24 de maio de 2013 às 3:41
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Antigos mas desenferrujados

São os brinquedos dos homens e podem tornar-senum hobby de milhões. Carros clássicos cheios de glamour vão encher o Autódromo do Algarve
neste fim de semana
Alexandra Simões de Abreu (www.expresso.pt)
Pelo glamour muito especial, os modelos clássicos nunca passam despercebidos. Pelo glamour muito especial, os modelos clássicos nunca passam despercebidos.

Uns chamam-lhes "latas velhas" e não conseguem entender o seu valor, outros nutrem por eles paixão tal que lhes dedicam horas a fio e verdadeiras fortunas. Falamos dos automóveis históricos ou clássicos, sejam eles de velocidade, turismo ou passeio. A verdade é que é rara a pessoa que não fica de olhar preso a um exemplar destes quando o vê deslizar numa estrada ou estacionado à beira de um passeio. Seja pela cor, as linhas, os interiores, o roncar do motor ou a sua história, os clássicos são lendas vivas que aprendemos a admirar talvez porque nos transportam para um glamour de outros tempos e porque nos trazem à memória recordações de infância.

Por isso não é fácil classificar um automóvel destes, embora existam algumas diretrizes. Segundo a definição apresentada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e aceite pela Comissão Europeia, os históricos são veículos de estrada acionados mecanicamente que têm pelo menos 30 anos de idade, sendo conservados e mantidos em condições corretas de um ponto de vista histórico, não sendo utilizados como meio de transporte do dia a dia e que fazem, por essa razão, parte da herança técnica. Por clássico entende-se algo que não passa de moda, devido às suas características intrínsecas de qualidade (técnica, estética), pela sua importância histórica, raridade (ou exclusividade) e, mesmo, pela sua relevância afetiva (carisma). Aqui, a idade conta pouco.

F1 em Portimão


Se é apreciador deste tipo de automóveis vai poder ver algumas raridades, ao vivo, no Algarve Historic Festival. Organizado pelo ex-piloto Francisco Santos, o evento decorre este fim-de-semana no Autódromo Internacional, em Portimão, e conta com pelo menos 320 carros históricos e mais de 400 pilotos, que vão correr em 12 categorias, sendo considerado o maior do género na Península Ibérica.

Esta segunda edição tem ainda o atrativo de contar com o Campeonato FIA Historic Formula One (com carros dos anos 70 e 80) liderado por Bobby Verdon-Roe com o seu McLaren MP4-1C. A competição que já foi ganha, em 2004, pelo piloto português Rodrigo Gallego, pode voltar a ter uma vitória "caseira", uma vez que Verdon-Roe reside em Palmela (Setúbal).

Mais do que pela competição, este tipo de evento destaca-se pelo caráter familiar e descontraído que alcançou. Os ingleses são presença habitual, já que, quando se trata de clássicos parecem estar sempre em maioria. Longe do ambiente elitista, fechado e às vezes até agressivo das competições atuais de velocidade, no Algarve Historic Festival a par do plano desportivo, decorrerá um programa de entretenimento, com os chamados pit-walks (passeios junto às boxes das equipas) que permitem ver de perto as "máquinas" e o trabalho dos mecânicos.

E será possível conviver com várias lendas da modalidade, como Jackie Oliver, Alfieri Maserati, Richard Attwood, Tony Southgate ou a primeira mulher piloto de F1 Maria Teresa de Filippis. Há sessões de autógrafos e para quem tiver bilhetes de paddock a festa começa logo na sexta-feira com um cocktail e churrasco de boas-vindas, seguido de música ao vivo com os Bluff e Evidence a mostrarem o seu reportório das décadas de 60, 70 e 80.

Publicado na Revista Única

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