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Américo Amorim: “Uns jogam ténis. Outros vão ao esqui. Eu gosto de trabalhar”

Américo Amorim

Tiago Miranda

Na entrevista concedida ao Expresso em 2 de fevereiro de 2013, por ocasião dos 40 anos do jornal, Américo Amorim, então com 79 anos, confessava que ainda trabalhava 60 horas por semana

O que é que hoje o move?
Fazer o mesmo que sempre fiz: trabalhar.

Uns jogam ténis. Outros vão ao esqui. Eu gosto de trabalhar.

Continua a trabalhar de segunda a sábado?
Faço as 60 horas por semana.

Como gere o tempo para a família e para dedicar aos seus netos?
Perguntem-lhes. Estão muito satisfeitos.

Com energia. Almoço durante duas a três horas com eles ao domingo.

O que acha da jovem geração Amorim?
Estão todos a trabalhar, a produzir.

Entre os seus maiores projetos, que sonho tem para a Galp?
Crescer. Melhorar a companhia, aqui e lá fora. Novos investimentos, dividir riscos. Há tanta coisa para fazer, porque o mundo está a mudar muito depressa.

A Galp vai conseguir ser uma petrolífera de média dimensão?
A ambição é essa, senão não estava aqui, ia para férias.

Qual é o maior projeto da Galp além do Brasil?
Queremos que a produção petrolífera da Galp seja igual à quantidade de petróleo que refina diariamente, e visionamos que isso aconteça num prazo de cinco a sete anos. Estamos a apostar que a empresa seja autónoma em termos da matéria-prima que precisa. Para isso, teremos de ter uma atividade de exploração petrolífera em diversos países do mundo. E temos de criar diversidade de investimento.

E no gás?
É uma surpresa agradável em Moçambique, com reservas da dimensão das do Qatar. Moçambique está de parabéns com essa riqueza que lhe vai permitir ter o maior crescimento entre todos os países africanos nos próximos 10 anos. Moçambique tem tudo. Terra, uma costa magnífica, praias paradisíacas, gás, ainda vai ter mais eletricidade, tem tudo.

Está a internacionalizar todo o Grupo Américo Amorim. Como conseguirá controlar tantas geografias?
A internacionalização do grupo começou em 1965. Estamos em 38 países e asseguramos 70% das vendas diretamente ao consumidor. Temos herdades industriais no Norte de África e em Espanha. A internacionalização é uma realidade em que vivemos há quase 50 anos. A necessidade de crescer levou--nos para o exterior, porque o consumo do país é de apenas 2% a 3% da cortiça que produzimos.

Começa a ter no Brasil e em África grandes projetos pessoais que exigem muita dedicação...
O ato de investir é cíclico num empresário.

Nos 60 anos que levo de atividade empresarial, a minha grande força veio sempre do exterior, dos projetos que fui construindo fora de Portugal, que são geridos com normalidade. Hoje, toda a minha família viaja no mundo.

Estamos sempre em contacto na Europa, em África (Angola ou Moçambique) ou no Brasil.