A Administração do Porto de Lisboa (APL) apresenta hoje em reunião pública da Câmara da capital o projecto de ampliação do terminal de contentores de Alcântara, contestado por um movimento de cidadãos apresentado esta semana.
O projecto de triplicação da capacidade do terminal, decorrente de um decreto-lei que alterou a concessão da exploração da empresa Liscont, será apresentado no período antes da ordem do dia, em que os responsáveis da APL responderão a perguntas dos vereadores.
O presidente da Junta de Freguesia de Alcântara manifestou já a sua discordância da ampliação do terminal e disse ir apoiar o movimento de cidadania que lançou uma petição contra esta decisão governamental.
"Sou totalmente contra a expansão do terminal ção do terminal de contentores em Alcântara, que vai triplicar a actual capacidade para um milhão de TEU's (um TEU equivale a um contentor de 20 pés), e uma intervenção ferroviária que inclui a ligação desnivelada entre este terminal e a Linha de Cintura, para transporte de carga, e a ligação desta à linha de Cascais, em túnel", afirmou José Godinho.
O autarca encara com bons olhos a intervenção ferroviária, mas defende que se deve manter em Alcântara "a coexistência dos paquetes de cruzeiros com os contentores e com a náutica de recreio".
José Godinho frisou ainda também que o porto poderia crescer sem ter de destruir a doca do Espanhol e lamentou que "queiram meter contentores" numa "marina bonittura entre a Cidade de Lisboa e o Rio Tejo, implicando um período de obras de aproximadamente seis anos na zona das Docas.
No início de Outubro, o PSD acusou o Governo de favorecer a Liscont concedendo-lhe a exploração até 2042 do terminal de contentores de Alcântara e triplicando o espaço disponível, sem concurso público e violando o prazo legal das concessões.