20 de maio de 2013 às 10:04
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Emigrar, empreender, tolice ou esperteza?

Ana Campos
10:00 Sexta feira, 17 de maio de 2013

A perceção do risco nunca é real porque se há risco é porque se parte para o desconhecido. Claro que este pode e deve ser controlado ao máximo, mas é com as certezas que nos sentimos confortáveis e seguros. Gostamos do palpável e do concreto, de conhecermos o contexto em que nos movemos. Ou seja, tudo aquilo onde não cabe a incerteza. Por isso, quando os jovens são aconselhados a emigrar ou a criarem a sua própria empresa, reagem de duas maneiras distintas mas que se encontram no desejo da segurança. Ou o negam e contrariam esta ideia no sonho de encontrarem aquele lugar seguro que consideram merecer no seu próprio país, ou lançam-se na incerteza com a convicção que o sucesso está à sua espera. Claro que é fácil aconselhar os outros a "saltarem no escuro" quando são os outros a cometerem riscos financeiros e socias.

Atualmente a aceção do risco passou a fazer parte da luta pela sobrevivência. Por isso, quando os jovens arriscam sentem uma lufada de ar fresco, uma motivação na sua vida perante a nuvem negra sobre as suas cabeças, fazendo com que a sua perceção do risco seja menor. Ou seja, a perceção do risco passa a ser emocional em vez de racional. Acontece que os exemplos que chegam até nós, aqueles que têm visibilidade, são de pessoas que reúnem uma série de características que as tornam especiais e que são, eventualmente, bajuladas pela sorte. Contudo, nem todos os casos são assim. Uma grande parte falha e ninguém fala deles, ficando na penumbra como se tivessem uma doença contagiosa. Mas é também com estes, com aqueles que falharam nos riscos em que se aventuraram, que se pode aprender. Ignoramos o que não queremos ver e vemos apenas aquilo que desejamos.

Obviamente que o crescimento económico resulta de assumir riscos, assim como o crescimento pessoal e profissional de cada pessoa, assim como a sobrevivência e desenvolvimento de qualquer empresa. Mas estes, os riscos, embora necessários, e em alguns casos desejados, querem-se controlados e quantos mais casos de insucesso se conhecerem melhor. É mais fácil perceber e justificar algo que não correu tão bem, e por isso aprender com isso, do que algo que superou as expectativas.

O chip autorizado

Ana Campos
11:23 Sexta feira, 3 de maio de 2013

A informação pode transformar-se em desinformação pela maneira como nos é apresentada? Isto pode acontecer em reuniões de trabalho, quando tem de se tomar uma decisão importante, ou através dos inúmeros comentadores da atualidade, por exemplo.

A forma como interagimos com a informação depende de como nos é apresentada que, por sua vez, pode depender dos interesses de quem a apresenta. É fácil obter confirmação de uma ideia manipulando a informação ao relacionar factos que nada têm a ver, levando a conclusões aparentemente lógicas. Fornecer muita informação, exceto aquela que faz toda a diferença e, por isso, a mais importante, é outra maneira de manipular a opinião ou decisão de alguém. Isto também acontece com as estatísticas, não pelos dados em si, mas pela maneira como são interpretados e apresentados. Assim, reagimos à informação no contexto explicativo com que nos é apresentada, retirando-se conclusões de algo parcialmente real e não na sua totalidade.

Óbvio que a culpa não está apenas nos outros. A forma como interagimos com a informação, e onde a vamos procurar, também é importante e depende de nós. Inevitavelmente quando ouvimos as ideias e as opiniões de alguém tecemos imediatamente um julgamento interior que o manifestamos ou não. A tentativa de evitarmos este julgamento leva-nos a sair do nosso contexto individual e a conseguirmos ver as coisas como realmente são, ou por outro prisma, permitindo-nos recuar nas conclusões precipitadas, ou a defender melhor o nosso ponto de vista tornando-o mais completo e assertivo. Além disso, é importante vermos as coisas ao contrário daquilo que nos apresentam. Ao fazermos este exercício mental, de refutarmos a informação, pode-nos levar mais rapidamente à verdade mesmo que seja para confirmar aquilo que tentamos refutar. Tentar contrariar uma ideia pode anulá-la, levar a novas e melhores ideias ou engrandecê-la.

Por vezes também acontece procurarmos aquilo que queremos ouvir, mesmo que não corresponda à verdade, em determinada pessoa. Quando essa pessoa, que nos habituou a ouvir aquilo que queremos, diz algo que não vai de encontro aos nossos interesses, estranhamos e refutamos que desta vez se enganou e nem ponderamos compreender o que está a dizer porque simplesmente não é aquilo que queremos ouvir. Isto acontece quando usamos a nossa emotividade apesar de termos a certeza que estamos a ser racionais. Esta precipitação de conclusões causada pelas emoções leva-nos a erros, pois não nos demos tempo nem espaço para pensarmos racionalmente.

Evidentemente que a informação é imensa e, na falta de tempo ou disponibilidade para reunir toda a informação existente, acabamos por ouvir sempre a mesma pessoa, aquela que tem carisma para nós, com a qual nos identificamos ou porque no passado acertou no que disse. Com isto, ao reduzirmos a informação, podemos repetir argumentos e conclusões que não compreendemos muito bem sobre um determinado assunto que não dominamos minimamente. Deste modo, não chegamos a formar a nossa própria opinião. É como se nos tivessem introduzido um chip no cérebro com a nossa autorização, coordenando-nos o pensamento, ou pior, anulando-o. Quando assim é, existem apenas "aqueles" problemas, cujas causas são "aquelas", com "aqueles" responsáveis, com "aquelas" consequências, sendo que a solução é "aquela". Mas, na realidade, pode não ser bem assim. Por isso, a distorção da nossa realidade pode ter origem na única fonte de informação que procuramos ou devido à forma de como esta nos é dada ou como interagimos com ela.

 

Obrigada pela paciência na leitura deste texto que, desta vez, é mais longo. Bom fim de semana!

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O poder da falta de poder

Ana Campos
10:15 Sexta feira, 26 de abril de 2013

Será que o poder tem, atualmente, assim tanto poder? Ouvem-se médicos a queixarem-se que os pacientes não os respeitam, histórias de professores maltratados por alunos e pais, ministros insultados das mais variadas maneiras, entre outros exemplos. Poucos podem mandar, menos mandam efetivamente, e são muitos os que querem mandar. Assim, quem se encontra no poder nunca se sente verdadeiramente nele pois a sua oposição faz com que esse poder esteja constantemente ameaçado e posto em questão. Acaba por ser um poder com necessidade de vestir um colete anti balas que vai mandando como e quando pode.

Mas a verdade é que o poder não é desrespeitado apenas por quem tem de lhe obedecer, mas também por aqueles que são seus colegas de profissão. Será que o exemplo do respeito ao poder deve ser dado por quem está perto dele? Ou será que a ânsia pelo poder é mais forte do que este princípio? Provavelmente é aqui que está o verdadeiro bloqueio ao poder, naqueles que não deixam fazer na ambição de terem o poder nas suas mãos.

O poder sempre foi protegido por barreiras como a tradição e as armas, por exemplo, barreiras que atualmente praticamente não existem. Mas há uma ferramenta ainda mais poderosa do que o próprio poder: o conhecimento. É o conhecimento que leva alguém ao poder, o mesmo que o pode derrubar. O conhecimento capaz de destituir o poder pode advir de quem deseja o poder e que, através dos seus conhecimentos, consegue orientar os menos informados em seu favor. O poder também pode ser abalado ou derrubado através do conhecimento de quem é mandado que, ao conhecer e a relacionar a informação, percebe que o poder não está a ser usado da melhor maneira. Por outro lado, pode haver a falta de conhecimento de quem está no poder em cativar os outros fornecendo-lhes toda a informação necessária que necessitam para os compreenderem e respeitarem.

Também é o conhecimento que nos leva a percecionar o poder de outra maneira. Já não aceitamos e respeitamos o poder só porque é poder. A nossa perspetiva da vida e do mundo leva-nos a aceitar ou não as regras e a criarmos determinadas expectativas. Relativamente ao líder que detém o poder para que este o tenha realmente, a sua autoridade tem de ser reconhecida, desejada e respeitada pelos outros.

Será o conhecimento o verdadeiro transformador, orientador e decisor de tudo? Será que o poder, como é visto atualmente, tem muito menos poder do que aparenta ter?

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Assumo, já chorei no trabalho

Ana Campos
16:14 Sexta feira, 22 de março de 2013

Há regras de como devemos exprimir as nossas emoções no local de trabalho ou não as devemos exprimir de todo?

Confesso que já chorei algumas vezes em locais de trabalho e nenhuma dessas vezes foi devido ao trabalho em si mas a pessoas com "temperamento difícil". Em todas essas alturas arrependi-me imediatamente, mas agora, olhando para trás, percebo que foram importantes para o meu autoconhecimento. Além disso, é saudável expressarmos o que sentimos especialmente quando se trabalha em ambientes pouco saudáveis, em que o tempo que se usa para nos concentrarmos no trabalho é tanto como aquele que usamos para gerirmos as nossas emoções.

O choro no local de trabalho está habitualmente associado às mulheres, mas não se trata de uma manifestação de tristeza ou de abalamento interior. É a forma mais habitual que usam para manifestarem a frustração, a impotência e a raiva. Sentimentos comuns aos homens mas que estes os manifestam geralmente de uma maneira diferente e mais fácil de disfarçar se assim o pretenderem. Mas tanto homens como mulheres manifestam as suas emoções no local de trabalho, de uma forma ou de outra. Além disso, é impossível que as emoções, boas ou menos boas, no local de trabalho não interfiram na vida pessoal de cada um.

Se antigamente era mais fácil separarmos o trabalho da vida pessoal, atualmente os contratos com isenção de horário, internet e telemóveis, em que o trabalho se prolonga pela noite dentro e durante os fins-de-semana em casa, não permitem que isso aconteça. Também se dá o inverso, haver um contacto ao longo do dia durante o horário de trabalho, com a família e os amigos, coisa que antigamente também não era possível. Deste modo, as mais variadas emoções, profissionais e pessoais, fluem umas nas outras ao longo do dia. Por isso, acaba por haver uma fusão natural, mesmo que não nos apercebamos, em que é quase impossível dissociar duas partes que constituem uma só vida. Não será esta forma homogénea de encaixar todos os papéis da nossa vida a mais saudável? Aliás, quando fazemos algo que nos apaixona até que ponto a conseguimos separar da nossa vida pessoal se faz parte intrínseca de nós? E se fazemos algo que não nos apaixona assim tanto, ao unirmos isto ao que nos apaixona, à nossa vida pessoal, não tornará tudo melhor? Fará sentido desligarmos uma vida da outra se ambas fazem parte de nós? Partes que interferem diretamente uma na outra, todos os dias, pelas mais variadas maneiras.

Óbvio que devemos saber controlar as nossas emoções em qualquer contexto, pois só revela o tipo de inteligência emocional, que pode e deve ser treinado. Claro que isto não significa deixarmos de expressar as nossas emoções, só o devemos fazer de uma maneira mais adequada, pois é fundamental para diminuirmos ou eliminarmos qualquer sentimento de ansiedade ou de opressão.

Será que as pessoas devem suprimir as suas emoções para não abalarem a sua imagem profissional? Ou será que as emoções bem manifestadas fazem parte do bom profissional no seu todo?

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O poder da religião

Ana Campos
13:19 Sexta feira, 15 de março de 2013

Poderá uma determinada religião ser um obstáculo ou um incentivo ao desenvolvimento socioeconómico?

Estudos demonstram que as religiões preponderantes nos países desenvolvidos acreditam que os indivíduos podem controlar relativamente o seu destino, contribuindo assim para o seu desenvolvimento. Ao contrário, as religiões que promovem a resignação, atribuindo ao indivíduo um papel irrelevante no seu próprio destino, demonstram um subdesenvolvimento da sociedade onde estão inseridas.

Não se trata de classificar uma religião como sendo melhor ou superior a outra, mas os valores de cada uma influenciam fortemente toda a sociedade independentemente de se ser crente ou não crente dessa religião ou de nenhuma. As pessoas comportam-se de maneira diferente perante os mesmos estímulos económicos ou na falta deles. Atitudes negativas ou positivas perante o progresso material, direitos humanos, valor da vida são transmitidos de diferente maneira por cada religião, sendo que cada uma tem o seu próprio conceito relativamente a cada assunto. As diferenças também se encontram na maior importância que se dá aos fins ou aos meios para se atingir esses fins. Se a prioridade está no presente ou no futuro.

Obviamente que as culturas mudam constantemente, mesmo que seja lentamente, e as religiões tentam adaptar-se mantendo a continuidade dos seus valores e tradições na sociedade. Um determinado país que pretende o seu próprio desenvolvimento socioeconómico não deve renunciar nunca aos seus valores no engano de que assim o vai conseguir. É importante ouvir o que os outros têm a dizer mas é fundamental que se tenha a noção de que também temos algo importante a dizer e a transmitir aos outros. É tudo uma questão de perspetivas. As culturas não têm de ser renunciadas para se copiar outras, têm de ser reinventadas respeitando os seus próprios valores para a promoção do desenvolvimento social e económico.

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M de melhor, maior, mais, máximo... Mulher?

Ana Campos
11:21 Sexta feira, 8 de março de 2013

Este texto não é uma guerra entre sexos até porque, não sou a favor de qualquer tipo de guerra.

Hoje é o dia da mulher, aquele ser aparentemente frágil que tem combatido desde sempre os preconceitos que a perseguem. A igualdade entre géneros é feita, principalmente, tendo como referência o sexo masculino, quando esta igualdade tem de existir aceitando-se e valorizando-se as diferenças entre ambos os sexos que, felizmente, existem. A igualdade entre os géneros é poucas vezes pensada na aproximação ao sexo feminino, isto é, pensada em se ser e agir conforme o sexo feminino foi socialmente instituído, o que se compreende de certa forma. A partir de uma certa altura da nossa história as mulheres começaram a ser ignobilmente marginalizadas pois eram vistas como seres intelectualmente e culturalmente inferiores.

Mas não se julgue que o preconceito contra as mulheres - que apesar de estar cada vez menos explicito, continua implícito no nosso inconsciente - é apenas praticado por um dos sexos. Infelizmente algumas mulheres fazem afirmações e agem segundo os preconceitos contra o seu género, isto é, contra si próprias.

Não sou feminista mas como mulher dou os meus parabéns a todas as mulheres que lutaram e continuam a lutar contra este preconceito. Uma luta em paralelo com outras lutas como a luta contra a escravatura e a luta contra o racismo que, apesar de tão diferentes aproximam-se de certa forma. Dou os parabéns às mulheres por terem conquistado mais do que direitos, deveres. São os deveres que incutem igualdade de independência e liberdade entre os géneros.

As mulheres não têm de ser como os homens, têm de existir como pessoas numa das variadas maneiras de ser mulher, em que cada uma escolhe a sua, de preferência a mais genuína, onde a sua essência se manifesta como é.

Eu não acredito em mulheres nem em homens, acredito em pessoas melhores.

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O desemprego como algo apetecível...

Ana Campos
13:25 Sexta feira, 1 de março de 2013

Atualmente, como todos sabemos, vivemos numa sociedade em que a maioria dos nossos bens são obtidos através da compra em dinheiro e não temos outras alternativas para os adquirirmos. Se para a aquisição destes bens temos de ter dinheiro, antes de tudo temos de ter uma fonte de rendimento. Longe vai o tempo em que não estavam estabelecidos direitos de propriedade nem de divisão de trabalho. Por isso, o percurso da nossa economia levou-nos à obrigação de obtermos um rendimento para vivermos com dignidade, isto é, o trabalho passou a ser um direito, pois passou a ser a mercadoria em troca. Contudo, apesar do trabalho ter sido transformado num direito humano ao longo da história, não significa que todas as pessoas tenham um emprego disponível, como se pode constatar. Além disso, tendo sido transformado num direito humano, a falta dele só pode levar a consequências nefastas para a sociedade.

O desemprego que pode ter variadas origens - o fraco crescimento económico, rigidez do mercado de trabalho, como consequência do desenvolvimento capitalista - provoca, infelizmente, a degradação do tecido social. Sendo o trabalho uma troca recíproca entre aquilo que se dá (muitas horas de estudo, esforço, dedicação e preocupações) e aquilo que se recebe (um salário que permite desfrutar alguns prazeres da vida e cumprir com obrigações pessoais) incute, naturalmente, responsabilidades em cada indivíduo perante a sociedade. Não terá o trabalho um papel preponderante na responsabilização social de cada pessoa? Um desempregado sentirá o mesmo sentido de responsabilidade e liberdade em comparação com uma pessoa no ativo?

Sendo o trabalho considerado uma mercadoria, a troca entre o contratado e o contratante, está sujeita à lei da oferta e da procura. Por isso, o desemprego também afeta quem se encontra empregado. Assim, este não deve ser desvalorizado e desprezado por quem presume que se encontra bem. Os salários tendem a ser, em média, mais baixos onde existe uma maior taxa de desemprego e vice-versa. Por isso, o desemprego também é uma "ferramenta" que influencia as condições e os valores salariais.

O problema está na existência de um conflito de interesses entre quem cria e quem procura emprego. O objetivo da economia dominante não é a criação de emprego, como se pode constatar diariamente. Pelo contrário, pretende criar o máximo de riqueza com um mínimo de recursos, inclusivamente o recurso humano. Por isso, o desemprego surge do conflito de interesses entre a eficácia económica e o direito/dever ao trabalho.

Deste modo, o direito ao trabalho que surgiu inicialmente como uma necessidade para fazer a economia funcionar neste sistema, agora parece ser apenas uma consequência, um subproduto da realização de outros objetivos mais importantes para a economia em vigor. Apesar do aumento da taxa de emprego levar ao surgimento de novas formas de propriedade, novas fontes de lucro e ainda mais emprego, existe um conflito de interesses que tem como conveniência exatamente o contrário.

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O capitalismo é o lobo mau?

Ana Campos
10:49 Sexta feira, 15 de fevereiro de 2013

A resposta depende dos olhos de quem o vê, se são do lobo mau, do capuchinho vermelho, de quem lê a história ou de quem escuta a história, pois não há consenso sobre uma única definição de capitalismo e cada um faz a interpretação à sua maneira.

Karl Marx alegou que o sistema capitalista não é apenas explorador, como também é instável financeiramente, o que leva a crises cada vez mais severas e ao aumento da pobreza. Anteriormente, Adam Smith argumentou que em condições de perfeita liberdade, o mercado pode levar à riqueza universal, numa sociedade organizada. Defendeu que a sociedade como um todo beneficia se os indivíduos perseguirem os seus próprios interesses, pois promovem o crescimento económico, e a "mão invisível" do mercado, com a lei da oferta e da procura, regula a quantidade de bens disponíveis e faz avaliações mais eficientes do que qualquer governo.

Atualmente estamos a caminhar para o chamado capitalismo com consciência, em que a maximização do lucro é substituída pela maximização do propósito com a lógica de que, ao perseguir um propósito que não o lucro obtém-se um lucro maior do que se o propósito fosse o próprio lucro.

Qualquer pessoa sabe que, quando faz algo que acredita e gosta, é mais produtiva e eficiente do que outra pessoa que apenas espera pelo salário no final do mês. Qualquer empresa emocionalmente inteligente sabe disto e que, quando tem colaboradores assim, os resultados são melhores e, consequentemente, maiores são os lucros. É um tipo de capitalismo que tem como pilares princípios éticos, como o respeito, a responsabilidade, o compromisso e a cooperação, e as empresas que lhe fazem uso criam antes de mais valor para a humanidade (colaboradores, fornecedores, clientes, sociedade) e, consequentemente, alcançam a sustentabilidade, a resiliência e a maximização do lucro a longo prazo.

Terá este capitalismo maior consenso? Será que as empresas que usam este tipo de capitalismo são as que vão conseguir prevalecer a longo prazo? Ou será tudo isto uma utopia?

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Sorrir?! Pois...

Ana Campos
10:28 Sexta feira, 8 de fevereiro de 2013

Parece que os portugueses andam a sorrir cada vez menos e há quem defenda que devem exercitar mais esta função natural. Mas se sorrir é um reflexo natural, como poderão os portugueses fazê-lo se não recebem estímulos para isso? O cansaço leva a caras fechadas. Caras que veem o país desistir delas, desinvestir no seu desenvolvimento, desrespeitar o seu trabalho, desvalorizar-lhes o mérito, fazer-lhes perder tempo, não recompensarem esforços, responsabilizá-las pelos atos inconscientes de outros. Estas caras não têm vontade de sorrir. Têm vontade de cerrar os lábios a outros cerrados lábios, ao país, a tudo. Desistimos todos uns dos outros, viramos as costas, apresentamos rostos neutros de quem já deixou de acreditar e, quando sorrimos, muitas vezes é sarcasticamente.

Como é que ainda pedem às pessoas para sorrir? Não será isso contranatura, artificial, pateta? Contudo, há algumas pessoas de quem não devemos desistir, a quem devemos sorrir diariamente. Primeiro, a nós próprios. Que não nos permitamos deixar de sorrir a quem somos, às nossas convicções, áquilo que acreditamos, aos nossos sonhos. Depois a quem nos apoia diariamente sem nunca desistir de nós, que nos valoriza e acredita no nosso mérito.

Acho bem que se dê o sorriso apenas a quem o merece. Não somos máquinas indolentes, respondemos a estímulos. Isto é ser mentalmente saudável. Se o sorriso é assim tão valioso, então não devemos fazer pouco dele.

Aceitam-se ideias doidas e menos doidas, desde que sejam ideias

Ana Campos
13:26 Sexta feira, 1 de fevereiro de 2013

Hoje trago dúvidas. Algumas, mas de todos, em princípio. Preferíamos não duvidar de ninguém, nem de qualquer teoria ou qualquer prática. Era bom sinal, sinal que não precisávamos de pensar porque era tudo perfeito. Mas como isto não é possível - para além de ser muito chato - porque não há respostas certas, apenas umas mais corretas do que outras, temos o dever, mais do que o direito, de usar a nossa liberdade de expressão, com conhecimento de causa obviamente. Aqui ficam então:

1. Qual é a origem da nossa crise, a que se deu dentro do país? Numa resposta realista certamente vamos encontrar algumas soluções, todas as não-conformidades a não repetir e aprendermos efetivamente com elas.

2. Portugal tem uma dívida pública que equivale a 120% do PIB! A necessidade de matarmos esta divida é vital para a nossa independência a todos os níveis. O que temos de fazer para conseguirmos isto?

3. Para pagarmos as dívidas, para crescermos economicamente, para sermos verdadeiramente independentes e alcançarmos um futuro próspero temos, logicamente, de criar riqueza. Como pode o país criar riqueza, com que recursos e de que maneira?

Num mundo em constante mudança temos de nos questionar antecipadamente, pensarmos quais são as implicações práticas ao se adotarem certas medidas e, acima de tudo, que futuro queremos para Portugal.

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