Siga-nos

Perfil

Expresso

Desporto

Foi bom enquanto durou. Naide Gomes anuncia final da carreira

  • 333

António Pedro Ferreira

Uma lesão incurável no tendão de Aquiles antecipou o fim da mais notável atleta portuguesa da última década. "Já chorei muito, já ri muito, mas principalmente rimos juntos. Vivemos grandes momentos", disse Naide na hora do adeus, referindo-se ao treinador Abreu Matos, sentado a seu lado.

Naide Gomes, antiga campeã mundial 'indoor' de pentatlo e salto em comprimento, anunciou esta tarde ter posto um ponto final na sua carreira, aos 35 anos, devido a lesão prolongada.

"Convidei-vos para anunciar que nós terminámos a nossa carreira, depois de longos anos e de muitos sucessos e também insucessos. Já chorei muito, já ri muito, mas principalmente rimos juntos. Vivemos grandes momentos", disse Naide em conferência de imprensa, referindo-se ao treinador Abreu Matos, sentado a seu lado. A atleta do Sporting estava afastada das pistas desde 2013.

A mais notável atleta portuguesa da última década destacou-se no salto em comprimento, especialidade na qual foi campeã mundial (2010) e europeia (2005 e 2007) em pista coberta e que abraçou já depois de ter sido campeã mundial 'indoor' no pentatlo (2004). Deixa uma carreira rica em títulos e que a levou a três Jogos Olímpicos, em representação de dois países.

Com 10 medalhas conquistadas em Campeonatos da Europa e do Mundo - principalmente, em pista coberta, mas também ao ar livre -, Naide Gomes não resistiu aos efeitos de uma lesão no tendão de Aquiles, que a mantinha afastada das pistas há dois anos.

Foram, precisamente, as lesões que mudaram desde muito cedo o rumo traçado pela atleta, que começou pelo heptatlo e o pentatlo, mais exigentes fisicamente, mas acabou por se especializar, com sucesso, numa disciplina de ambos: o salto em comprimento.



Enezaide do Rosário da Vera Cruz Gomes nasceu a 20 de novembro de 1979, em São Tomé e Príncipe, país que representou nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, numa fase muito inicial da carreira, na prova dos 100 metros barreiras, depois de ter falhado a qualificação no heptatlo. A curta vida como atleta são-tomense foi, no entanto, suficiente para estabelecer sete recordes nacionais (100 metros barreiras, salto em comprimento, salto em altura, triplo salto, lançamento do peso, lançamento do dardo e heptatlo).



Em 2001, obteve a nacionalidade portuguesa, país em que vivia desde os 11 anos, optando por representar Portugal, o que acontece pela primeira vez numa grande prova internacional em 2002, nos Europeus de pista coberta, em Viena, de onde saiu com a medalha de prata no pentatlo.



O título mundial 'indoor' de pentatlo em 2004, em Budapeste, obtido com a melhor marca mundial do ano, abriu boas perspetivas para os Jogos Olímpicos de Atenas, mas a atleta portuguesa não foi além do sexto lugar, ainda assim a sua melhor participação olímpica.



A aposta no salto em comprimento, em 2005, começa logo por produzir resultados, com o título europeu de pista coberta, em Madrid, a que se seguiu a primeira das duas medalhas de prata nos Campeonatos da Europa ao ar livre, em Gotemburgo, em 2006, ano em que também alcança o 'bronze' nos Mundiais 'indoor', em Moscovo.



A revalidação do título nos Europeus, em 2007, em Birmingham, e a medalha de ouro nos Campeonatos do Mundo, em 2008, em Valência, ambos em pista coberta, colocaram-na no topo da lista de favoritas para os Jogos Olímpicos de Pequim, na sua terceira e última participação.



A marca de 7,12 metros, obtida a 28 de julho no Mónaco - recorde português, ibérico e melhor marca mundial de 2008 -, reforçaram esse estatuto, mas a capital chinesa fica associada a um dos momentos mais amargos da vida desportiva de Naide Gomes. Quase dois meses mais tarde, a 19 de agosto, no auge das suas capacidades, a atleta portuguesa desce do céu ao inferno em apenas três saltos: os dois primeiros são nulos e no terceiro, pressionada por ser a última oportunidade de atingir a final, salta 6,29 metros e falha o apuramento.



Depois de um ano em 'branco', 2010 marca o regresso às medalhas, concretamente duas de prata, nos Mundiais de pista coberta, em Doha, e nos Europeus ao ar livre, em Barcelona, antes de voltar a conquistar a 'prata', nos Campeonatos da Europa, em 2011, em Paris.



A nível nacional, Naide Gomes esteve sempre meio metro à frente da melhor concorrência, como o comprovam os 17 títulos de campeã portuguesa de salto em comprimento, aos quais junta mais três de salto em altura, dois de 100 metros barreiras e um de heptatlo.