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Pela estrada fora com o PS

Manuel Alegre: "O PS não pode ser pau-de-cabeleira de um Governo desta direita"

O histórico socialista juntou-se a José Sócrates e a Ana Jorge

Num comício, ontem à noite, em Coimbra, o ex-candidato presidencial fez levantar o pavilhão da Académica por várias vezes. Numa defesa veemente de José Sócrates, criticou os que não admitem fazer Governo com ele: "Se o excluem a ele, excluem-me a mim". Clique para visitar o especial Portugal 2011

Cristina Figueiredo (texto) e Alberto Frias (fotos), na estrada com o PS (www.expresso.pt)

O histórico socialista juntou-se ontem à noite, em Coimbra, a José Sócrates e a Ana Jorge (cabeça-de-lista do PS pelo distrito), para render "homenagem" ao secretário-geral socialista, de quem, confessou, "já tive divergências, se calhar tenho, se calhar ainda terei".

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Alegre, na sua segunda reaparição pública em eventos partidários desde a derrota nas presidenciais de janeiro (a primeira foi em Matosinhos, em abril, no congresso do PS), aproveitou para fazer um discurso em defesa do projeto europeu, mas aproveitou para se demarcar de outros pesos-pesados do PS que têm defendido um regresso ao Bloco Central.

Se o PS perder, "deve ir para a oposição". "Não pode ser pau-de-cabeleira de um governo desta direita, que é a direita mais radical que vimos desde o 25 de abril", explicou Manuel Alegre, levando o pavilhão da Académica a explodir em aplausos.

O ex-candidato presidencial confessou-se, depois, impressionado com "o nível de provincianismo mental de alguns dirigentes que todos os dias inventam casos" nesta campanha eleitoral: "Estas não são eleições para uma junta de freguesia", proclamou, sublinhando que o combate em curso "é parte integrante de uma batalha pelo futuro da Europa".

"A Europa, enquanto projeto político e de civilização, corre o risco da desagregação", afirmou ainda Alegre, alinhando com Sócrates no que tem sido o principal argumentário do candidato do PS: dizendo que o que está em causa nas eleições de 5 de junho é a escolha "pelo ultra-liberalismo - que tem gerado estas sucessivas crises, agravando as desigualdades e esvaziando a democracia -  ou pela defesa do modelo social europeu".

A hora é "muito difícil", constatou, mas, prevê Alegre, "tudo será muito pior se a direita vencer". E, retomando uma linha discursiva muito semelhante à que usou durante a sua própria campanha contra Cavaco Silva, disse temer uma "mudança de democracia". Hora portanto, concluiu, para "todos os socialistas, todos os democratas, todos os homens e mulheres de esquerda" se unirem.