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“Sou um presidente cool”

Charles Ommanney/Contour by Getty Images

Barack Obama caminha a passos largos para o final do segundo mandato como Presidente dos Estados Unidos da América. Qual o legado histórico do primeiro afro-americano a ocupar a Casa Branca? Neste fim de semana em que celebramos a família e nos preparamos para o ano que há de vir, o Expresso republica histórias, reportagens, conversas, narrativas, dúvidas, considerações, certezas e revelações que fizeram de 2016 um ano preenchido. Todos estes artigos são publicados tal como saíram inicialmente

Clara Ferreira Alves

Clara Ferreira Alves

Escritora e Jornalista

Washington é uma cidade calma quando o Presidente não está em casa.

Quando o Presidente não está em casa, e o Capitólio não está em sessão, a capital dos Estados Unidos da América parece uma cidade abandonada por todos exceto os forasteiros que tiram fotografias no Mall, sobem as escadarias brancas do Lincoln Memorial e ficam admirados com o tamanho da Casa Branca. É uma casa relativamente pequena se comparada com as mansões dos bilionários de Beverly Hills ou de Long Island. Tem o relvado sul, donde descolam os helicópteros e onde se organizam conferências de imprensa ao ar livre com o Presidente e chefes de Estado convidados, e tem a fachada norte que dá para Lafayette Square. Tem a Sala Oval na ala oeste, a West Wing. Tanto o relvado sul como a Sala Oval ficaram íntimos dos tabloides pelas incursões adúlteras de Bill Clinton. Toda a gente se lembra da caminhada pesarosa da família até ao helicóptero quando explodiu o escândalo Lewinsky, e toda a gente se lembra que foi na Sala Oval que o homem mais poderoso do mundo (como o Presidente é chamado na vulgata) decidiu “namorar” uma jovem estagiária com um vestido azul. O relvado sul foi também o lugar da despedida de Richard Nixon da Casa Branca, depois da resignação e do escândalo Watergate. Não são boas as memórias do relvado sul. No tempo de Barack Hussein Obama II, o relvado sul tornou-se o cenário adequado a uma família feliz adereçada pelas correrias do cão de água português, um monte de pelo que dá pelo nome de Bo. A presidência de Obama tem sido uma presidência sem escândalos pessoais, sem más ações contra o próximo e sem dramas domésticos ou corrupções morais. Obama tem sido exemplar.

E por toda a cidade de Washington podemos ver fotografias da primeira família com donos de restaurantes e lojas que frequentam, normalmente lugares populares e baratos. Obama e Michele na casa de gelados. Obama e Michele na casa de hambúrgueres. A primeira família não sai muito, porque qualquer expedição tem de ser pensada, inspecionada, calculada, guardada pelos Serviços Secretos. Quando a cavalgada imperial sai para ir ao Five Guys comer um hambúrguer, Washington fica virada do avesso. A Casa Branca é, Obama diz isto claramente, uma prisão. Não há margem para improvisos. Nem anonimatos. Isso, Obama sabia quando se candidatou.

Moderado, incensado pela imprensa e os media liberais, pela televisão e a indústria do entretenimento, Barack Obama tem tido dois mandatos calmos, sem a turbulência dos consulados de Bush e de Clinton. Como explicar então que o azedume e o rancor entre democratas e republicanos tenha aumentado tanto nestes mandatos? Como explicar o ódio que a direita americana parece nutrir pelo Presidente? Como explicar as acusações e ataques pessoais, “Obama é um fraco”, como explicar a saliência política fundamental em que se tornou Donald J. Trump? Como explicar a viragem à esquerda do Partido Democrata em ano de eleições, com acusações esparsas ao Presidente e à sua complacência com Wall Street? E como explicar a violência radical da direita evangélica ou xenófoba do Partido Republicano, com acusações de complacência para com o terrorismo e o Estado Islâmico?

No seu derradeiro discurso do estado da União, a 12 de janeiro de 2016, Obama confessou ser “um dos desgostos da minha presidência que tenha piorado o rancor e a suspeita entre os partidos”. E admitiu que “muitos americanos se sentem do lado de fora do sistema económico e político” e que o combate político se tornou tribal e sequioso de bodes expiatórios. A alusão a Trump é clara e muitos analistas admiraram-se que num discurso do estado da União o Presidente tenha descido ao diálogo indireto com um candidato. Obama percebeu aquilo que os analistas têm demorado a perceber, que Trump deixou de ser um interlúdio cómico das eleições e que é agora um candidato poderoso. Depois da derrota no Iowa, para Ted Cruz, Trump continua na corrida para ser o adversário de Hillary Clinton nas presidenciais de 8 de novembro. Trump está a mudar o sistema político e partidário e tornou-se um porta-voz dos desmobilizados do “sistema” e dos seus rancores contra Washington, contra as elites e os liberais, arrebanhando votos dos radicais do Tea Party enquanto hostiliza a vanguarda conservadora bem pensante. A América não é Manhattan nem Hollywood, não é Seattle nem Silicon Valley. A grande América parece-se mais com o provinciano e rude Alasca de Sarah Palin, que apoia Trump para a nomeação republicana, do que com o campus da Apple e do Google ou os bairros dos techies de São Francisco, com os restaurantes biológicos, a comida “localmente produzida”, a obsessão da pegada de carbono, as ambições megalómanas de salvar o planeta e a humanidade pela tecnologia. A América funda parece gostar de Donald Trump e não gosta muito de Barack Obama. Porquê?

Obama é um moderado por nascimento, formação e ideologia. A sua presidência, que herdou as guerras da dinastia Bush e o 11 de Setembro, que herdou um sistema financeiro aos bocados e resgatado pelos contribuintes, tentou ser, e tem sido, o trabalho aturado de um moderado que pensa antes de agir e que detesta os destemperos emocionais. Daí as acusações de ser um Presidente “distante”, “remoto” e “gelado”, sem amigos em Washington. Quando foi eleito, Obama citou a frase “se queres um amigo em Washington arranja um cão”. Ele arranjou o cão português. Na verdade, Obama parece ter por Washington e pela sua elite, pela constante intriga palaciana e os golpes de salões que não frequenta nem cultiva, uma aversão maior do que a de Trump. E não se considera assim tão frio. Considera-se cool. E consideram-no, sobretudo os jovens, muito cool. Muito fixe.

Talvez a melhor imagem de Obama seja a que aparece em “Comedians in cars getting coffee”, o show de Jerry Seinfeld na rede. Seinfeld achou que Obama tinha dito suficientes frases cómicas para poder entrar na definição. E que era uma raridade, um Presidente com graça. E é justo, porque nos jantares dos correspondentes da Casa Branca, frequentados por atores de cinema e outras celebridades, Obama escolheu sempre fazer stand-up em vez de discursar. Seinfeld não estava à espera que Obama aceitasse o convite, mas não só o fez como o segmento se tornou viral e passou em todas as televisões americanas. Vemos Obama num carro com Seinfeld, incapaz de sair da Casa Branca para ir tomar café porque os guardas não o autorizam. Na cantina do número 1600 da Pennsylvania Avenue, uma cantina despretensiosa e acanhada, os dois tomam o tal café e Obama autoriza-se a ser sincero e a dizer algumas coisas de fim de mandato. Quando Seinfeld lhe pergunta se ele não percebe ao falar com eles que há muitos líderes mundiais completamente desaparafusados, ele responde que sim, percebe. Sobretudo “quando estão há muito tempo no cargo”. E admite que a sua popularidade máxima é agora na faixa etária dos 0-8 anos de idade, porque tem um nome fácil de pronunciar. Barackobama. Calmo e presidencial, Obama vai respondendo a pergunta difíceis e inesperadas, inteligentes, até ao momento em que diz que acredita em barbear-se antes de fazer exercício e não depois. Porquê? “Porque posso e não preciso de uma razão para o fazer”. É um momento em que Obama deixa de ser afável e coloquial e demonstra a sua autoridade mansa, e, sim, um pouco gelada. Disciplinada. No fim da conversa, diz “I’m a cool president”. Cool não é apenas fixe. Literalmente, cool significa gelado. Fixe não chega para o definir nem para traduzir a sua coolness. Eis um homem que se barbeia antes de suar.

“Yes, We Can”

A eleição deste 44º Presidente, o primeiro afro-americano a ocupar a Casa Branca, foi o resultado da mobilização na rede de milhões de jovens que nunca tinham votado ou entrado na política e o acharam cool. E foi o resultado de um sonho enunciado na frase “Yes, We Can!” Que deu uma canção rap/hip-hop muito cool, ‘Yes, We Can’.

Ao fim de quase oito anos, podemos dizer que conseguiu? No dia do estado da União, o rosto marcado e vincado de Obama era muito diferente do rosto quase juvenil do dia da eleição, 20 de janeiro de 2009. O dia em que a América negra chorou e viu cumprido o sonho de Martin Luther King, no famoso discurso das escadarias do Lincoln Memorial. É um rosto mais fechado, de traços endurecidos, o cabelo quase branco. Aquele posto pode ser o mais poderoso do mundo, mas é também o mais difícil do mundo. Seinfeld, no talk-show de Stephen Colbert, disse que o Presidente é como um homem com um grande cérebro que foi capturado por extraterrestres que de vez em quando o levam ao seu planeta, a Casa Branca, para resolver os problemas do mundo. E quando ele começa a resolver esses problemas, os extraterrestres discordam e dizem que não. Os comediantes têm sempre as melhores definições. É isto o poder presidencial e é natural que a carreira política e a biografia pessoal não tivessem preparado Obama para os embates do cargo. Para a prisão do cargo. A responsabilidade e a incerteza são parte do território e no último mandato, quando o Presidente se liberta dos dígitos e das sondagens, tem de ocupar-se do legado histórico. Daquilo que fez e não fez. Daquilo que prometeu e daquilo que realizou. O legado de Barack Obama será importante e neste momento não há suficiente distância histórica para lhe tomar devidamente o peso. Mas sobram as conclusões e decisões, e os números, que são outras tantas evidências. É um legado de grandes realizações e de alguns fracassos.

Ninguém diria que o rapaz nascido em Honolulu, Havai, no dia 4 de agosto de 1961, poderia chegar tão longe. Não sendo proveniente da “white trash” como William Jefferson Clinton, nem sendo parte de um clã patrício como os Bushes, Barack Hussein Obama era um produto exótico do caldeirão racial americano. A mãe era do Kansas e tinha remota ascendência inglesa, o pai era de uma tribo do Quénia. Os pais encontraram-se numa aula de língua russa na universidade do Havai e casaram-se em fevereiro de 1961. Em agosto, estavam separados. A mãe foi para a Universidade em Seattle e o pai seguiu para Harvard com uma bolsa para estudar Economia. Divorciaram-se em 64 e Obama sénior regressou ao Quénia onde voltou a casar-se. Só voltou a ver o filho uma vez, em 71, e em 82 morreu num acidente de automóvel. Dizem que era um alcoólico colérico no fim da vida. A mãe conheceu um académico da Indonésia, voltou a casar-se e foram viver para Jacarta, onde Obama foi educado. Passou a infância nesta cidade asiática e andou numa escola católica. Aos 10 anos, Obama regressou a Honolulu para viver com os avós maternos, que o criaram como pai e mãe. A mãe e a meia-irmã, filha do casamento com o indonésio, regressaram ao Havai, mas a mãe acabou por voltar para a Indonésia para trabalho de campo em Antropologia, vivendo mais duas décadas por lá e doutorando-se. Morreu de cancro em 1995, no Havai, sem chegar a ver o filho Presidente.

Educação multicultural

Desta infância colorida e peripatética, Obama guarda boas recordações. Os avós foram a sua âncora. A educação em boas escolas conduziu-o naturalmente a estudos superiores nas melhores universidades. Note-se que Obama é filho de dois académicos, não é o típico produto da underclass negra das subculturas das cidades americanas. Isso afasta-o irremediavelmente de negros como os do movimento Black Lives Matter, que se opõe à violência racial e à violência policial contra essa underclass. O Havai e a educação multicultural deram-lhe um sentimento de tolerância das diferenças e desajustes humanos, e a solidão e falta do pai e da mãe formataram-lhe o carácter e ajudaram a definir uma ambição. Ninguém chega à Casa Branca sem ter uma ambição brutal. Brutal é a palavra porque o caminho para lá chegar é igualmente brutal. O combate político norte-americano nada tem a ver com os punhos de renda europeus. Note-se que Obama nunca viveu muito tempo num lugar, e a mistura de identidades empurrou-o para a experiências das drogas, inalou marijuana e cheirou cocaína, bebeu álcool, e esteve a ponto de perder-se como tantos outros. Conta tudo isso na autobiografia, reunida em dois livros, “Dreams From My Father” e “The Audacity of Hope”. A sua mente académica e estudiosa, e a inteligência, salvaram-no. Acabou a estudar Ciências Políticas em Columbia, tendo a militância política sido despertada pela questão e discussão do apartheid. O ativismo político começa em Nova Iorque. Dois anos depois da graduação, foi convidado a dirigir um programa de organização de comunidades em Chicago, nas zonas problemáticas da cidade. A sua ligação a Chicago dura até hoje. Uns anos depois, viajou para a Europa e para o Quénia, onde conheceu os parentes e se familiarizou com as origens africanas.

No outono de 88, entrou na faculdade de Direito de Harvard. Foi convidado a editar a “Harvard Law Review” e foi eleito seu presidente, o cargo mais alto para um estudante da faculdade. Foi o primeiro negro no cargo. Continuou a praticar advocacia e tornou-se professor de Direito Constitucional na Universidade de Chicago. Dedicou-se a casos de direitos humanos.

Exemplar. A presidência de Obama tem sido uma presidência sem escândalos pessoais, sem más ações contra o próximo e sem dramas domésticos ou corrupções morais

Exemplar. A presidência de Obama tem sido uma presidência sem escândalos pessoais, sem más ações contra o próximo e sem dramas domésticos ou corrupções morais

NitinVadukal.com/Contour by Getty Images

O que se conclui deste resumo biográfico é que Barack Obama tem um perfil académico e intelectual que muito poucos Presidentes americanos tiveram. Ajuda a explicar a sua capacidade de análise dos factos e o seu cauteloso e racional processo de tomada de decisão, afastado de sentimentos intempestivos, pesando os prós e os contras. Aquilo que os adversários lhe apontam como falha política é justamente uma das forças do seu carácter analítico. Esta inteligência condicionada pela razão também o afasta da atitude can do que condiciona o ethos americano. Nada lhe repugna mais do que a decisão emocional e populista, o afago das baixas emoções. A postura opõe-se a líderes como Putin e como Netanyahu, dois motores propulsionados pela demagogia e pelo discurso nacionalista. Não espanta que as relações sejam péssimas com a Rússia e com Israel. Não espanta que a balbúrdia radical do Médio Oriente o deixe entre indiferente e repugnado. O extremismo é tudo o que mais detesta. I’m a cool President.

O jovem Obama anunciou que era candidato a senador pelo Illinois em janeiro de 2003, no fim de uma carreira como senador estadual. Foi um dos raros democratas a opor-se a Bush e à invasão do Iraque em março desse ano, ao contrário de Hillary Clinton. Em novembro de 2004, foi eleito com 70% dos votos. O seu discurso na Convenção Democrata tinha convencido muitos senadores democratas de que ali havia matéria-prima de Presidente. Hollywood adorava-o. Em fevereiro de 2007, anunciou a candidatura à Presidência e começou a caminhada para a Casa Branca, não sem antes ter tido uma participação decisiva em várias iniciativas legislativas fundamentais, tanto de política interna como externa. O anuncio da candidatura foi feito nos degraus do Capitólio de Springfiled, Illinois, um lugar onde Abraham Lincoln tinha proferido o celebre discurso House Divided, Casa Dividida, em 1858. Citando o Novo Testamento, Mateus, Lincoln disse que uma casa dividida não durará. Referia-se ao estado de desunião do país por causa da escravatura.

A adversária principal nesta corrida presidencial foi Hillary Clinton e houve momentos na campanha em que se enfrentaram como inimigos. Os números de Obama convenceram Hillary a desistir e a apoiá-lo. Joe Biden, outro opositor da guerra, foi o escolhido para vice-presidente. A campanha foi quase tão exultante como tinha sido a de John Fitzgerald Kennedy, com a mobilização de sectores da sociedade que chegavam pela primeira vez à política, e com os artistas e a elite negra a apoiá-lo com dinheiro e com influência. A esperança foi o mote. Ao lado, como conselheiro político, Obama tinha David Axelrod, que estava com ele desde o Senado. E na Europa, depois dos anos Bush-Cheney e do período neocon, Obama era visto como um salvador da honra e da liberdade americanas, destruídas pelo Patriot Act, as sessões de tortura e Guantánamo. Na Alemanha, Obama foi recebido como um herói. Não espanta que o Nobel da Paz lhe tenha ido parar às mãos em 2009, quando a popularidade europeia era superior à popularidade americana.

Diktat da esperança

Num frio janeiro de 2009, ano de todos os milagres, e com uma larga maioria do voto popular e a maioria dos votos eleitorais, Obama tomou posse como Presidente dos Estados Unidos da América. O mundo encheu-se de otimismo, apesar do crash de Wall Street, do subprime, do resgate e da recessão, apesar do terrorismo. Na Sala Oval, um dos primeiros atos de Obama foi decretar o encerramento de Guantánamo. E ordenar o regresso das tropas do Iraque. Na política interna, revogou leis do tempo de Reagan e de Bush. Preocupou-se com os direitos das mulheres, incluiu mulheres na Administração e nas nomeações, mandou avançar as políticas de ambiente e de justiça social. Preocupou-se com a discriminação e a intolerância, com as minorias, com as energias renováveis. E decidiu-se a não ignorar o elefante na loja de porcelanas, a política de Saúde. Hillary tinha falhado a tentativa de dar a cada americano acesso a cuidados médicos e Obama tinha a intenção de rever o problema. Havia ainda que restaurar a saúde do sistema financeiro, recuperar a confiança nos bancos, rever a regulamentação de Wall Street e promover o emprego e o crescimento económico. A dívida americana era monstruosa e acentuada pela dependência da China e sua emergência como potência rival. No primeiro ano, e no primeiro discurso do estado da União, Obama falou de educação e de inovação, falou do futuro e obedeceu ao diktat da esperança. À audácia da esperança. Aumentou os impostos para as maiores fortunas e as petrolíferas e afirmou que reduziria os custos da Saúde. Estava, ainda, em estado de graça. E não se falava claramente no Obamacare.

Com a passagem do tempo, Obama viria a ser apanhado de surpresa e contrariado por dois acontecimentos. As vitórias dos republicanos na Câmara dos Representantes e no Senado, dando-lhes o controlo do Congresso, e a oposição feroz que esse mesmo Congresso praticou, e que começou na oposição ao encerramento de Guantánamo. Obama viu-se impossibilitado de usar fundos para fechar a prisão, fundos recusados pelo Congresso, e sem poder transferir presos para prisões no interior dos Estados Unidos ou para países estrangeiros. Em compensação, na guerra de costumes contra os conservadores, Obama arrecadou triunfos. Os movimentos LGBT aplaudiram o fim da política Don’t Ask, Don’t Tell que impedia os gays de servir nas Forças Armadas. Mais tarde, em 2012, na campanha para o segundo mandato, apoiou publicamente o casamento do mesmo sexo e esta atitude levou à legalização deste casamento em todos os estados. Foi, nos costumes, uma revolução. E uma das políticas que contribuíram para o rancor e a suspeita dos republicanos.

Hoje sabemos que o plano de estímulo, um pacote de 787 mil milhões em 2009, ajudou a recuperar a economia americana. O pacote aumentou a despesa federal e o investimento público, e mais uma vez os republicanos mostraram o desagrado. Timothy Geithner, o secretário do Tesouro, deu ordem de intervenção no mercado imobiliário, depauperado pelas falências que resultaram da bolha rebentada, e Obama decidiu ajudar a indústria automóvel enquanto a Chrysler e a General Motors declaravam falência e se reorganizavam. A Chrysler foi vendida à Fiat. A Administração estava disposta a investir fundos federais em empréstimos a empresas em dificuldades e consideradas essenciais para a economia. O aumento do teto da dívida foi negociado e renegociado a partir de 2011 e foi objeto de um embate fortíssimo entre a Casa Branca e o Congresso. A legislação acabou por passar, à beira do abismo, com o default quase a acontecer. Nenhum processo terá gerado tanta animosidade entre o Presidente e o Partido Republicano como este. A política bipartisan, a do acordo e diálogo dos dois adversários, foi a vítima desta animosidade. Os republicanos queixaram-se de que Obama era um político que não falava com eles e que queria governar sozinho. Obama respondia com impaciência aos atrasos e tentava contornar as obstruções burocráticas do Congresso. Um dos problemas de Washington, da administração política federal, é a quantidade de burocracia incompreensível que gera, visível no jargão oficial. Quem tiver assistido às séries “The West Wing”, de Aaron Sorkin, ou “House of Cards”, sabe o que isto quer dizer. Este jargão, um código indecifrável para os cidadãos de fora do Governo, tem contribuído para afastar os americanos da política e nutre as teorias da conspiração em que a América é pródiga. Quem anda pelo interior do país, ou pelo sul, cedo se depara com um americano que acusa o Governo de estar por trás das alterações climáticas ou da criação do ISIS para melhor controlar o povo. É comum.

Fosso político

Logo no primeiro mandato, um fosso político cavou-se em Washington. O Partido Republicano radicalizava-se, entregue a movimentos populistas e a políticos populistas e dependente do poder e da influência da Fox News, um poder que só Donald Trump tem conseguido abalar.

Nos final da Administração Bush, o desemprego tinha crescido, os números eram aterradores em outubro de 2009. Nos Estados Unidos, 10,0% de taxa de desemprego é uma enormidade. Um dos sucessos de Obama tem sido a diminuição desta taxa para valores inferiores a 6%, com contagem e criação mensal de postos de trabalho. Este aumento é paralelo ao crescimento económico, com uma taxa em volta de 3% a partir de 2010. Krugman, no “NYTimes”, chamou-lhe o “boom Obama”. O facto simples de a política de estímulo da economia parecer ter funcionado, ao contrário da Europa que adotou uma austeridade estrita, um facto apreciado por vários economistas e pelos dados disponíveis (e nos EUA toda a política é data based) não tem acalmado os republicanos. Nem os esquerdistas do Partido Democrata. Pelo contrário. Os republicanos clamam que a América deixou de ser grande e que os ricos estão demasiado taxados e não criam os empregos que poderiam criar gerando mais riqueza para os pobres, e os democratas extremistas acham que tanto Obama como Clinton são dois recrutados de Wall Street e que a desigualdade tem crescido. Críticos como a senadora Elizabeth Warren ou Bernie Sanders, que se intitula socialista, uma raridade na América, protestam contra a acumulação de riqueza e a desigualdade. O famoso 1% continua a deter a parte substantiva da riqueza acumulada e gerada. Estes democratas querem meter Wall Street na ordem e obrigaram Hillary a rever as suas opiniões sobre o tema e a afrontar abertamente o poder financeiro. O extremismo discursivo é tudo o que o Presidente Obama abomina. Moderado e cauteloso como é, a radicalização deixa-o entre perplexo e furioso. Não é só nos Estados Unidos que esta radicalização está a acontecer. Na Europa, assiste-se à destruição do centro político e da moderação e intenção reformista que o acompanham. A crise do subprime continua a produzir efeitos no tempo e a mudar as prioridades políticas. A América experimentou o estímulo e a Europa a austeridade, mas nem uma política nem outra contribuíram para a moderação. O que explica a emergência de um candidato como Trump, um bilionário anti-Washington, e de Bernie Sanders, um velho apoiado por jovens que se sentem excluídos pelo establishment.

De todas as políticas de Obama que provocaram o tal rancor e suspeita de que ele se queixa, nenhuma foi tão combatida e debatida e passada à força como o Obamacare. Mais do que o acordo com o Irão sobre a limitação da proliferação nuclear ou a abertura a Cuba, copatrocinada pelo Papa Francisco, o Obamacare é o legado de Obama. Nota-se isso na conversa com Seinfeld em que ele diz que devia aproveitar a ocasião para falar do Obamacare. Tendo sido uma promessa essencial da campanha, Obama acabou a legislar sobre a extensão da cobertura de Saúde a todos os americanos. E prometeu baixar os custos de uma ruinosa política, refém das seguradoras, das corporações e dos patrões. A ideia era incluir uma opção de cobertura pública a par da cobertura providenciada pelas corporações de seguros. E rever as exclusões e as políticas de preexistências. Sucessivas iniciativas legislativas foram sendo boicotadas ou modificadas pelo Congresso e o assunto chegou a ser combatido judicialmente e a subir ao Supremo Tribunal. Os republicanos fizeram desta oposição o seu cavalo de batalha e foram derrotados. Apesar de um arranque informático cheio de erros e de muitas situações confusas, apesar da burocracia e de uma avaliação por fazer dos custos e poupanças totais da política, apesar das críticas vindas do próprio Partido Democrata, o Obamacare é uma política que preenche um vácuo e que está a ser praticada. Precisa, todos o dizem, de ser aperfeiçoada. De ser quantificada e de ser simplificada. Uma presidência republicana teria como consequência a reversão desta política equitativa que permitiu a milhões de pessoas acederem a um sistema de Saúde.

O pesadelo das armas

Considerando a recuperação da economia e a criação de emprego, na política interna, e os acordos internacionais na política externa, as suas vitórias, nenhuma derrota é maior do que a da política do controlo de armas. Todos os anos morrem mais pessoas na América por crimes e ataques à mão armada do que morreram soldados nas guerras do Iraque e Afeganistão. E muitíssimo mais do que por terrorismo. Todos os meses há violência, tiroteios, assaltos, massacres com armas de guerra. A venda de armas é fácil e o direito a ter armas é considerado intocável, em obediência ao espírito pioneiro e cowboy que fez a América. A National Rifle Association, a NRA, talvez seja o lobby mais poderoso e incontrolável do país, a seguir ao que Eisenhower chamou o complexo militar-industrial. A NRA não quer controlo de venda de armas ou de porte de armas. E mesmo depois do massacre de Sandy Hook, uma escola infantil onde um doente mental armado matou dezenas de crianças, e de uma série de ordens executivas para tentar controlar as armas, a NRA continuou a ganhar esta guerra. No dia 5 de janeiro deste ano, num discurso emocional onde o “cool President” chorou ao recordar as vítimas de Sandy Hook, Obama anunciou mais ordens executivas para verificar a histórias dos compradores de armas e mais restrições aos vendedores de armas. A luta pelo controlo e regulação de armas na América é um campo de batalhas legislativas e retóricas. E é uma arma política. Os republicanos reivindicam uma posição extremista, que chega a encorajar ou desculpar a existência de milícias armadas civis que desobedecem à lei e ao Governo em nome da liberdade constitucional, e os democratas não são todos antiarmas, pelo contrário. A maioria dos americanos continua a achar que o melhor modo de se defender, contra criminosos ou terroristas, é mantendo e usando armas próprias. The right to bear arms é um direito constitucional sagrado. Para os liberais de Nova Iorque ou da Califórnia, esta atitude é um sinal de irracionalidade e de primitivismo atávico, e Obama talvez não esteja longe desta formulação.

Família. Michele está ao lado do marido desde a primeira hora. Mas não se limita a fazer figura de corpo presente

Família. Michele está ao lado do marido desde a primeira hora. Mas não se limita a fazer figura de corpo presente

Kwaku Alston/Corbis Outline

O controlo de armas, ou o seu descontrolo, estão ligados à violência nos bairros negros, onde “blacks shoot blacks”, embora não seja politicamente correto dizê-lo, e à violência policial de que os negros têm sido vítimas repetidas. O racismo permeia as forças policiais, mas o facto estatístico de muitos pequenos e grandes delinquentes serem negros e andarem armados, perpetrando crimes à mão armada, coloca a polícia sob pressão. Não houve, depois dos anos 60, um mandato presidencial onde estes confrontos tivessem sido mais violentos. Nos anos dos movimentos dos direitos civis, eram comuns os motins e a destruição de propriedade, o protesto, o embate entre polícias e manifestantes. Na sequência de vários crimes e abusos cometidos por polícias contra cidadãos negros, crimes filmados e registados na era do telemóvel e da rede, realizaram-se gigantescos protestos que acusaram Obama de ser um Presidente mais branco do que negro. Nasceu um movimento de direitos civis, radicalizado, chamado Black Lives Matter, e que tem atacado a campanha de Hillary com os argumentos de que nem Obama, nem Hillary, nem o Partido Democrata têm dedicado atenção a este tema. E a esta violência.

Um tema doloroso

Note-se que a underclass negra tem causado mais problemas sociais do que a underclass mexicana, ou latino-americana, apesar de Trump insultar e prometer expulsar esta última se não estiver legalizada (e os restaurantes da East e da West Coast ficariam sem criados de um dia para o outro, os milionários ficariam sem amas e criadas de casa, sem jardineiros e sem palafreneiros). A underclass negra enche as prisões do país e criou subculturas de exclusão dentro das cidades e subúrbios que são difíceis de eliminar. O mais terrível legado do esclavagismo e do racismo é este. Supõe-se que para um Presidente que venera Abraham Lincoln, o homem que travou uma guerra fratricida para libertar os escravos, o tema seja doloroso. Os mandatos de Obama não eliminaram a underclass nem melhoraram radicalmente a sua vida a não ser através da criação de emprego. Parte desta underclass nasce e morre sem acesso à educação superior e sem ambição, e é vista pelo sistema como o mercado preferencial da música e do entretenimento negros. O recente boicote dos negros aos Óscares demonstra como a questão é foco de tensões raciais, de ódios e de quotas obrigatórias. Quem anda pela América percebe que os negros vivem num gueto físico e psicológico e num mundo de negros. Numa praia de Miami veremos de um lado os brancos, em grupo, e do outro os negros, em grupo. E nunca se misturam. O muro que separa brancos e negros continua intransponível. Numa sociedade em que a educação universitária é um privilégio caro e raro, os filhos do privilégio ou os que acedem ao privilégio por mérito controlam o poder económico e social. Ninguém ainda conseguiu inverter o ciclo destrutivo de pobreza e destituição, e o ciclo de violência, armada ou não, da underclass. Michele Obama tentou o argumento da educação, a educação académica e a educação social, incluindo a alimentar, mas o sucesso foi restrito. O gueto resiste à integração. A mesma underclass que chorou em janeiro de 2009 sente-se hoje alienada e posta de lado. Muito mais que os chicanos e descendentes, que são a maioria demográfica.

A segunda grande derrota de Obama foi a política do Médio Oriente. Com a retirada das tropas americanas do Iraque e do Afeganistão, os dois países mergulharam no caos e no morticínio. A guerra entre sunitas e xiitas, ou entre os países satélites da Arábia Saudita e do Irão, está ao rubro, e nunca as relações com Israel e os palestinianos foram tão más e a diplomacia tão inútil. A intervenção na Líbia, sob pressão dos europeus Cameron e Sarkozy, foi desastrosa, e contribuiu para atiçar a guerra civil síria. Ao ver o vídeo da morte de Kadhafi, Assad resolveu eliminar o seu povo e resistir até ao fim, ajudado por Putin e pelos iranianos. A criação dessa entidade híbrida chamada Estado Islâmico, e a substituição da Al-Qaeda como inimigo número um por um inimigo ainda mais bárbaro e fundamentalista, a crise dos refugiados, a morte das primaveras árabes que nunca o foram, destruíram as boas intenções de Obama no início do primeiro mandato. Quando fez o discurso do Cairo, de conciliação com o mundo muçulmano. “Um novo princípio”, dizia ele. Acabou mal. Nunca o Médio Oriente foi tão perigoso e volátil. Nota-se que é uma região que não apaixona o Presidente. A relação com Putin deteriorou-se e coube ao secretário de Estado, John Kerry, que estabeleceu uma boa relação com os ministros dos Negócios Estrangeiros russo e iraniano, reparar os estragos dessa indiferença. Ao obter o acordo nuclear com o Irão, um velho inimigo desde os ataques e reféns de Beirute nos anos 80 e 90 e o episódio da embaixada americana em Teerão, e um dos grandes pagadores de terrorismo no mundo antes de aparecerem o terrorismo sunita e Osama bin Laden, Obama marcou historicamente o seu mandato. Apesar da relação com Israel estar a zeros e de Netanyahu ter desafiado o Presidente ao ir diretamente discursar ao Congresso ignorando a Casa Branca (um gesto irado que lhe custa caro), muita gente vê neste acordo um marco diplomático que ajudará a trazer paz, a amaciar o regime dos ayatollahs e a impedir que o Irão venha a ter armas nucleares. Da parte iraniana, depois dos anos loucos de Ahmadinejad, a moderação e o bom senso têm sido superiores ao ímpeto revolucionário que caracterizava o discurso oficial. Em compensação, os sauditas desembestaram e resolveram entrar em guerras civis como a do Iémen, e o tom de ameaça mútua tem aumentado. A Casa de Saud sente que o seu aliado tradicional e o seu principal fornecedor de armas trocou de parceiro. Exatamente o que sente Israel, onde o processo de paz e o inexistente roadmap estão no ponto mais morto, dir-se-ia ironicamente no ponto mais “assassinado”, de sempre. A violência palestiniana aumenta todos os dias, numa Intifada inorgânica. Tudo, na região, é neste momento inorgânico, confuso, disperso, fragmentado. E as novas guerras civis e o novo terrorismo partilham as características do meio que os gerou, a rede.

Brincadeira de crianças

Ninguém sabe o que irá acontecer, embora se perceba que a situação tende a piorar. A política anémica da fraqueza europeia, que os americanos desprezam e ignoram, compõe o quadro trágico. O terrorismo em território americano não é uma ameaça como é na Europa. Desde o 11 de Setembro, os sistemas de vigilância e controlo aumentaram. E é justamente a perseguição e caça do autor material e moral do 11 de Setembro, Osama bin Laden, um dos triunfos de Barack Obama. O homem que era acusado de não ter estofo para comandar militares acabou por ser um decisor com mão de ferro. A política dos drones foi dele, e a decisão de matar Osama foi dele. Obama caçou Osama. Esse triunfo ninguém lhe tira, apesar de muita água ter corrido sob as pontes e destruído as pontes depois do dia em que os americanos dançaram nas ruas com a aventura dos Seals em Abbottabad. Desta história nunca se saberá toda a verdade. Apesar de ter começado a sua vida presidencial por desclassificar documentos de antecessores, teremos de esperar uns anos para consultar os documentos secretos dos anos Obama.

Guantánamo continua aberta, e responsável pela demissão de Chuck Hagel de secretário da Defesa. O novo secretário de Defesa, Ashton Carter, não parece interessado em fazer a vontade ao Presidente, que lhe deu ordem para fechar a prisão. As transferências para solo americano continuam boicotadas pelo Congresso e as transferências para países estrangeiros são complexas de negociar e executar. Há reincidências de presos libertados, e há prisioneiros em Guantánamo que não podem ser libertados. Ninguém sabe o que fazer com eles, sobretudo com Khaled Sheikh Mohamed, o KSM, o “cérebro do 11 de Setembro”. Obama desistiu de o julgar num tribunal cível em Nova Iorque, um julgamento que se transformaria num circo. E os militares não o julgam tão depressa. KSM desapareceu, como o delator Barry Manning, nos cantos escuros da vingança americana.

Barack Hussein Obama II pode ter sido cool mas não foi muito diferente nesta matéria de outros Presidentes menos cool. Em Washington, há quem diga que o Watergate, que destronou Nixon, comparado com os abusos praticados hoje pelos sistemas secretos de vigilância americanos (incluindo a NSA, a Agência de Segurança Nacional, que escutou os americanos e escutou Merkel e Dilma) é uma brincadeira de crianças. O 11 de Setembro mudou a América para sempre e mudou-a de um modo não visível, mudou-a por dentro e à revelia dos mecanismos funcionais do que chamamos o Estado de direito. Obama tem governado cautelosamente e isto significa que nunca tentou, nem isso estava nos seus planos americanos, mudar o que nenhum Presidente controla, a começar pelo Pentágono. Ou a NSA. Ou a CIA. Clinton fê-lo e, ao quase destruir a CIA ao desmembrá-la, contribuiu para a destruição de um bastião da defesa externa do país. E, sussurra-se, para o 11 de Setembro. A guerra secreta continua.

Se um Presidente medir o seu legado pela pessoa que o substitui, e Margaret Thatcher disse uma vez que o seu legado era Tony Blair, então Obama poderia vir a ser medido por Donald J. Trump ou Ted Cruz, hipótese que aterra os liberais e deve aterrar o Presidente. E irritá-lo.

Imagine-se uma vitória de um Trump ou de um Cruz que acusa Trump de ser um liberal. Seria o suficiente para tirar um cool President da sua coolness. Resta a consolação de ser Hillary Clinton a candidata mais bem lançada para ocupar uma Casa Branca que ela bem conhece por dentro. E continuar o legado da Administração Obama. Quando Jerry Seinfeld pergunta ao Presidente dos Estados Unidos da América que homenagem gostaria que a História lhe fizesse, ou mais ou menos isto, Obama diz que o Monte Rushmore não seria mau apesar da falta de espaço. Teríamos Obama na companhia granítica de George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln. Até esculpirem uma nova galeria noutro monte, com outros gigantes, e onde constariam Kennedy, Nixon, Reagan e Clinton, Obama terá as fotografias na casa de gelados Thomas Sweet e nos hambúrgueres Five Guys de Georgetown.

Quando o Presidente regressa a casa das férias ou das viagens oficiais, Washington parece outra. A Casa Branca só é uma prisão para quem nela mora. Vista de fora, é a casa mais bonita do mundo.