. Esta é a nossa promessa.

As promessas criam a doença crónica da desconfiança. Quanto mais se promete mais se agrava a doença. Assim, o voto que já foi tão desejado e reivindicado começa a ser cada vez mais desvalorizado. Uma conquista que se revela agora uma descrença. Apesar de tudo que esta descrença não anule o direito ao voto nem desculpe o incumprimento deste dever. Mas a descrença permanece.

Não me ofereçam rosas!

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É inevitável, chega o dia 8 de Março e sinto a necessidade de escrever sobre este dia. Preferia não sentir esta necessidade. Este dia teria mais sentido se fosse unicamente um dia de comemoração de todas as mulheres que lutaram pela igualdade entre os géneros. Se assim fosse seria um dia merecedor de festa, mas ainda continua a ser uma luta. Em vez de rosas ofereçam-nos cravos! Num mundo perfeito este dia nem sequer deveria existir, não deveria marcar a diferença e, no entanto, parece estar ainda tão longe de não merecer atenção. O que se verifica é uma permanente, e infelizmente crescente em alguns casos, desigualdade entre ambos os sexos.

A Comissão Europeia verificou que a desigualdade salarial (diferença média entre a remuneração horária) entre homens e mulheres em Portugal, em 2008, era de 9,2%, enquanto em 2012 atingiu 15,7%, o que faz com que as mulheres portuguesas, teoricamente, necessitem de trabalhar mais 65 dias, isto é, pouco mais de dois meses, para ganharem o mesmo que os homens.

Esta realidade, a par com o desemprego, faz com que algumas mulheres confundam as motivações pessoais com as profissionais para criarem ou não a sua família. O objetivo único da mulher deixou de ser há muito tempo a procriação, desde a altura em que não lhes era permitido ambicionar mais nada. Atualmente a maternidade começa a ser novamente uma maneira de preencher o vazio da auto-realização profissional - quando têm um suporte familiar que o permita fazer - em vez de ser unicamente impelida pelo instinto e desejo maternal. Noutro extremo, algumas mulheres tentam copiar e seguir os comportamentos masculinos, sendo pouco ou nada aceites quer por homens quer por mulheres.

Mas afinal qual é o papel da mulher na nossa sociedade, qual é o seu espaço? Que espaço e que papel quer ocupar? Não deve ser, com toda a certeza, competir com o homem! Nem resignar-se com aquilo que a sociedade atual tem para lhe oferecer. Talvez a sua missão seja encontrar o seu caminho tal como é, denunciar situações de abuso ou desigualdade relativamente a si ou a qualquer outra mulher, lutar pela igualdade entre os géneros em que um não é superior ao outro, apenas diferente, e mostrar como a sua diferença pode ser uma mais-valia.

O último quando é o primeiro

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Depois de desejar o autoconhecimento, oportunidades, motivação e progresso, deixo aqui o meu último pedido de Natal, para mim e para todos: humanidade. Apesar de este ser o último desejo de Natal, talvez seja o mais importante de todos, porque, sem este como base, todos os outros podem existir sem que se construa algo de bom. Para além disto, quando atualmente somos tratados e usados como números, a humanidade será certamente aquilo que todos precisamos de beber diariamente. Aqueles que nos governam que não se enganem. Também não passam de números e são usados como tal por outros. A única diferença é terem o poder, mesmo que parcial, de implantarem mais humanidade, pelo menos numa escala maior, e só assim não serão mais um número dentro do seu conjunto.

Cada um de nós tem as suas queixas, uns mais do que outros, mas a verdade é que neste pedaço de terra chamado Portugal, somos pessoas com sorte. Tivemos a sorte de termos nascido aqui, ao contrário de outros que nasceram no inferno repleto de mortes absurdas e de terror diário. Ainda há muito para se fazer. O mundo anda a ser construído exatamente ao contrário: são as pessoas que servem este sistema que nos degluta velozmente em vez de se trabalhar em prol da humanidade. Muito já se construiu ao longo dos séculos e também é verdade que é difícil conseguir o equilíbrio, mas a maior conquista que se fará na humanidade, mesmo que lentamente, será a extinção da pobreza, ou dito por outras palavras, a criação da riqueza para todos.

Por vezes, parece que somos nós, estranhamente, a desviarmo-nos da humanidade, quando fazemos parte dela a vivemos da mesma, ao criticarmos os outros com uma ignorância que não vemos, ao sermos absolutamente intransigentes ou cruelmente egoístas. Claro que tudo isto faz parte do ser humano, mas conseguimos encontrar a humanidade que existe naturalmente dentro de nós, colocando-nos no coração do outro, mesmo não aceitando aquilo que o outro sente, mas, pelo menos, tentamos compreender. Ser humano é isto, termos a capacidade ou a vontade de desviarmos o nosso olhar para outras retinas e, só assim, compreendemos a nossa verdadeira missão na vida, sermos humanos uns com os outros.

 

Feliz Natal! 

 

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Progresso, do verdadeiro

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Aqui fica o meu quarto desejo de natal: progresso. Estamos numa fase em que o progresso não vem ter connosco com facilidade, em que a oferta é quase nula e a procura uma avalanche, em que as barreiras parecem viver connosco e as oportunidades não são mais do que miragens, em que o mais pequeno avanço é como se fosse uma dádiva divina. Estamos, por isso, numa negra fase em que a mais pequena luz é garantia de alguma esperança, de um breve sorriso.

O desejo pelo progresso sem uma causa maior é uma vontade vazia. Talvez seja este um dos grandes males do mundo, ou a origem destes, a ânsia por um progresso malicioso, em que não se sabe muito bem o que se quer, a não ser que se quer muito, avançando-se, assim, num falso progresso - como o que assistimos atualmente - quando na realidade é o mais puro retrocesso.

O verdadeiro progresso é a concretização daquilo que se vai construindo aos poucos no desejo da evolução, da nossa e dos outros, que, quando acontece, parece um sonho muito maior do que aquele que conseguíamos imaginar. Para que o progresso nos realize, temos de encontrar a realização naquilo que nos pode levar até ele e não no fim em si, senão seremos, certamente, sofredores crónicos que experimentamos na vida raros momentos de felicidade.

 

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Encontrar motivação

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Depois do autoconhecimento e da criação de oportunidades, aqui fica o meu terceiro desejo de natal: motivação.

Ser medíocre já não chega, se alguma vez chegou - talvez para alguns continue a chegar quando o seu lugar é seguro, mas não é sobre isto que trata este texto. A mediocridade tenta ferir e limitar quem não lhe quer fazer uso, quem deseja mais, num mais que sente primeiramente dentro do si.

Obviamente que cada um de nós tem um medíocre guardado no corpo, alimentado pela preguiça, ou pela ausência de autoestima ou pela esperança perdida. Basicamente é mais fácil ser medíocre a construir o mérito. Desejar o mérito é, muitas vezes, um estado de espírito, ou um treino consciente e constante até que faça parte da nossa rotina inconsciente, quando ignoramos a mediocridade dos outros ou superamos a nossa. É neste desejo que acontecemos em vez das coisas nos acontecerem e também é na realização do mérito que a motivação se reproduz. A motivação interior deve ser a única que nos basta, senão seremos facilmente manipulados por aquilo ou por aqueles a quem a mediocridade é suficiente.

 

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Pedido de Natal #2 - Criar oportunidades

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O simples facto de estabelecermos objetivos é, muitas vezes, ver ou criar oportunidades, no sentido de os objetivos teóricos se poderem materializar em oportunidades práticas. Estabelecer objetivos talvez faça parte do instinto de sobrevivência humano, na ânsia de saciar a curiosidade, em querer saber mais, de testar os próprios limites, de construir.

Os objetivos verdadeiros, e que normalmente se cumprem, são aqueles que vão ao encontro de quem somos, daquilo que gostamos e acreditamos. Traçar objetivos dá início ao processo de construção e chegamos até eles numa espécie de resposta à pergunta "o que faria se ganhasse o euromihões?", isto é, sem limitações, sendo que a pergunta neste caso é: o que deseja no seu íntimo alcançar a médio prazo?

Depois dos objetivos estarem definidos é como se aquilo que queremos já tivesse alguma forma, apesar do medo ou da insegurança os tentarem apagar. Somos invadidos por uma sensação de esperança, sem percebermos muito bem se foi a esperança que nos levou a estabelecer objetivos ou se ao estabelecermos objetivos ganhamos uma nova esperança, com a poderosa sensação que tanto o presente como o futuro afinal também nos pertencem.

Quando se veem ou criam oportunidades, percebe-se que estas sempre existiram, nós só estávamos de costas voltadas. É como se a realidade escondesse algo que não estava escondido, como se estivéssemos à procura de um jardim enorme numa imensa cidade quando guardamos as sementes cá dentro. Por vezes, vemos apenas os pormenores, noutras as grandes coisas, quando estarmos abertos a ver tudo, é vermos realmente sem encurtarmos voluntariamente o alcance da nossa vida no futuro. Quando descobrimos uma nova realidade dentro da realidade onde vivíamos, descobrimos muitas vezes uma pessoa diferente daquele que julgávamos ser.

Quando se parte para a realização das oportunidades, criam-se obrigatoriamente responsabilidades. Claro que não criar responsabilidades é uma maneira de fugir às mesmas. Talvez por isso haja quem prefira desprender-se de compromissos pois estes também exigem responsabilidade, mas nada se constrói sem estes. Por isso, criar oportunidades também é fazer escolhas, sendo um engano pensar-se que não escolher é uma escolha, quando é apenas ficar parado.

 

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O mais difícil de alcançar

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Autoconhecimento. Este é o meu primeiro pedido, neste final do ano, para o novo ano que se aproxima. No total perfazem cinco pedidos simples, aparentemente, que desejo para mim, para todas as pessoas, para o nosso país e para o mundo inteiro.

O autoconhecimento é o tipo de conhecimento mais difícil de alcançar e que deve ser obtido exclusivamente por uma pessoa, nós próprios, o que não facilita nada este processo, apesar de pelo menos não o complicar! Contudo, depois de alcançado, permite que todos os outros conhecimentos, especialmente sobre outros e sobre o mundo, se tornem mais claros e interessantes. Para além disto, sabemos o que queremos para nós, o que incute sentido a todas as nossas investidas de conhecimento. Não faz sentido tentarmos conhecer o mundo sem nos conhecermos a nós próprios. Claro que conhecermos o mundo pode ser um meio para alcançarmos o autoconhecimento, mas vivermos sem nos conhecermos é vivermos adormecidos no mundo.

Quando não nos conhecemos perdemo-nos nos outros e com os outros em dois extremos. Ou somos sombras como se nos arrastássemos na última fila de uma multidão ou somos senhores de toda a razão como se usássemos um bastão que agitamos à nossa volta com os olhos vendados. Trazer a nossa voz interior para a própria vida é sermos dignos da vida que nos escolheu. É sentirmos a liberdade da nossa essência a expressar-se através do nosso corpo. A nossa essência é como o nosso coração em que o seu eco se repercute por todo o corpo apesar de não o ouvirmos, mas, se quisermos pousar dois dedos sobre o pulso, conseguimos sentir a sua força passar pelos seus rios afluentes. Assim é com a nossa essência, para a podermos ver temos primeiro de a sentir.

Para se conseguir ouvir esta voz interior, que por vezes fala tão baixinho, é necessário o silêncio que nos permite conhecer quem somos. Depois de sabermos apreciar a companhia e a sabedoria do silêncio, percebemos que este também nos dá o tempo necessário para nos informarmos, nos educarmos, para nos deitarmos em leituras, em livros sobre temas que não dominamos tão bem e que chamam por nós. Só a informação obtida pelo silêncio dá sentido à nossa voz e procura escutar outros sentidos nas vozes dos outros. Como nos conseguimos entender com os outros se não nos entendemos a nós próprios? Enganando-nos. Antes de procurarmos e exigirmos a verdade dos outros, temos de encontrar a nossa própria verdade.

 

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Edição Diária 17.Abr.2014

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