Nos primeiros 18 dias de Outubro, o distrito de Vila Real contou uma média superior a 30 incêndios por dia e uma área ardida maior que a registada desde o início do ano, contabilizou ao Nosso Jornal, Carlos Silva, Comandante Operacional Distrital de Vila Real.
Segundo o mesmo responsável, houve dias em que os bombeiros foram chamados a combater mais entre 50 incêndios, "o que não acontece nem no Verão".
Do total de 1988 incêndios registados no distrito, 600 foram contabilizados no mês de Outubro, o que coloca Vila Real entre os mais fustigados pelas chamas, a nível nacional, com a nova vaga de incêndios.
"É um ano completamente atípico. O que aconteceu é que houve um prolongamento das condições meteorológicas desfavoráveis para os primeiros 15 dias de Outubro, uma situação anormal", explicou comandante distrital, lembrando que, antevendo a situação, a Autoridade Nacional de Protecção Civil alargou a denominada Fase Charlie para o 15 de Outubro, e depois, novamente, até ao final do mês.
Carlos Silva referiu ainda que, segundo informações da Guarda Nacional Republicana (GNR), a vaga de incêndios também se deveu à falta de cuidado das pessoas no que se refere à utilização do fogo em actividades agrícolas. "As pessoas achavam que a partir deste mês já podiam fazer queimadas. Não houve a percepção ainda por parte das pessoas de que a proibição da realização destas actividades se mantém até ao final do mês porque as condições meteorológicas assim o exigem.
No distrito de Vila Real, o problema dos incêndios florestais tem-se centrado mais a Norte, nomeadamente nos concelhos do Alta Tâmega "Montalegre, Valpaços, Chaves, Boticas e Vila Pouca de Aguiar", onde se localiza "mais de 90 por cento das ocorrências e da área ardida".
Incêndios espanhóis invadiram zona protegida
O distrito também assistiu a "uma situação anormal" no Parque Nacional da Peneda Gerês, cujo território (que inclui várias freguesias de Montalegre) foi afectado por incêndios vindos de Espanha e "onde o combate é de extrema dificuldade".
Apesar do dispositivo ter sido reduzido relativamente à fase Charlie, Carlos Silva explica que este foi reforçado no que diz respeito a todos os agentes envolvidos no combate. "O dispositivo está ajustado para as condições normais. Nas condições normais, na fase Delta há uma diminuição do esforço do dispositivo aéreo e terrestre, desde os bombeiros aos sapadores florestais, aos GIPS e à GNR... Face a este problema foi conseguido um reajuste", sublinhou o comandante, referindo mesmo o apoio concedido por outros concelhos, nomeadamente por equipas de bombeiros de Bragança, Porto e Lisboa.
"Temos conseguido solucionar os problemas que têm surgido", garantiu Carlos Silva, deixando a certeza que muito se deve à "motivação" e "empenho" de todos.
De sublinhar ainda que, desde Janeiro foram identificados a provocar o fogo por negligência ou intencionalmente no distrito 47 suspeitos, dos quais oito foram interceptados já este mês. Na maior dos casos, os incêndios resultaram de queimadas para renovação de pastagens.
À hora de fecho desta edição do Nosso Jornal não havia incêndios em curso no distrito.