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“Não sei se a Caixa vai existir daqui a dez anos”

Nuno Botelho

A arriscada previsão do CEO da Tekever, Pedro Sinogas, foi uma das frases mais marcantes do terceiro encontro "Fora da Caixa", organizado por Expresso e Caixa Geral de Depósitos onde a evolução das indústrias tradicionais da economia esteve em debate

O papel que a banca vai desempenhar no futuro estava em discussão quando Pedro Sinogas, CEO da Tekever decidiu lançar a polémica da tarde: "Não sei se a Caixa vai existir daqui a dez anos." A frase originou grande burburinho na plateia e lançou uma discussão apaixonada, quase de "defesa da honra" (como disse Nicolau Santos) sobre o futuro do sector. No fundo, nada podia ter representado melhor o propósito do terceiro encontro "Fora da Caixa" como fórum onde a reinvenção de setores (como a banca) esteve na montra principal.

Organizado por Expresso e Caixa Geral de Depósitos, a tarde na Aula Magna em Lisboa tinha como mote a questão "O futuro é disruptivo?" e os participantes não se coibiram de colocar tudo e mais alguma coisa em causa, pelo lado positivo."Vivemos uma viragem civilizacional", como lhe chamou, Nuno Sampayo, do Instituto de Formação Bancária. Perante a opinião mais radical do seu parceiro de debate, moderado pelo diretor adjunto do Expresso, esgrimiu a "reputação" como algo "que vai prevalecer" e impedir instituições como a Caixa de desaparecerem. O que não significa que não tenham de evoluir. Precisam de "equipas ninja" a trabalhar arduamente, diz Pedro Sinogas, para terem hipótese de garantir os novos clientes necessários.

O presidente da comissão executiva da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo - que aproveitou para reagir às notícias da saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo como "ótimas notícias" - não fugiu ao tema e assumiu que cabe a instituições como a sua ter "ofertas novas e mais estimulantes" que respondam às necessidades "de um novo mercado." Com direito a bandana de ninja (literalmente) no final.

Consumidor que também foi um um fio condutor do debate e esteve presente em quase todas as intervenções. Para Francisco Rui Veloso, da Católica Lisbon School of Business & Economics "todos nós" desempenhamos agora "um papel ativo na evolução das indústrias" enquanto Vasco Pedro, fundador da Unbabel fez eco da importância "de estabelecer redes de contactos."

Tudo fatores e ideias que ainda não são consensuais e que levaram mesmo o economista José Manuel Félix Ribeiro a afirmar que "esta não é a globalização que conhecia". Se "a incerteza é de regra", como diz o Presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, Emílio Rui Vilar, hoje já tivemos algumas pistas. Com direito a arrojo.