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Ana Campos
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10:58 Terça feira, 8 de maio de 2012
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Primeiro chegou a Via Verde que nos facilitou bastante a vida, sem dúvida. Pelo menos na poupança de tempo em filas de espera. Depois chegaram as máquinas de autopagamento nas portagens, que substituem completamente o homem durante os fins de semana, mas que não são mais rápidas do que este, pelo contrário.
Há dias, numa grande superfície comercial, fui abordada por uma funcionária que promovia um leitor portátil de códigos de barras, para utilização do próprio cliente durante as suas compras. Aquela situação pareceu-me bastante promíscua por dois motivos. Primeiro, se por um lado estas facilidades são bastante tentadoras para os clientes, porque lhes poupam tempo e permite-lhes uma melhor gestão dos gastos, por outro lado não estarão a contribuir indiretamente para a extinção de postos de trabalho? Segundo, a funcionária estava a promover a abolição de postos de trabalhos dos seus colegas, ou até do seu!
Provavelmente existem mais exemplos como estes. É evidente que a aceleração da inovação, por promover mecanismos mais rápidos e eficientes, está a extinguir massivamente postos de trabalho, deixando apenas poucos lugares para trabalhadores mais especializados.
Esta estratégia das empresas é compreensível pois, ao investirem em novas tecnologias, podem cortar nos custos com o intuito de obterem maior retorno e conseguirem praticar preços mais competitivos, beneficiando desta forma o consumidor.
Que ações poderão ser colocadas em prática para combater este promiscuo ciclo de vantagens e desvantagens, em que o mal de uns é o benefício de outros? Como ajudar e proteger as pessoas que são substituídas por máquinas? Que alternativas de emprego poderão encontrar?
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Ana Campos (www.expresso.pt)
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11:51 Quarta feira, 14 de março de 2012
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Um estudo apresentado recentemente pela demógrafa Maria João Valente Rosa, indica que em 2030 haverá uma relação de quase dois idosos para cada jovem - 194 pessoas com mais de 65 anos para cada 100 com menos de 15 anos.
Quererá isto dizer que dentro de pouco tempo haverá um maior número de centros recreativos para idosos do que infantários? Ou que teremos nas nossas ruas mais parques geriátricos em que os mais velhos podem fazer o seu exercício físico do que parques infantis onde os mais novos podem brincar? Tudo indica que sim.
O facto de existir uma grande descida da taxa de natalidade desde 1960 e a esperança média de vida ter aumentado em 16 anos para as mulheres e 15 anos para os homens, contribuíram para esta evolução demográfica, que vai ter impacto no crescimento económico, no tipo de investimento, no consumo, entre outros. Há quem lhe chame já uma crise pois este envelhecimento demográfico vai provocar um desequilíbrio na sociedade. Mas nesta "crise demográfica" pode e deve estar um mundo de novas oportunidades. Quero salientar o facto de ser possível e necessário que as pessoas mais velhas contribuam para a sustentabilidade económica e para o desenvolvimento do nosso país através daquilo que vou chamar de empreendedorismo da terceira idade.
Para que isto seja possível antes de tudo é necessária uma mudança cultural e de valores, e muitos dos mitos que coabitam entre nós têm de desaparecer. Infelizmente as pessoas mais velhas são vistas como desvinculadas social e economicamente, como improdutivas o que, consequentemente, gera depressões e isolamento social. A estratificação da sociedade por idades deve ser cada vez mais ténue, a cooperação entre gerações é imperativa para que se saiba rentabilizar todos os recursos humanos e uma real valorização da experiência dos mais velhos deve ser aproveitada. Todo o paradigma comportamental da sociedade deve ser orientado neste caminho.
Por outro lado, tem de haver uma responsabilidade, interesse e esforço individual da própria pessoa mais velha, desde que comporte saúde física e intelectual evidentemente.
O que pode ser feito? Depois de terminada a sua carreira continuar a colaborar de forma voluntária na mesma ou noutra função da organização; ser o mentor de um jovem numa determinada organização e através do seu percurso e experiências inspirar, motivar e aconselhar - certamente que isto iria provocar competições entre os jovens para terem um determinado mentor! - criarem-se "grupos de reflexão" com membros de diversas idades para a solução de problemas complexos, onde se trocariam experiências, conhecimentos, ideias e perspetivas. Não são apenas os mais novos que ficam a ganhar com estas práticas. Os mais velhos continuam a aprender, a serem estimulados continuamente e a contribuírem para a sociedade ativamente.
Podemo-nos antecipar a este "desequilíbrio demográfico" que se prevê e transformar uma possível crise numa oportunidade em que se cria valor para todos. O empreendedorismo da terceira idade é possível e necessário.
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Ana Campos (www.expresso.pt)
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18:33 Quinta feira, 19 de janeiro de 2012
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Todos os dias os portugueses são assaltados (literalmente) com notícias desmotivadoras e dececionantes como escândalos de corrupção e compadrio, aumento de impostos, interesses de grupos a dominar o Estado, cortes salariais e de subsídios, aumento do custo de transportes públicos, entre outros. Enfim, os muito ricos continuam muito ricos (ou até mais) e o resto das classes sociais descem, pelo menos, um andar, cada vez mais anoréticos apesar da fome, cada vez mais esganados e sem perspetivas de um balão de ar fresco.
Assim, começamos um novo ano sem grandes expectativas. Contudo, temos duas opções extremas: ou nos deixamos cair em depressão profunda que só nos leva à ociosidade, ou atuamos e nos automotivamos, porque, se não o fizermos, ninguém o vai fazer por nós.
Em situação de crise descobrimos que a nossa capacidade de nos reinventarmos e de superarmos momentos agoniantes vai além do que imaginávamos. Muitas vezes até descobrimos vantagens competitivas que nem sabíamos que tínhamos. Apesar de ser cliché, a criatividade e a proatividade são fundamentais para sobrevivermos e, quem supera uma crise, torna-se mais forte.
A busca de soluções criativas não é uma opção, é uma obrigação. Foi o que fez o Grupo Natura IMB Hotels que, com a aplicação de portagens nas SCUT, resolveu compensar as desvantagens recentemente criadas aos seus clientes, criando valor para ambas as partes. Desta forma, pagam as portagens aos turistas que escolhem a Serra da Estrela como destino durante todo o ano. O reembolso do valor das portagens é feito à chegada, através de um cheque oferta a descontar em futuras estadias.
Se a palavra do ano é "austeridade", a palavra "empreendedorismo" não lhe pode ficar atrás.
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Ana Campos (www.expresso.pt)
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10:53 Segunda feira, 9 de janeiro de 2012
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A apresentação do Programa Braga 2012: Capital Europeia da Juventude, ocorreu no dia 7 de janeiro, no GeNeRation, antigo quartel da GNR, na cidade de Braga.
O Fórum Europeu da Juventude atribui anualmente o título Capital Europeia da Juventude a uma cidade europeia. Para 2012 foi selecionada a "cidade dos arcebispos" que durante este ano vai ter a oportunidade de mostrar a vida e desenvolvimentos culturais, sociais, políticos e económicos inerentes aos jovens.
Depois de uma pequena encenação teatral e animação, o vereador Hugo Pires responsável pelos pelouros da juventude, gestão urbanística e renovação urbana da Câmara de Braga, também ele presidente da Fundação Bracara Augusta, entidade gestora da Capital Europeia da Juventude, deu inicio à apresentação do programa em causa.
O Programa da Capital Europeia da Juventude assenta em três eixos: desenvolvimento integral do jovem, em que se aposta nas suas qualificações, dando-lhe mais ferramentas para enfrentar o mercado de trabalho, através da inovação, empreendedorismo, emprego, indústrias criativas e educação; reflexão dos jovens sobre o futuro das cidades, sobre a sua qualidade de vida e inclusão social; dimensão europeia e internacional do evento que integra questões ligadas ao multiculturalismo, ao património, às políticas europeias da juventude, à mobilidade dos jovens, à educação não-formal, entre outros.
Para o vereador é um "momento que presta homenagem ao futuro da Europa e tem como prioridade sensibilizar toda a sociedade para o contributo que os jovens trazem e podem trazer à comunidade local, nacional e europeia". Sendo o mote do programa a juventude, Hugo Pires não deixou de considerar que "estamos perante a geração mais escolarizada, tecnologicamente mais avançada e mais cosmopolita" mas que esta mesma geração também é uma "geração desencantada, individualista, onde o espírito de sobrevivência se impôs por força das circunstâncias". Desta forma, para o vereador é essencial dar esperança aos jovens portugueses e apresentou Braga 2012 como a "oportunidade para afirmarmos a garra e a criatividade dos nossos jovens".
Assim começa o novo ano a cidade de Braga que, apesar de contar com mais de dois mil anos de história, é a Capital Europeia da Juventude 2012. Inicia o ano com um projeto rico, proativo, inovador, empreendedor e, acima de tudo, com muita esperança.
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Ana Campos (www.expresso.pt)
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16:20 Quinta feira, 5 de janeiro de 2012
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Sempre associei a marca Coca-Cola a boa disposição, diversão, defesa dos direitos humanos, apoio a causas sociais, otimismo e motivação. Pelo menos, é desta forma que a sua publicidade e marketing se manifestam.
Acontece que alguns ativistas defensores dos direitos humanos se insurgiram contra a Coca-Cola pelo facto de apoiar o ditador da Suazilândia, Mswati III, o último monarca absoluto de África. Esta manifestação aconteceu quando a marca convidou o ditador a visitar a sede da Coca-Cola em Atlanta, nos Estados Unidos. Este mesmo ditador permite comportamentos violentos no seu país, em que os seus opositores são presos e torturados. A Amnistia Internacional já denunciou casos de tortura extrema por parte da polícia. Apesar do ditador ter uma fortuna avaliada em 100 milhões de dólares, a fome é uma realidade deste país e tem uma das taxas mais elevadas de infeção pelo HIV. A Coca-Cola em sua defesa alega que não controla a forma de emprego do dinheiro que paga em impostos ao Rei.
Os consumidores conseguem perceber isso, só não conseguem dissociar os factos. A verdade é que os fins não justificam os meios e que os valores humanos - felizmente - continuam a prevalecer.
Será por isso que nos faz uma certa confusão que a Three Gorges tenha comprado 21,35% da EDP? Pelo facto da China ser um país de partido único cujos direitos humanos são constantemente violados? Será um medo (in)consciente que deste acordo se percam alguns dos nossos valores ou que de certa forma estamos a compactuar com os seus valores e com o desacato dos direitos humanos? Como é que eticamente conseguimos gerir esta incongruência?
Para Portugal desejo uma defesa possante dos nossos tão bons valores. Estamos numa posição adversa relativamente à crise, mas no que toca à defesa dos direitos humanos somos um país desenvolvido. Ah, também desejo que se fale a língua portuguesa em Portugal quando recebemos individualidades estrangeiras!
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Ana Campos (www.expresso.pt)
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19:11 Sábado, 17 de dezembro de 2011
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O Secretário de Estado do Empreendedorismo , Carlos Oliveira, afirmou que este Governo não acredita que deve ser o Estado a financiar as empresas, até porque não tem crédito para tal, na conferência "Dia da Competitividade em Portugal", organizada pela AIP (Associação Industrial Portuguesa), AEP (Associação Empresarial de Portugal, Câmara de Comércio e Indústria), e pela CIP (Confederação Empresarial de Portugal). Mas as empresas não contribuem para a economia do país, com postos de trabalho, impostos e, indiretamente, para a diminuição de problemas sociais? Não é através do investimento, seja ele qual for, que se obtém retorno?
Posto isto, não há outra solução para as micro, pequenas e médias empresas senão procurarem investidores, como já o fazem. Sem dúvida que as associações, centros tecnológicos e de formação, e instituições vocacionadas para a inovação e empreendedorismo têm tido um papel crucial na vida de muitas empresas. É através destes que os empresários obtêm informações, formação e qualificações que de outra forma não conseguiam, assim como o acesso a programas de financiamento.
Falando especificamente nas start-up, as nossas empresas bebés, ligadas normalmente à investigação e desenvolvimento, que contribuem com ideias boas e inovadoras, precisam que lhes depositem confiança, isto é, que invistam nelas, porque podem vir a contribuir em muito para o nosso país. É certo que há um risco envolvido, mas também possuem, normalmente, uma expectativa de crescimento muito grande quando correm bem.
Se é verdade que existem alguns programas de financiamento, feiras de empreendedorismo onde os empresários fazem o pitch - termo da moda - para potenciais investidores, será que é verdade que há um interesse e uma procura inversa? Esta é uma realidade mais americana, em que investidores e famílias milionárias apoiam determinadas empresas.
Mas como estamos no mês em que se fala às almas mais generosas e os corações se tornam mais moles, porque não apelar ao investimento em empresas recém-nascidas, que têm muito para dar e só precisam de uma oportunidade?
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Ana Campos (www.expresso.pt)
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10:12 Quarta feira, 7 de dezembro de 2011
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A consultora Ernst&Young através do trabalho "E&Y Portuguese Attractiveness Survey 2011", constatou que a captação de Investimento Direto Estrangeiro caiu 46% em 2010, relativamente ao período homólogo, e foi o pior dos últimos seis anos. As justificações de Portugal para este desempenho podem ser a ausência de crescimento económico, o aumento de impostos e os níveis elevados da dívida pública.
Por outro lado, incentiva-se a internacionalização das empresas como uma das soluções para a economia portuguesa. Há várias formas para as empresas se internacionalizarem, como a criação de subsidiárias - normalmente envolve um risco e investimento muito elevados - a colaboração com outras empresas - que envolve um risco intermédio - como o franchising, as joint ventures, os consórcios, a subcontratação e as licenças de exploração.
O modo mais direto da internacionalização e que, em princípio, envolve um risco mais controlado, é a exportação. As exportações têm como vantagens melhorar a competitividade no mercado interno, aumento de vendas e dos lucros, diminuição da dependência do mercado interno, melhoria no escoamento da capacidade ociosa e menor impacto da sazonalidade, possibilidade de contacto com novas tecnologias e aumento da quota de mercado. São apontadas como desvantagens: o retorno poder ser apenas a longo prazo, necessidade de adaptação dos produtos, necessidade de uma equipa especializada e obstáculos burocráticos.
Contudo, nem todas as empresas estão preparadas para a internacionalização, porque é um processo que envolve competências internas da empresa e um investimento para que se concretize. Por outro lado, também se tem verificado um abrandamento económico nos países para os quais Portugal exporta. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, entre julho e setembro, as exportações portuguesas de bens avançaram 13%, sendo inferior às taxas acima dos 17% verificadas nos dois trimestres anteriores. Isto acontece porque os países desenvolvidos estão a perder quota de exportação para os países emergentes, como a China, Índia, Brasil, Rússia, México, Indonésia e Turquia.
A internacionalização das empresas é, sem dúvida, fundamental para a economia do país e não só. Contudo, não nos devemos esquecer e valorizar as empresas que, apesar de não contribuírem para as exportações do país de uma forma direta, contribuem para a diminuição do volume de importações de Portugal.
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Ana Campos (www.expresso.pt)
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9:04 Segunda feira, 21 de novembro de 2011
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A mulher portuguesa foi dando lentamente passos determinantes ao longo da nossa história. Direitos que agora temos como naturalmente adquiridos e nem nos passa pela cabeça ser de outra forma, foram nunca sonhados pelas nossas antecessoras. Luta após luta, décadas após décadas, até chegarmos aos dias de hoje e, mesmo assim, ainda há muito a fazer. Nem tudo o que está imparcialmente e equitativamente escrito no papel passou para os comportamentos, mentalidades e oportunidades.
Realço anos marcantes como 1890, em que foi regulamentada a lei que autorizava o Governo a criar escolas femininas do ensino secundário; em 1906 cria-se o primeiro liceu feminino que iria servir de modelo aos futuros liceus femininos, o Liceu Maria Pia; em 1920 as raparigas são autorizadas a frequentar liceus masculinos; em 1926 as mulheres passam a poder lecionar em liceus masculinos; em 1931 há o reconhecimento do direito de voto às mulheres diplomadas com cursos superiores ou secundários enquanto que aos homens continuou a exigir-se apenas que saibam ler e escrever.
Em 1966 é aprovada para ratificação a Convenção nº 100 da OIT (Organização Internacional de Trabalho), relativa à igualdade de remuneração entre mão de obra feminina e masculina para trabalho de igual valor; em 1968 dá-se a declaração da lei que proclama a igualdade de direitos políticos do homem e da mulher, seja qual for o seu estado civil. Contudo, em relação às eleições locais permanecem as desigualdades, sendo apenas eleitores das Juntas de Freguesia os "chefes de família".
Em 1974 três diplomas abrem o acesso das mulheres a todos os cargos da carreira administrativa, à carreira diplomática e à magistratura, e são abolidas todas as restrições baseadas no sexo quanto à capacidade eleitoral dos cidadãos; em 1976 há a entrada em vigor da nova Constituição, que estabelece a igualdade entre homens e mulheres em todos os domínios; em 1978 a mulher deixa de precisar da autorização do marido para ser comerciante; em 1979 há a entrada em vigor da lei que visa garantir às mulheres a igualdade com os homens em oportunidades e tratamento no trabalho e no emprego, e há a nomeação da primeira mulher para o cargo de Primeiro-Ministro, a Eng. Maria Lourdes Pintasilgo.
Hoje, já temos algumas mulheres a mostrarem o seu valor como administradoras de empresas em áreas predominantemente lideradas por homens, como empresas tecnológicas, industriais e da construção civil.
É inevitável não nos questionarmos, como seria o nosso país, a Europa e o mundo se desde sempre as mulheres tivessem tido os mesmos direitos e oportunidades que os homens?
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Ana Campos (www.expresso.pt)
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9:49 Sexta feira, 11 de novembro de 2011
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Já passaram praticamente 10 anos desde que adotamos o Euro ou, como preferirem, que o Euro nos adotou. Quem não se lembra de ir ao banco trocar Escudos por Pesetas para um passeio no país vizinho? E do período de transação em que uns faziam contas rápidas de cabeça enquanto que outros delegavam essa tarefa para pequenas máquinas conversoras?
Quem não tem em casa uma pequena coleção de notas e moedas em Escudos como recordação?
São apontadas várias vantagens ao Euro como: os salários, poupanças e reformas são mais estáveis visto o Euro ser mais estável; torna a Europa mais competitiva no comércio internacional; facilita o comércio o que contribui para o desenvolvimento de todas as atividades e aumento de oportunidades de emprego; torna a economia de cada país mais estável; eliminação de flutuações das taxas de câmbio; os empresários têm maior facilidade em planear as suas decisões de investimentos; eliminação de vários custos de transação: operações nos mercados cambiais, operações de cobertura, pagamentos transacionais, contabilidade plurimonetária; transparência nos preços; maior concorrência devido à facilidade de comparação de preços; maiores oportunidades para os consumidores na facilidade de viajar sem necessidade de câmbio de moeda e custos inerentes, conjugados com os progressos do comércio eletrónico; oportunidades mais atraentes para investidores estrangeiros; o Euro contribui para a criação de um mercado único para os operadores financeiros, como bancos e seguradoras, e por outro lado, passa-se de mercados nacionais de capital pequeno e fragmentado para mercados financeiros mais vastos e fluidos; estabilidade dos preços; finanças públicas sólidas; taxas de juro baixas; e é uma fator aglutinador e de paz pois aproxima pessoas e nações.
São referidas algumas desvantagens ao Euro como a perda de soberania sobre a taxa de câmbio e a taxa de juro; aumento da concorrência entre as empresas e os setores; e a grande interdependência dos mercados da União Europeia aumentando o risco sistémico porque em caso de recessão os efeitos da sua propagação são maiores. Já ultrapassamos grande parte das desvantagens do Euro numa fase inicial, que estavam associadas ao período de adaptação, que implicou um grande investimento.
As desvantagens desta fase de adaptação ao Euro seriam as mesmas que teríamos de fazer agora se quiséssemos fazer um retrocesso. Contudo, neste momento não faz grande sentido pensarmos nisto visto termos a obrigação de pagar a elevada dívida externa e os respetivos juros do nosso país. Primeiro temos de honrar os nossos compromissos de pagamento da dívida e tornarmo-nos independentes financeiramente. O objetivo é olharmos para a frente e não para trás.
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Ana Campos (www.expresso.pt)
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16:19 Quinta feira, 3 de novembro de 2011
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Há pouco ouvia uma mãe a queixar-se que o filho de seis anos não come fruta nem legumes porque não gosta e não adianta insistir porque faz logo uma birra. Esta atitude leviana é confortável de forma a obter uma convivência serena com a pequena peste, mas não vai ser bom para o seu futuro.
Isto fez-me lembrar alguns conflitos atuais entre partidos, que de alguma maneira tentam eriçar ainda mais as pessoas já insatisfeitas e desmotivadas com a situação atual do país, apelando de alguma forma a manifestações de rua. Parece-me que manifestações de rua e democracia não combinam. Explico-me.
Antes de mais é verdade e legítimo que em democracia temos o direito de liberdade de expressão e a manifestação de rua é uma forma de o fazer. Por outro lado, foi-nos dada a oportunidade de nos manifestarmos através do voto, como determina a nossa Constituição.
O Governo que toma decisões, quer sejam do nosso agrado ou não, foi legitimamente eleito pela maioria e não é obrigado a seguir as vontades de quem o elegeu, porque governar implica ter a perspetiva de um futuro a longo prazo. Caso contrário parece a mãe que referi em cima. O Governo tem de ter a coragem de fazer escolhas difíceis quando é o melhor para o país e não desejar a popularidade fácil e imediata.
Os governos não podem ceder às manifestações de rua. Somos civilizados, refletimos e temos ideias. Um grupo de manifestantes de rua - quase sempre em número reduzido - com cartazes e frases feitas não é construtivo. Além disso, há quase sempre desacatos e confrontos o que tira automaticamente credibilidade e respeito a quem participa.
Uma manifestação de ideias em papel, bem estruturada e transmitida já parece ser produtivo, ordeiro e útil para o Governo. Qualquer governo precisa de tempo para semear para depois chegar a altura de colher. Temos de nos unir, confiar e contribuir para a estabilidade do país.
Henrique Granadeiro, chairman da PT, em entrevista ao Jornal de Negócios, disse que aquilo que define o sistema político português é a "instabilidade, a conflitualidade e a ineficácia". Para o gestor "há uma correlação direta entre a duração dos ciclos políticos e a capacidade de organizar o desenvolvimento". Observa que quanto mais duram os governos, maior é o crescimento real do PIB.
Cavaco Silva quando Primeiro-Ministro entre 1985 e 1995 conseguiu uma taxa de crescimento média anual do PIB de 4,5%, enquanto Mário Soares como Primeiro-Ministro entre 1983 e 1985 obteve um crescimento negativo do PIB de -1,5%, o que demonstra que, de facto, há uma correlação positiva entre a estabilidade do Governo e o crescimento económico do país.
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