Anterior
Algarve: Joss Stone promete abordar todos os álbuns no concerto em Loulé
Seguinte
Fátima Felgueiras absolvida de todos os crimes no processo do futebol
Página Inicial   >  Feeds  >  Última Hora Lusa  >  Actualidade  >   Arqueologia: Templo romano descoberto em Beja é o maior de Portugal e um dos maiores da Península Ibérica

Arqueologia: Templo romano descoberto em Beja é o maior de Portugal e um dos maiores da Península Ibérica

Beja, 30 Jul (Lusa) - O templo romano do século I d.C. soterrado em Beja, identificado há 70 anos e que tem sido escavado desde que foi descoberto há um ano, é "o maior" de Portugal e "um dos maiores" da Península Ibérica.
Lusa |

*** Luís Miguel Lourenço, agência Lusa ***

Beja, 30 Jul (Lusa) - O templo romano do século I d.C. soterrado em Beja, identificado há 70 anos e que tem sido escavado desde que foi descoberto há um ano, é "o maior" de Portugal e "um dos maiores" da Península Ibérica.

"É o maior dos templos romanos já conhecidos em Portugal", como o de Évora e o de Conímbriga, e, "sem dúvida, um dos maiores da Hispânia" (designação da Península Ibérica na época romana), confirmou hoje à agência Lusa a arqueóloga Conceição Lopes.

Trata-se de "um edifício imponente", com 30 metros de comprimento e 19,40 metros de largura, e, tal como os templos romanos de Évora, da província espanhola de Ecija (Sevilha) e de Barcino (Barcelona), é rodeado por um tanque, com 4,5 metros de largura, precisou a arqueóloga.

Segundo Conceição Lopes, o templo imperial, "seguramente do século I d.C", é o identificado pelo arqueólogo Abel Viana em 1939, durante a abertura dos caboucos para a construção do reservatório de água de Beja, junto ao logradouro do Conservatório Regional do Baixo Alentejo (CRBA).

Na altura, o arqueólogo identificou um "grande edifício, que interpretou como o templo romano de Pax Julia" (designação de Beja na época romana), mas os vestígios foram tapados e no final dos anos 90 Conceição Lopes decidiu avançar com escavações no local, para "tentar ver o que Abel Viana tinha identificado".

Nas duas primeiras campanhas de escavações, em 1997 e 2006, foram achados edifícios de várias épocas, mas só na campanha do ano passado, entre Julho e Agosto, foi descoberto o templo romano identificado por Abel Viana.

Entretanto, a demolição do edifício do departamento técnico da Câmara de Beja, que tinha sido atingido por um incêndio em Outubro de 2008, e a queda de um muro do edifício da antiga tipografia do jornal Diário do Alentejo (DA), "abriram terreno" e permitiram estender as escavações ao longo de um núcleo entre a Praça da República e as ruas Abel Viana, da Moeda e dos Escudeiros.

Através das três campanhas deste ano, cuja última terminou na passada semana, Conceição Lopes e alunos do Instituto de Arqueologia da Universidade de Coimbra conseguiram "perceber melhor" a "imponência" do templo romano.

As escavações no local onde era o fórum (praça central) da cidade Pax Julia, para recuperar a cota da época romana e desvendar o templo imperial, deverão recomeçar após a Câmara de Beja comprar e demolir o edifício da antiga tipografia do DA e que está instalado "em cima de grande parte" e "a mais interessante" do templo, previu Conceição Lopes.

A autarquia "está em negociações" para comprar o edifício, que deverá ser demolido, porque "a ideia é escavar até colocar todo o templo à mostra", disse o presidente da Câmara de Beja, Francisco Santos.

O património descoberto, "fundamental" para conhecer a história de Beja, é "tão valioso" que a Câmara "está disponível" para "dar os passos necessários" para que os achados, sobretudo o templo romano, tenham um tratamento museológico "adequado".

O objectivo é expor o património achado para "ser usado e visitado" pelos habitantes e turistas e, no futuro, ser "uma mais-valia económica para a cidade", disse Francisco Santos.

O projecto "pensado", que poderá implicar um investimento "entre 1,5 a dois milhões de euros", previu o autarca, deverá incluir a reconstrução do departamento técnico da Câmara, a compra e a demolição do edifício da antiga tipografia do DA, comparticipação de escavações, musealização dos achados, como a hipotética reconstituição do templo imperial romano, e o enquadramento paisagístico da zona.

Francisco Santos admitiu que o reservatório de água de Beja, situado no local e quase sem utilidade, poderá ser "transformado num miradouro", a partir do qual será possível observar o templo e a cidade.

Na campanha do ano passado, além do templo imperial romano, a equipa coordenada por Conceição Lopes descobriu outro "importante" edifício do fórum da cidade Pax Julia.

O edifício, a "primeira instalação romana da cidade, foi construído no final do século I a.C., no tempo de Augusto, o primeiro imperador romano".

O templo imperial e o edifício, frisou a arqueóloga, demonstram que Pax Julia "era a mais importante cidade romana" de Portugal, a "grande colónia do sudoeste peninsular" e "a capital do 'conventus pacencis'", ou seja, da região político-administrativa e jurídica que ocupava toda a zona a Sul do Tejo do actual território português.

Além dos dois edifícios romanos, as escavações colocaram ainda a descoberto outro edifício da Idade do Ferro que "confirma a ocupação e revela a importância da cidade na época pré-romana", disse a também coordenadora do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto.

Apesar de frisar que não dispõe de elementos para dizer exactamente quando foi construído o edifício, "um dos melhores e dos mais bem conservados da Idade do Ferro descobertos no Sul de Portugal", Conceição Lopes referiu que "há a presença de materiais desde o século VII a.C. ao século III d.C.".

Nas anteriores campanhas, já tinham sido descobertas várias estruturas de períodos posteriores à época romana, como "belíssimos" edifícios dos séculos XVI e XVII, como "vestígios da antiga cadeia de Filipe III e de algumas casas do tempo de D. Manuel".

Em termos científicos, "o mais interessante" destas descobertas "é perceber que Beja teve uma dinâmica muito interessante ao longo dos tempos" e que "soube reciclar e usar muito bem os edifícios que tem", frisou a arqueóloga.

O património que tem vindo a ser descoberto no núcleo escavado junto à Praça da República é "extraordinariamente importante", porque "pode, finalmente, permitir contar a história" de Beja, desde o século VII a.C., na Idade do Ferro, até ao século XXI, salientou Conceição Lopes.

"Neste momento, estão reunidas as condições para Beja vir a recuperar, do ponto de vista da sua identidade, um grande passado, absolutamente interiorizado na contemporaneidade", disse.

LL.

Lusa/Fim


Opinião


Multimédia

Voámos num F-16

Um piloto da Força Aérea voou com uma câmara GoPro do Expresso e temos imagens inéditas e exclusivas para lhe mostrar num trabalho multimédia.

Salada de salmão com sorvete de manga

Especialista em pratos de confeção acessível, com ingredientes ao alcance de qualquer pessoa, Tiger escolheu a gastronomia como forma de estar na vida. Veja, confecione, desfrute e impressione.

Por faróis nunca dantes navegados

São a salvaguarda dos navegantes, a luz que tranquiliza o mar. Há 48 faróis em Portugal continental e nas ilhas. Este é um acontecimento único: todos os faróis e 1830 km de costa disponíveis num mesmo trabalho. Para entendê-los e vê-los, basta navegar neste artigo.

Parecem casulos onde gente hiberna à espera de ver terra

No Porto de Manaus não há barcos, mas autocarros bíblicos que caminham sobre água. Têm vários andares e estão cheios de camas de rede que parecem casulos onde homens, mulheres e crianças aguardam o destino. E há gente a vender o que houver e tiver de ser junto ao Porto. "Como há Copa, tem por aí muito gringo que vem ter com 'nóis'. E então fica mais fácil vender"

O adeus de Lobo Antunes às aulas de medicina

O neurocirurgião deu terça-feira a sua "Última Lição" no auditório do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, na véspera de deixar o seu trabalho no serviço nacional de saúde.

Jaguar volta a fabricar desportivo dos anos 60

Até ao verão será fabricado um número limitado de desportivos Jaguar E-Type Lightweight, seguindo todas as especificações originais, incluindo a continuação do número de série das unidades produzidas em 1963.

"Naquela altura estavam continuamente a acontecer primeiras coisas"

Mais do que uma manifestação, o 'primeiro' 1º de Maio é recordado como a grande festa da Revolução dos Cravos, quando o povo saiu às ruas em massa e a união das esquerdas era um sonho possível. "O 1º de Maio seria mais uma primeira coisa, porque naquela altura estavam continuamente a acontecer primeiras coisas." Foi há 40 anos.

Este trabalho não foi visado por qualquer comissão de censura

Aquilo que hoje é uma expressão anacrónica estava em relevo na primeira página do "República", a 25 de Abril de 1974: "Este jornal não foi visado por qualquer comissão de censura". Quarenta anos depois da Revolução, veja os jornais, ouça os sons e compreenda como decorreu o "dia inicial inteiro e limpo", como lhe chamou Sophia. O Expresso falou ainda com cinco gerações de 40 anos e percorreu a "geografia" das Ruas 25 de Abril de todo o país, falando com quem lá mora. Veja a reportagem multimédia.


Comentários 0 Comentar

Últimas


Edição Diária 17.Abr.2014

Leia no seu telemóvel, tablet e computador
PUBLICIDADE

Pub