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Pela estrada fora com o CDS-PP

CDS quer mais votos do que PCP e BE juntos

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Filipe Santos Costa, na estrada com o CDS (www.expresso.pt)

Portas estabeleceu nova meta eleitoral num comício cheio em Famalicão.

No dia em que uma sondagem voltou a dar o PSD com uma vantagem folgada sobre o PS, o CDS suspirou de alívio porque se esbate a incerteza quanto ao vencedor das eleições e tem menos força o argumento do voto útil em Passos Coelho. Paulo Portas não perdeu tempo e estabeleceu um novo objetivo eleitoral para o CDS a 5 de junho: ter mais votos do que o PCP e o BE juntos. O que significa que, depois de passar a ideia de que será candidato a primeiro-ministro, Portas fica-se agora por uma meta mais modesta. Segundo a última sondagem conhecida, os dois partidos de esquerda têm 12,2% e o CDS está nos 12,1% (Intercampus).

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"Sempre dissemos que PS e PSD não estavam empatados. Eu sempre disse que José Sócrates perderia. Mas para uma nova maioria, de mudança a sério, é preciso que, pelo menos, o CDS tenha mais votos do que o PCP e o BE juntos. Porque, se não, não haveria maioria nem haveria mudança. É pura matemática", afirmou Portas em Famalicão, num comício com casa cheia e bastantes caras vindas de outros distritos, nomeadamente de Lisboa.

A sondagem divulgada esta noite pela TVI e pelo Público, foi como um bálsamo para a caravana centrista, num momento em que a pressão do PSD era cada vez mais notória. A previsão de empate entre os dois maiores partidos é o cenário de pesadelo para Portas, pois permite ao PSD apelar ao voto útil, com o argumento de que, "desperdiçando" votos no CDS, o PS poderá vencer. O argumento do "medo", como disse o eurodeputado Nuno Melo, estrela convidada para o comício de Famalicão, a sua terra.

Aos eleitores "indecisos entre o CDS e o PSD", Portas deixou uma garantia e um desafio. A garantia, para quem "tem receio ou da inconstância ou do excesso de liberalismo do PSD": o CDS terá uma "governação moderada e um compromisso social com os mais vulneráveis". E o desafio: "comparem trabalho, coerência, esforço, dinâmica, mérito, visão e soluções, e escolham o que vos parecer melhor".

"Portas a decidir o rumo de Portugal"

Portas voltou a repetir que "do ponto de vista da responsabilidade e do Governo, esta campanha não é a dois, é a três". Mas daí ainda não deu o salto para assumir-se como candidato a primeiro-ministro. O CDS tem andado à volta dessa ideia, mas Portas ainda não pronunciou essas palavras. Durante o comício, Nuno Melo defendeu que é importante "levar Paulo Portas a decidir o rumo de Portugal". E Telmo Correia questionou-se: "Porque não nos deixam sonhar (...) com sermos os primeiros nestas eleições?"

Mais claras foram as referências ao PSD - ou, como disse Telmo, "aqueles que podem ser nossos aliados". "Seria muito bom que o PSD não se enganasse no adversário", disse Nuno Melo. E Telmo Correia, cabeça de lista por Braga, enumerou os quatro erros que o PSD comete quando ataca o CDS: "trata um possível aliado como inimigo", "perde tempo", "desperdiça munições" e deixa Sócrates a "assistir de cadeirão".