O presidente da Câmara Municipal de Lisboa escusou, quarta-feira, antecipar-se à "posição formal" que a autarquia irá assumir sobre a expansão do terminal de contentores de Alcântara, mas adianta que "não está em causa nenhuma muralha de aço".
"Aquilo que foi informado pela Administração do Porto de Lisboa, tal como já tinha sido anteriormente, é que não está em causa nenhuma muralha de aço", disse António Costa aos jornalistas, à margem da reunião pública do executivo municipal, onde o projecto foi apresentado pelo presidente da Administração do Porto de Lisboa (APL), Manuel Frasquilho.
O presidente da autarquia sublinha que a demolição de edifícios da Administração do Porto de Lisboa em Alcântara, bem como o aumento da capacidade de escoamento do terminal de contentores prevista no projecto vão impedir a criação de uma "muralha de aço" entre a cidade e o rio Tejo.
"Vamos poder ter um porto mais eficiente, com uma cidade mais próxima do rio", referiu António Costa, realçando ainda que está prevista a ligação da linha de Cascais à linha de cintura, beneficiando a maioria dos passageiros, já que, afirmou, "70% dos destinos localizam-se nas avenidas novas", ficando assim os "cidadãos melhor servidos do que indo para o Cais do Sodré".
Por sua vez, o presidente da Administração do Porto de Lisboa revelou que o projecto da ampliação do terminal de contentores de Alcântara deverá ser enviado na próxima semana à autarquia, que se pronunciará sobre a obra.
Questionado sobre as consequências da petição que contesta a obra, o responsável escusou-se a comentar a iniciativa: "Não sou político. Não comento os movimentos de cidadãos nem as movimentações dos partidos".
A petição do recém-criado movimento de cidadania 'Lisboa é das pessoas. Mais contentores, não' pede a revogação do decreto-lei que permite a extensão da concessão à empresa Liscont, do grupo Mota-Engil, e a triplicação da capacidade do terminal.
Além da extensão da concessão, sem concurso público, é contestado o impacto visual do terminal, alegando que constituirá uma barreira entre a cidade e o rio Tejo.