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Eleitores-fantasma empurram direita para a vitória

Investigadores do Instituto de Ciências Sociais contactados pela revista "Visão" garantem que a verdade eleitoral pode estar em causa. Os eleitores-fantasma poderão ditar o vencedor errado.

Os cadernos eleitorais têm 755.580 falsos eleitores - sobretudo pessoas já falecidas e emigrantes ainda registados em Portugal - que no próximo dia 5 poderão determinar a vitória da direita, avança a revista "Visão" esta quinta-feira.

O alerta partiu dois politicólogos do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa depois de terem atualizado um estudo realizado em 2007 e 2009 sobre os cadernos eleitorais.

Segundo Luís Teixeira e José Bourdain existe o risco "de os eleitores-fantasma ditarem o vencedor errado".

Os investigadores cruzaram dados da Direção-Geral da Administração Interna, do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e as projeções anuais da população divulgadas pelo Instituto Nacional de estatística e concluíram que os distritos de Viana do Castelo, Faro e Madeira, que votam historicamente à direita (PSD e CDS) têm 157 mil eleitores a mais.

Ora, se os cadernos eleitorais tivessem sido atualizados, estes três círculos (que elegem 21 deputados) perderiam três mandatos: um para Setúbal e dois para o Porto, distritos "onde se vota mais à esquerda", explicaram os investigadores à "Visão".

"Num parlamento fragmentado, como aquele que se prevê vir a sair desta eleição, três deputados podem fazer toda a diferença", afirmaram Luís Teixeira e José Bourdain.