23 de abril de 2014 às 23:57
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Aquilo que mais assusta

Ana Campos
0:12 Sexta feira, 11 de abril de 2014

A causa de todos os males é ignorarmos a humanidade. Interessa mais defender ideais políticos, teorias económicas ou crenças religiosas. Cada um com as suas ideologias esquecemo-nos que a única coisa que nos deveria guiar são os direitos humanos e como isso simplificaria tanta coisa, anularia tantos preconceitos que nos tornam profundamente insensíveis ao sofrimento alheio quando teorias e crenças tentam explicar o que é inexplicável em termos de direitos humanos. Com a ajuda de alguns ideais, racionalmente conseguimos anestesiar a nossa própria humanidade e aceitamos amenamente desgraças como a guerra, a fome, a morte e qualquer violação dos direitos humanos. Somos facilmente manipulados ou então extremamente preguiçosos. As notícias da guerra, da fome, da violência já não nos chocam. "É mesmo assim", pensamos egoistamente indiferentes ao espetáculo do terror exterior. Somos indiferentes ao nosso próprio egoísmo e isto é o que mais assusta e fomenta a falta de humanidade.

É a humanidade que serve todos os outros interesses menos humanos com a sua fome, morte, doenças, guerra e desgraças. A humanidade em vez de ser servida e protegida é usada. Apesar das diversas teorias todos conseguimos sentir a humanidade de uma única forma, uns com mais sensibilidade do que outros, mas todos chegamos a acordo relativamente ao que é humano ou não. O querer ter razão, o querer defender uma ideologia política, economia ou religiosa, torna-nos loucos quando deixamos de conseguir ver a humanidade como é: simplesmente humanidade. A humanidade não é moralidade, nem milhões de euros, de dólares, do que for, nem se trata de uma rede confusa de interesses pessoais. A humanidade tem servido tudo isto apesar de lhe colocarem cinicamente uma coroa de papel na cabeça. A humanidade no fundo é uma questão de sorte, sorte em termos nascido aqui e não ali. A falta de sorte de uns serve a sorte de outros.

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Prometes que me prometes?!

Ana Campos
10:24 Sexta feira, 21 de março de 2014

Promessas sobre promessas. A política faz-se de promessas que queremos ouvir. Todos fazemos promessas que julgamos vir a cumprir. Retórica cheia de inocência genuína ou disfarçada.

De cada vez que ouvimos uma promessa política os nossos pensamentos imediatos são: como isso seria maravilhoso, como se conseguem indignar tal como nós e como ouvimos as mesmas promessas da boca de tantos políticos, independentemente dos partidos. É como se não existisse uma verdadeira oposição, apenas uma troca de cadeiras e as mesmas promessas sem muita responsabilidade.

Não há qualquer dúvida de saberem o que queremos escutar, o problema reside em converterem as promessas em prática para que não se tornem vãs. A verdade é que pouco decidem quando representam decisões alheias, pois o poder político parece obedecer ao poder económico. Mas também é verdade que nos deixamos enganar com tais promessas, quando conseguimos imaginar o quanto será difícil tomar decisões genuinamente complexas. Talvez a promessa deva ser feita ao contrário: nós, eleitores, prometemos que confiamos e apoiamos o vosso trabalho depois de nos provarem com factos reais de como são capazes, depois de apresentarem propostas em vez de fazerem promessas, depois de mostrarem caminhos possíveis em vez de profetizarem resultados. Esta é a nossa promessa.

As promessas criam a doença crónica da desconfiança. Quanto mais se promete mais se agrava a doença. Assim, o voto que já foi tão desejado e reivindicado começa a ser cada vez mais desvalorizado. Uma conquista que se revela agora uma descrença. Apesar de tudo que esta descrença não anule o direito ao voto nem desculpe o incumprimento deste dever. Mas a descrença permanece.

Não me ofereçam rosas!

Ana Campos
0:14 Sexta feira, 7 de março de 2014

É inevitável, chega o dia 8 de Março e sinto a necessidade de escrever sobre este dia. Preferia não sentir esta necessidade. Este dia teria mais sentido se fosse unicamente um dia de comemoração de todas as mulheres que lutaram pela igualdade entre os géneros. Se assim fosse seria um dia merecedor de festa, mas ainda continua a ser uma luta. Em vez de rosas ofereçam-nos cravos! Num mundo perfeito este dia nem sequer deveria existir, não deveria marcar a diferença e, no entanto, parece estar ainda tão longe de não merecer atenção. O que se verifica é uma permanente, e infelizmente crescente em alguns casos, desigualdade entre ambos os sexos.

A Comissão Europeia verificou que a desigualdade salarial (diferença média entre a remuneração horária) entre homens e mulheres em Portugal, em 2008, era de 9,2%, enquanto em 2012 atingiu 15,7%, o que faz com que as mulheres portuguesas, teoricamente, necessitem de trabalhar mais 65 dias, isto é, pouco mais de dois meses, para ganharem o mesmo que os homens.

Esta realidade, a par com o desemprego, faz com que algumas mulheres confundam as motivações pessoais com as profissionais para criarem ou não a sua família. O objetivo único da mulher deixou de ser há muito tempo a procriação, desde a altura em que não lhes era permitido ambicionar mais nada. Atualmente a maternidade começa a ser novamente uma maneira de preencher o vazio da auto-realização profissional - quando têm um suporte familiar que o permita fazer - em vez de ser unicamente impelida pelo instinto e desejo maternal. Noutro extremo, algumas mulheres tentam copiar e seguir os comportamentos masculinos, sendo pouco ou nada aceites quer por homens quer por mulheres.

Mas afinal qual é o papel da mulher na nossa sociedade, qual é o seu espaço? Que espaço e que papel quer ocupar? Não deve ser, com toda a certeza, competir com o homem! Nem resignar-se com aquilo que a sociedade atual tem para lhe oferecer. Talvez a sua missão seja encontrar o seu caminho tal como é, denunciar situações de abuso ou desigualdade relativamente a si ou a qualquer outra mulher, lutar pela igualdade entre os géneros em que um não é superior ao outro, apenas diferente, e mostrar como a sua diferença pode ser uma mais-valia.

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O último quando é o primeiro

Ana Campos
1:17 Terça feira, 24 de dezembro de 2013

Depois de desejar o autoconhecimento, oportunidades, motivação e progresso, deixo aqui o meu último pedido de Natal, para mim e para todos: humanidade. Apesar de este ser o último desejo de Natal, talvez seja o mais importante de todos, porque, sem este como base, todos os outros podem existir sem que se construa algo de bom. Para além disto, quando atualmente somos tratados e usados como números, a humanidade será certamente aquilo que todos precisamos de beber diariamente. Aqueles que nos governam que não se enganem. Também não passam de números e são usados como tal por outros. A única diferença é terem o poder, mesmo que parcial, de implantarem mais humanidade, pelo menos numa escala maior, e só assim não serão mais um número dentro do seu conjunto.

Cada um de nós tem as suas queixas, uns mais do que outros, mas a verdade é que neste pedaço de terra chamado Portugal, somos pessoas com sorte. Tivemos a sorte de termos nascido aqui, ao contrário de outros que nasceram no inferno repleto de mortes absurdas e de terror diário. Ainda há muito para se fazer. O mundo anda a ser construído exatamente ao contrário: são as pessoas que servem este sistema que nos degluta velozmente em vez de se trabalhar em prol da humanidade. Muito já se construiu ao longo dos séculos e também é verdade que é difícil conseguir o equilíbrio, mas a maior conquista que se fará na humanidade, mesmo que lentamente, será a extinção da pobreza, ou dito por outras palavras, a criação da riqueza para todos.

Por vezes, parece que somos nós, estranhamente, a desviarmo-nos da humanidade, quando fazemos parte dela a vivemos da mesma, ao criticarmos os outros com uma ignorância que não vemos, ao sermos absolutamente intransigentes ou cruelmente egoístas. Claro que tudo isto faz parte do ser humano, mas conseguimos encontrar a humanidade que existe naturalmente dentro de nós, colocando-nos no coração do outro, mesmo não aceitando aquilo que o outro sente, mas, pelo menos, tentamos compreender. Ser humano é isto, termos a capacidade ou a vontade de desviarmos o nosso olhar para outras retinas e, só assim, compreendemos a nossa verdadeira missão na vida, sermos humanos uns com os outros.

 

Feliz Natal! 

 

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Progresso, do verdadeiro

Ana Campos
0:21 Sexta feira, 20 de dezembro de 2013

Aqui fica o meu quarto desejo de natal: progresso. Estamos numa fase em que o progresso não vem ter connosco com facilidade, em que a oferta é quase nula e a procura uma avalanche, em que as barreiras parecem viver connosco e as oportunidades não são mais do que miragens, em que o mais pequeno avanço é como se fosse uma dádiva divina. Estamos, por isso, numa negra fase em que a mais pequena luz é garantia de alguma esperança, de um breve sorriso.

O desejo pelo progresso sem uma causa maior é uma vontade vazia. Talvez seja este um dos grandes males do mundo, ou a origem destes, a ânsia por um progresso malicioso, em que não se sabe muito bem o que se quer, a não ser que se quer muito, avançando-se, assim, num falso progresso - como o que assistimos atualmente - quando na realidade é o mais puro retrocesso.

O verdadeiro progresso é a concretização daquilo que se vai construindo aos poucos no desejo da evolução, da nossa e dos outros, que, quando acontece, parece um sonho muito maior do que aquele que conseguíamos imaginar. Para que o progresso nos realize, temos de encontrar a realização naquilo que nos pode levar até ele e não no fim em si, senão seremos, certamente, sofredores crónicos que experimentamos na vida raros momentos de felicidade.

 

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Encontrar motivação

Ana Campos
1:05 Segunda feira, 9 de dezembro de 2013

Depois do autoconhecimento e da criação de oportunidades, aqui fica o meu terceiro desejo de natal: motivação.

Ser medíocre já não chega, se alguma vez chegou - talvez para alguns continue a chegar quando o seu lugar é seguro, mas não é sobre isto que trata este texto. A mediocridade tenta ferir e limitar quem não lhe quer fazer uso, quem deseja mais, num mais que sente primeiramente dentro do si.

Obviamente que cada um de nós tem um medíocre guardado no corpo, alimentado pela preguiça, ou pela ausência de autoestima ou pela esperança perdida. Basicamente é mais fácil ser medíocre a construir o mérito. Desejar o mérito é, muitas vezes, um estado de espírito, ou um treino consciente e constante até que faça parte da nossa rotina inconsciente, quando ignoramos a mediocridade dos outros ou superamos a nossa. É neste desejo que acontecemos em vez das coisas nos acontecerem e também é na realização do mérito que a motivação se reproduz. A motivação interior deve ser a única que nos basta, senão seremos facilmente manipulados por aquilo ou por aqueles a quem a mediocridade é suficiente.

 

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Pedido de Natal #2 - Criar oportunidades

Ana Campos
1:52 Sexta feira, 29 de novembro de 2013

O simples facto de estabelecermos objetivos é, muitas vezes, ver ou criar oportunidades, no sentido de os objetivos teóricos se poderem materializar em oportunidades práticas. Estabelecer objetivos talvez faça parte do instinto de sobrevivência humano, na ânsia de saciar a curiosidade, em querer saber mais, de testar os próprios limites, de construir.

Os objetivos verdadeiros, e que normalmente se cumprem, são aqueles que vão ao encontro de quem somos, daquilo que gostamos e acreditamos. Traçar objetivos dá início ao processo de construção e chegamos até eles numa espécie de resposta à pergunta "o que faria se ganhasse o euromihões?", isto é, sem limitações, sendo que a pergunta neste caso é: o que deseja no seu íntimo alcançar a médio prazo?

Depois dos objetivos estarem definidos é como se aquilo que queremos já tivesse alguma forma, apesar do medo ou da insegurança os tentarem apagar. Somos invadidos por uma sensação de esperança, sem percebermos muito bem se foi a esperança que nos levou a estabelecer objetivos ou se ao estabelecermos objetivos ganhamos uma nova esperança, com a poderosa sensação que tanto o presente como o futuro afinal também nos pertencem.

Quando se veem ou criam oportunidades, percebe-se que estas sempre existiram, nós só estávamos de costas voltadas. É como se a realidade escondesse algo que não estava escondido, como se estivéssemos à procura de um jardim enorme numa imensa cidade quando guardamos as sementes cá dentro. Por vezes, vemos apenas os pormenores, noutras as grandes coisas, quando estarmos abertos a ver tudo, é vermos realmente sem encurtarmos voluntariamente o alcance da nossa vida no futuro. Quando descobrimos uma nova realidade dentro da realidade onde vivíamos, descobrimos muitas vezes uma pessoa diferente daquele que julgávamos ser.

Quando se parte para a realização das oportunidades, criam-se obrigatoriamente responsabilidades. Claro que não criar responsabilidades é uma maneira de fugir às mesmas. Talvez por isso haja quem prefira desprender-se de compromissos pois estes também exigem responsabilidade, mas nada se constrói sem estes. Por isso, criar oportunidades também é fazer escolhas, sendo um engano pensar-se que não escolher é uma escolha, quando é apenas ficar parado.

 

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O mais difícil de alcançar

Ana Campos
0:53 Quinta feira, 21 de novembro de 2013

Autoconhecimento. Este é o meu primeiro pedido, neste final do ano, para o novo ano que se aproxima. No total perfazem cinco pedidos simples, aparentemente, que desejo para mim, para todas as pessoas, para o nosso país e para o mundo inteiro.

O autoconhecimento é o tipo de conhecimento mais difícil de alcançar e que deve ser obtido exclusivamente por uma pessoa, nós próprios, o que não facilita nada este processo, apesar de pelo menos não o complicar! Contudo, depois de alcançado, permite que todos os outros conhecimentos, especialmente sobre outros e sobre o mundo, se tornem mais claros e interessantes. Para além disto, sabemos o que queremos para nós, o que incute sentido a todas as nossas investidas de conhecimento. Não faz sentido tentarmos conhecer o mundo sem nos conhecermos a nós próprios. Claro que conhecermos o mundo pode ser um meio para alcançarmos o autoconhecimento, mas vivermos sem nos conhecermos é vivermos adormecidos no mundo.

Quando não nos conhecemos perdemo-nos nos outros e com os outros em dois extremos. Ou somos sombras como se nos arrastássemos na última fila de uma multidão ou somos senhores de toda a razão como se usássemos um bastão que agitamos à nossa volta com os olhos vendados. Trazer a nossa voz interior para a própria vida é sermos dignos da vida que nos escolheu. É sentirmos a liberdade da nossa essência a expressar-se através do nosso corpo. A nossa essência é como o nosso coração em que o seu eco se repercute por todo o corpo apesar de não o ouvirmos, mas, se quisermos pousar dois dedos sobre o pulso, conseguimos sentir a sua força passar pelos seus rios afluentes. Assim é com a nossa essência, para a podermos ver temos primeiro de a sentir.

Para se conseguir ouvir esta voz interior, que por vezes fala tão baixinho, é necessário o silêncio que nos permite conhecer quem somos. Depois de sabermos apreciar a companhia e a sabedoria do silêncio, percebemos que este também nos dá o tempo necessário para nos informarmos, nos educarmos, para nos deitarmos em leituras, em livros sobre temas que não dominamos tão bem e que chamam por nós. Só a informação obtida pelo silêncio dá sentido à nossa voz e procura escutar outros sentidos nas vozes dos outros. Como nos conseguimos entender com os outros se não nos entendemos a nós próprios? Enganando-nos. Antes de procurarmos e exigirmos a verdade dos outros, temos de encontrar a nossa própria verdade.

 

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Plebe que andas por aqui

Ana Campos
1:55 Sexta feira, 8 de novembro de 2013

Acho sempre divertido, numa sarcástica diversão, quando ouço alguém referir-se aos outros como povo sem ver, ou querer ver, que faz parte do mesmo. Há quem se refira ao povo com a indiferença que revela ter interiorizado inconscientemente que não faz parte dele e há outros que se referem ao povo com desdém, como míseras almas cujo sonho consiste em escalar as castas sociais.

Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa, povo significa: conjunto dos habitantes de um país, de uma região, cidade, vila, etc; conjunto de indivíduos que, para a realização dos seus interesses comuns, forma uma unidade política, com leis próprias e sob a direção do mesmo poder. Neste caso, todos aqueles que são portugueses fazem parte do povo Português. Claro que dentro de um povo cada um constrói a sua vida como sabe, como pode ou como quer.

Mas, no dicionário, povo também aparece definido como plebe, isto é, aqueles que não fazem parte da nobreza, da fidalguia herdada ou doada pelo soberano. Os que se referem ao povo neste sentido são aqueles que gostam de brincar aos príncipes e às princesas, uns porque uma das suas aspirações na vida consiste em pertencer à nobreza pois imaginam que o seu sangue é azul tal como as suas gerações antecessoras imaginavam, outros porque adoram fingir fazer parte da nobreza apesar de não terem qualquer ligação com a mesma, mais num autoengano do que em querer iludir os outros, e ainda outros por pertencerem a famílias privilegiadas. Aqueles que se referem assim aos outros serão sempre almas atribuladas pois é a superficialidade que ambicionam.

A vista do povo

Com a crise os privilegiados tendem a ser cada vez menos, pois esta induz uma maior atenção para a corrupção e uma intransigência com os corruptos. Talvez este seja um dos grandes problemas: interessamo-nos interruptamente, quando estamos menos bem, em vez de ser uma atitude constante. Se a atenção do povo pelo seu país fosse invariável, na recolha da informação e autorreflexão, e na preocupação com os direitos humanos, economia e justiça, muitos erros não se cometeriam. Claro que para isto o povo, na sua globalidade, tem de ser instruído e talvez seja algo que não interesse a alguns. Assim, porventura se continuem a construir mitos através da insistência de ideias muitas vezes repetidas. Provavelmente continuamos a acreditar neles também.

Este caminho que nos estão a traçar vai com certeza fazer com que cada vez mais pessoas se incluam no "povo", no sentido pejorativo da palavra, que normalmente está associado à falta de instrução, educação, saúde e riqueza, e a distância entre os que não se inserem nesta definição do "povo" seja certamente maior.

Às vezes, o povo parece ser mais realista e lúcido do que quem o governa. Por vezes, mais sábio também. Talvez fosse boa ideia para o equilíbrio da sensatez dos nossos governantes, fazerem trabalho de campo durante uma ou duas semanas de vez em quando, isto é, em vez de parlamentarem descerem até ao piso do povo, que ultimamente mais se parece com a plebe, e talvez assim consigam ver o que nós, daqui, conseguimos ver. Apesar da riqueza de poucos se fazer com a pobreza de muitos, a riqueza de muitos faz-se com a construção da riqueza para todos.

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É vergonhoso

Ana Campos
1:28 Sexta feira, 1 de novembro de 2013

É vergonhosa a troca de insultos entre diferentes países, oficialmente ou não. A baixeza das palavras usadas para além de argumentos sem qualquer estrutura, ou que não nos dizem ou lhes dizem qualquer respeito, e a ofensa voluntária, são o reflexo da falta de dignidade, por um lado, e de um complexo de superioridade, por outro.

Os portugueses têm tolerado mais do que aquilo que imaginavam há alguns anos do seu próprio país. Temos cedido em muitas coisas como no corte do feriado de hoje que, sendo ou não católicos, era uma homenagem a todos os portugueses que por cá andaram, cedemos no aumento de impostos e nos inúmeros cortes, mas há limites. O corte nas reformas é uma das maiores ousadias de sempre mas o pior é quando as vísceras se retorcem irritadas, provocando profundas náuseas quando se leem notícias de que o país cede a qualquer ameaça externa, como se lhes corresse água contaminada nas veias em vez de puro sangue vermelho. Parecem relações perversas e isto é ultrapassar todos os limites moralmente aceitáveis.

Além disso, a falta de respeito e ousadia dos outros países opinarem e criticarem a nossa própria Constituição é um absurdo. O pior é que este absurdo foi promovido por quem menos devia, isto é, por quem nos governa. Os outros só se sentem no poder para interferirem na nossa vida, diretamente ou, se lhes dermos margem para isso. Liderar é tomar posições nem sempre populares desde que imperativas para o bem do país, mas também é defender os direitos e valores de quem governam, ser patriota acima de tudo e conseguir com que os cidadãos se sintam pelo menos dignos ao fazerem sacrifícios. É perentório restabelecer os nossos valores e a autoestima. O dinheiro não compra tudo.

Atualmente há países que estão a investir em todos os campos do seu desenvolvimento apesar das dificuldades em combaterem a corrupção e a violência, há outros que não entendem que apesar de manterem discursos eticamente corretos os seus atos demonstram exatamente o contrário, há outros, poucos, que são um exemplo económico, de cidadania, de desenvolvimento social e de dignidade humana, e há outros, como Portugal, que estão a combater uma grave crise económica mas que a seu tempo será ultrapassada. Contudo, é fundamental que até lá não se ceda minimamente na nossa cultura, nos nossos valores humanos e sociais, caso contrário depois de esta crise ser ultrapassada surgirão outros tipos de crises.

É imperativo recusarmos e indignarmo-nos com qualquer tipo de ameaça externa, sermos intransigentes a qualquer cedência cultural, regras constitucionais e valores nacionais. Estes são os nossos tesouros que, apesar de parecerem invisíveis, são as nossas armas e é muito importante que se resguardem durante esta crise económica. Portugal é uma nação e quando perdemos a noção de quem somos é quando permitimos tudo.

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