Siga-nos

Perfil

Expresso

Arquivo

Portugal: entre o FMI e a República das Bananas

João Lemos Esteves (www.expresso.pt)

1. As negociações com a troika do FMI prosseguem. Aparentemente, a definição das medidas exigidas a Portugal só seriam decididas após ouvir as entidades representativas da sociedade civil, para além dos partidos políticos. Mas não nos iludemos: as medidas há muito que estão preparadas e o plano só será alterado para pior. Pior no sentido de mais grave e mais doloroso para os Portugueses. Segundo o que sabemos, a situação financeira Portuguesa é (por incrível que pareça!) pior do que nós, humildes cidadãos, imaginávamos. Já se avança com a inevitabilidade de reestruturação da nossa divida - que será certamente um sacríficio que exigirá uma verdadeira união nacional de todos os Portugueses.

2. Dito isto, as negociações com o FMI têm se pautado pelo excessivo secretismo. Obviamente que questões deste teor não devem ser tratadas publicamente a uma reserva natural de matérias sigilosas em nome do interesse nacional. Todavia, quem irá negociar será o governo. E será o executivo que tomará as medidas acordadas. Ora, os Portugueses têm que ter elementos para fiscalizar a atuação do governo! Esta ideia da governação ás escondidas é perigosa e a negação da Democracia. Em qualquer circunstância.Por outro lado, esta ideia de negociações ás pinguinhas é absurda e digna de uma República das Bananas. Mas passa pela cabeça de alguém que governo, oposição, sindicatos, patrões apresentam a sua visão isolada á troika? Não passa. Como é que deveria ter sido conduzido este processo? 1.Os partidos e as entidades representativas da sociedade civil deveriam reunir-se para adoptar uma posição comum, que corporizasse o interesse nacional, para além dos interesses privados e corporativos; 2.Negociar em conjunto - e não paralelamente. Porque uma negociação representativa de muitos Portugueses mostra a coesão nacional - e aumenta a força negocial a Portugal; 3.Uma vez aprovado as medidas de choque, todos os intervenientes políticos e sociais exercerem uma função pedagógica, de motivação (por muito difícil que seja), de confiança. Apelarem ao trabalho de todos os Portugueses. Acalmar as críticas, as divergências ideológicas ou de outra espécie, o anti-capitalismo ou o anti-comunismo - e lutar por Portugal. Vivemos tempos extraordinários que demandam atitudes e esforços extraordinários. Mas com equidade e competência dos políticos. Desenvolverei este ponto no próximo texto.

Email: politicoesfera@gmail.com