O arguido detido pela PSP, Miguel Gomes da Silva, mais conhecido pela alcunha de Miguel "Palavrinhas" e que é irmão de uma famosa adepta do Futebol Clube do Porto, Anabela "Palavrinhas" - dos "Super-Dragões" -, saiu há poucos minutos do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, acompanhado pelos seus dois advogados, João Peres e Manuela Neto.
Miguel "Palavrinhas" que andou fugido na Islândia, encontrava-se agora recuado na região do Grande Porto. Detido pela Divisão de Investigação Criminal (DIC) da PSP do Porto, durante uma operação no Porto e Gaia desencadeada quarta-feira, o jovem da zona da Ribeira do Porto passou a noite nos calabouços da PSP.
A juíza responsável do caso, Maria Antónia Rios de Carvalho, decidiu que fique com apresentações semanais na PSP. Helena Fazenda, seguindo a mesma metodologia de outros magistrados do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), mandatou a PSP e não a PJ para realizarem as buscas e as detenções para apanhar Miguel "Palavrinhas".
Helena Fazenda, que foi directora adjunta aquando do consulado de Fernando Negrão à frente da Polícia Judiciária, protagonizou divergências com dois anteriores responsáveis da PJ/Porto, quer o procurador Vítor Guimarães, quer o coordenador Artur Pereira.
Elemento activo do Gangue da Ribeira
Segundo fonte da PJ do Porto, Miguel "Palavrinhas" é considerado como "um dos mais activos elementos" do "Gangue da Ribeira" de Bruno "Pidá", rival do "Gang de Miragaia" e cujo líder, Ilídio Correia, foi assassinado na madrugada de 29 de Novembro de 2007, em frente à Alfândega do Porto.
Suspeito de matar Aurélio Palha, Miguel "Palavrinhas" é um dos quatro suspeitos do assassínio de Aurélio Palha e a reconstituição do crime foi realizada o ano passado pela equipa especial da magistrada Maria Helena Fazenda. A acusação esteve por isso dependente da constituição de Miguel "Palavrinhas" como arguido para o Ministério Público "respeitar todas as regras processuais penais", segundo referiu ao Expresso fonte ligada ao processo.
Aurélio Palha foi assassinado na noite de 27 de Agosto de 2007 por vários homens que se deslocavam em dois automóveis e estava com um dos seus "seguranças" pessoais, Alberto Ferreira ("Berto Maluco"), que depois de já ter escapado a esse atentado viria a ser a última vítima mortal dessa "guerra sem quartel".
Ataque ao carro do marido de Sónia Araújo
Segundo as investigações da PJ do Porto, os autores materiais do assassínio de Aurélio Palha serão pelo menos quatro homens: Bruno Pinto ("Pidá"), Fernando Martins ("Beckham"), Mauro Santos ("Matumbo") e Miguel Gomes Silva ("Palavrinhas"), que seguiriam todos no primeiro dos dois automóveis.
Sócio do marido de Sónia Araújo, Aurélio Palha, a segunda e mais mediática das quatro vítimas da noite do Porto entre grupos rivais de "seguranças", era sócio em alguns dos seus bares e restaurantes de Vítor Martins, marido de Sónia Araújo, apresentadora do programa da RTP "Praça da Alegria".
Em 2 de Fevereiro deste ano, o bólide de Vítor Martins foi alvo de um incêndio, na cidade de Gaia, enquanto o empresário nocturno assistia com amigos ao jogo F. C. Porto - Sporting, no Estádio do Dragão, para onde se deslocara de Metro. O Jaguar cabriolet era conduzido pelo marido de Sónia Araújo. O caso está ainda sob investigações da Directoria do Norte da Polícia Judiciária.