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A Volatilidade está de volta

O pânico apoderou-se dos mercados accionistas com os cortes nas notações de risco de Portugal e da Grécia. Saiba como ganhar com a escalada do nervosismo nas bolsas. Clique para visitar o canal Dinheiro

Nuno Alexandre Silva

No mesmo dia em que Standard & Poor's juntou ao elenco da já longa "tragédia grega" a economia portuguesa, baixando a notação de risco da dívida soberana em dois níveis, de A+ para A-, as acções do PSI-20 foram os principais "actores" de um dia de negócios que retirou 5,36% ao índice.

Numa sessão que trouxe perdas de quase 10% para empresas como a Sonae Indústria, os três principais bancos cotados, BCP, BES e BPI, viram desaparecer 666 milhões de euros das suas capitalizações bolsistas. E nem a abertura de uma nova sessão trouxe melhor cenário. Para um investidor que tivesse adormecido no dia 20 de Abril e acordasse hoje às 9h30 ia ter de recuperar o passado para perceber como é que o principal índice bolsista português vai caindo 17% em apenas seis sessões de bolsa.

Desde o princípio do ano, o "comportamento bipolar" das acções não é um exclusivo nacional. Em Janeiro, as 50 maiores acções europeias atingiram os 3017 pontos no índice Eurostoxx 50, mas não foi preciso mais de um mês para descerem aos 2631 pontos em Fevereiro e para estarem agora nos 2839 pontos.

Se a volatilidade parecia estar já a preparar-se para sair de cena, segundo a análise de recomendações das casas de investimento para as acções do mercado português e as previsões de lucros no mercado europeu, o "sopro" que veio de Frankfurt via Nova Iorque, pela agência de notação de risco Standard & Poor's, trouxe de volta a instabilidade e o nervosismo aos investidores. A agência Bloomberg indicava ontem que o VIX (índice que mede o custo de usar opções contra as quedas do índice accionista norte-americano S&P 500) registou uma subida de 31%, que é a mais elevada desde Outubro de 2008, e que o índice paralelo na Europa, o VStoxx, subiu 17%, no mesmo dia em que a notação do risco da dívida grega foi classificada como "junk".

É no Velho Continente que grande parte da instabilidade está a acontecer. Para os investimentos que ganham com a ausência de normalidade nos mercados financeiros da Zona Euro e com as oscilações face aos valores médios registados nas bolsas Abril já se mostrou profíquo: o fundo Amundi Funds Volatility Euro Equities S já subiu 1,17% até ao dia 26 de Abril. Nos últimos três anos de instabilidade e perdas nas bolsas, o fundo de investimento que antes se designava por CAAM Volatility Euro Equities, gerou retornos anuais de 10,78%, apesar de só ter rendido 1,96% nos últimos 12 meses.

O outro fundo da mesma gestora, o Amundi Funds Volatility World Equities, ganha com os valores extremos das acções globais, mas apenas está positivo desde o início do ano porque o euro tem vindo a perder valor para o dólar, a moeda em que está cotado o fundo.