Angolanos garantem entrada direta na Galp
O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, durante a sua visita a Angola, abordou com o ministro angolano da Coordenação Económica, Manuel Vicente, o enquadramento do capital angolano na Galp. Vitor Gaspar também esteve reunido com o presidente da Sonangol, Francisco de Lemos José Maria. Há mais de um ano que a Sonangol tem vindo a manifestar interesse em ter uma participação direta no capital da Galp, deixando de estar exclusivamente vinculada a uma participação através da holding Amorim Energia, controlada por Américo Amorim.
O Expresso sabe que a Caixa Geral de Depósitos (CGD), que ainda detém 1% do capital da Galp, não se deverá opor à futura entrada da Sonangol no capital da Galp.
A CGD é signatária do acordo parassocial que vigora entre acionistas da Galp - juntamente com a Amorim Energia e com os italianos da ENI - tem a prerrogativa de nomear o chairman da Galp e poderia opor-se formalmente à concretização da entrada direta da Sonangol no capital da Galp.
Vitor Gaspar admitiu em Luanda que a Galp é um dossiê que tem ocupado o acionista público durante os últimos tempos (a CGD detém 1% da Galp mas de certa forma representa os interesses do Governo, designadamente da secretaria de Estado do Tesouro na Galp).
No entanto o ministro das Finanças também explicou na capital angolana que o dossiê Galp deve ser resolvido entre os acionistas da empresa. O que está em causa é encontrar a solução mais adequada à venda da participação detida pela ENI (que quer vender 33,34% da Galp), que deverá trocar os interesses que tem na Galp por uma posição de referência na área de produção em Angola (está interessada sobretudo no setor do gás natural).
Vitor Gaspar salientou a importância da evolução do dossiê Galp para a consolidação do entendimento entre capitais angolanos e portugueses, na perspetiva dos projetos de investimento em curso nos dois países, Portugal e Angola. De resto, Vitor Gaspar admitiu que haverá "desenvolvimentos positivos a prazo" no dossiê Galp.
Um dos cenários possíveis para negociar a compra da participação da ENI, implicaria que a holding Amorim Energia comprasse parte do bloco de ações da ENI (eventualmente 16% dos 33,34% da ENI). Numa fase posterior, a Amorim Energia poderia revender menos de 10% à Sonangol (eventualmente 8%). Mas este cenário ainda dependerá do valor de transação (que inclui o prémio pretendido pela ENI) e a participação de entidades terceiras que comprem temporariamente a restante participação da ENI (eventualmente fundos de investimento ou sociedades de capital de risco).
Além disso, o empresário Américo Amorim terá de aceitar todos os termos de negociação. Até à data, o Expresso não teve qualquer comentário de Américo Amorim.
Relativamente a este assunto, a Galp esclarece que "os comentários que têm sido publicados sobre eventuais rearranjos de posições acionistas são uma matéria que, pela sua natureza, apenas os próprios acionistas poderão comentar. A Galp Energia nada tem - nem pode ter - a dizer sobre o assunto."


