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Anatomia de um assalto (IV): as responsabilidades da oposição

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Nunca foi tão evidente o divórcio entre um governo e o País. Nunca foi tão clara a indignação das pessoas. E a conversa do "inevitável" já não paga dívidas. Depois da quebra do produto em 3,3% no ano de vigência do memorando, de 416 novos desempregados por dia e de uma brutal quebra nos rendimentos do trabalho, o governo falhou no défice - em vez de 4,5%, 6,9% - e na dívida pública - entre o primeiro trimestre de 2010 e o mesmo trimestre de 2011 aumentou 20.7 mil milhões de euro; da assinatura do memorando até hoje aumentou 26.6 mil milhões de euros.

Sim, quando a troika chegou estávamos numa aflição. O PIB caia 0,7%. A dívida pública correspondia a 97% do PIB. O PIB agora cai 1,6%. E a dívida pública está nos 116% do PIB. Só o empréstimo e os juros agiotas que impedem que se possa chamar a isto uma ajuda levarão mais de 70% do que produzimos este ano. Não havia dinheiro, agora há ainda menos. Estávamos pobres, agora estamos miseráveis. Estávamos endividados, agora estamos mais.

Com as medidas anunciadas por Vítor Gaspar e Passos Coelho, assistimos à maior transferência de rendimentos do trabalho para o capital de que há memória na história portuguesa. Escrevi ontem que o governo tem uma estratégia. E que essa estratégia passa pelo empobrecimento do País (o próprio primeiro-ministro o afirmou), na esperança de, com uma violenta redução dos custos do trabalho, garantir um crescimento típico de uma economia terceiro-mundista: não acrescenta valor e não distribui riqueza. Mesmo que resultasse, e não resultará, esse crescimento passaria ao lado da esmagadora maioria dos portugueses. Tão ao lado como a crise passa de uma pequena minoria.

Perante o mais radical dos governos eleitos que este país já conheceu, perante uma subversão democrática que passa pela aplicação de medidas que são em tudo contrárias ao que foi prometido em campanha eleitoral, perante o pornográfico assalto aos rendimentos dos que vivem apenas do seu trabalho, perante a falência de todos os objectivos definidos por quem nos pediu sacrifícios e, muito mais importante, perante uma política de terra queimada que deixará uma marca de destruição durante décadas, vivemos um momento de emergência nacional.

Não basta os partidos da oposição concordarem com este diagnóstico. Têm de ser consequentes. Não é apenas ao governo que se têm de exigir responsabilidades. É a todos. Quem contesta este caminho tem de apresentar alternativas - há quem esteja a dedicar as suas energias a essa tarefa difícil, mas deixarei isso para amanhã - e saber como as pretende aplicar.

É apenas isto que falta para correr com esta gente: uma alternativa credível. Olha-se para os partidos da oposição e fica-se com a sensação de que, no meio da tragédia, continuam a sua vida como antes. A direção do PS parece estar convencida que pode, como de costume, ficar, com um ar muito responsável, à espera que o poder lhe caia nas mãos de podre. Perante a selvajaria apresentada no último fim-de-semana, Seguro exalta-se e... pede uma audiência com o Presidente da República. Nem é capaz de dizer o óbvio: que este orçamento terá de contar com o seu voto negativo. Parece haver, da parte do secretário-geral do PS, uma enorme dificuldade em perceber a diferença entre "responsabilidade" e "passividade". Só que a estratégia habitual, a do paciente candidato a primeiro-ministro que espera que o seu antecessor se estatele sem nada fazer, já não resulta. Para governar um País é preciso que ainda haja um país governável.

O PCP mantém-se na sua fortaleza, seguro da sua razão e sem contactos que o possam contaminar com a impureza alheia. O Bloco de Esquerda faz experiências, divide o seu pequeno poder por pequenos poderes internos, desbarata a sua credibilidade, que já foi tão abalada nos dois últimos anos, e sonha com transposições automáticas de uma realidade (a grega) que tão pouco tem a ver, na sua história e cultura política, com a nossa.

Sou, por natureza, optimista. Se não o fosse, há muito tinha deixado de me ocupar do debate político. Tinha ficado na plateia a comentar, sem correr o risco de me comprometer com causas, ideias, partidos. E a minha esperança reside no sobressalto cívico que esta crise começa provocar. E que esse sobressalto se transforme numa exigência. Não ao governo, que há muito se percebeu ser incapaz de ouvir o País. Mas a quem se apresente como alternativa.

Não há que temer as acusações sectárias do costume. Não há que temer as mútuas recriminações e lições de história, em que as responsabilidades do passado, que são tantas, servem apenas para nada mudar. Os tempos não estão para esses medos. Vivemos, vivemos mesmo, uma emergência nacional. Não há tempo para rodriguinhos e conversas a pensar nas susceptibilidades de cada capelinha. É como cidadão que quero correr com esta gente do governo. É como cidadão que preciso que uma alternativa possível se construa. Não dá para esperar mais umas décadas.

Que não se iludam os partidos da oposição. Se julgam que vão apanhar os cacos do desespero das pessoas, enganam-se. Se julgam que a contestação e o desespero acabará ordeiramente numa alternância ou num protesto que teme a vitória, não perceberam nada do que se está a passar neste País. As pessoas estão indignadas. Mas a sua indignação não atinge apenas o governo. Atinge todos os partidos e todos os "políticos". Pode ser injusto, mas em momentos como este paga quem falha por ação e por omissão. Ou os partidos da oposição conseguem dar uma resposta a isto, fazem um esforço para perceberem onde se entendem - com a humildade de reconhecer os seus erros e a coragem de serem claros em relação ao carácter antidemocrático deste memorando e à forma de o ultrapassar -, ou as pessoas não acreditam neles. E desistem. Emigram. Abstêm-se. Amedrontam-se. Para correr com esta gente é preciso perceber que há outra gente. Num país tomado pela desilusão, não é fácil. Mas esta dificuldade é a única coisa que nos sobra.

Porque um País não se faz apenas de partidos e de políticos, amanhã trato do resto. De nós todos. Porque um cidadão não é um cliente. Nem tem sempre razão, nem tem de comer e calar.

Este é o quarto de cinco textos sobre o tema. Amanhã: as responsabilidades dos cidadãos.


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Responsabilidades

Sinceramente continuo a não concordar com a sua teoria da estratégia.
Pura e simplesmente este governo não tem qualquer tipo de estratégia, a não ser para concretizar as negociatas da ordem a que já estamos habituados.

Quanto à responsabilidade permita-me que me limite a fazer copy-paste de mim próprio e que recoloque um comentário que fiz a propósito de uma frase de Mário Soares:

"Concordo a 100% com Soares: será um desastre se este governo cumprir a legislatura.
  E vou até mais longe: será um desastre se este governo não cumprir a legislatura.
 
Assisti a um pequeno resumo da sessão da comissão parlamentar de hoje. É simplesmente angustiante:
 
Um ministro das finanças completamente perdido, já sem se perceber sequer do que está a falar, baralhando dados e apresentando números inverosíveis.
 
Deputados da maioria que perante o desnorte total nada mais podem fazer senão arrazoados, com punhadas na mesa e em décibeis mais próprios de uma discussão de bêbados numa taberna e culpar o governo anterior.
 
O João Galamba vociferando chavões tipo "ir além da troika", o que nunca percebi o que é e já estou enjoado de ouvir, ao lado do Zorrinho e com o Ferro Rodrigues nas costas.
 
A esquerda com a conversa do costume, o neo-liberalismo e quejandos, o que é tanto mais irónico quando o Gaspar até quer que as empresas guardem o remanescente da descida da TSU num porquinho-mealheiro.
 
Socorro!!! "
...
Re: Responsabilidades
Re: Análise muito lúcida!
Re: Análise muito lúcida!
Re: Responsabilidades
Re: Responsabilidades
Governo e demissão
O Governo está tocado. Nada voltará a ser como antes da sexta-feira do desastre, seguida da segunda-feira da tragédia.

O Governo abriu-se, mostrou as entranhas, e não foi nada agradável de ver. Impreparação, frieza, desprezo e , da parte de Gaspar, a exibição de incompetência flagrante, com as contas em cima do joelho, com meias medidas confusas com uso e abuso de jargão incompreensível.

A técnica de deixar implícito de que se trata de exigências específicas da troika, também caiu pela base (ainda hoje desmentem a autoria da operação de trasfega dos 2500 milhões ) pelo que , pode considerar-se este um fim de semana negro para o governo.

Se os danos chegam para o fazer cair, aí já terei mais dúvidas. Com a reverência ao estrangeiro e o receio de dar má imagem, muito pessoal político evitará a ruptura. O PR tudo fará para segurar os cacos, Portas está no dilema de abandonar o quente do poder, tão difícil de conquistar e , mesmo Seguro não estará ainda pronto para a tarefa.Não deve ter equipa, nem projecto, e podia ser pior a emenda que o soneto.

Como situação intermédia, gostaria de ver o PR a denunciar essa barbaridade com a TSU e alguns sinais nos dizem que não concorda. MF Leite costuma ser uma espécie de porta-voz e já veio a terreiro.
A alternativa
Muito bem dito DO. De facto não basta apenas bater no governo, que já todos percebemos que é formado na hipótese mais eufemistica, por um bando de idiotas incompetentes. É necessário perceber que há alternativa. Senão acontece o que aconteceu com a eleição deste governo, que só aconteceu porque estavam todos fartos do anterior e não porque verdadeiramente acreditassem no que eles propunham.
Só que as alternativas parece-me que só podem vir da sociedade civil e não dos partidos. Nenhum deles neste momento tem credibilidade para o que quer que seja. O PS tem um líder que é de uma falta de carisma confrangedora (é o típico fulano que não **** nem sai de cima). O PCP continua na cassete do costume, orgulhosamente só e dali não sai. Quanto ao BE, que durante muito tempo me pareceu que podia constituir um caminho alternativo possível, perdeu-se completamente dentro de si próprio e já ninguém percebe o que é que defende. Já agora só uma palavrinha para o CDS: essa tentativa de passar pelos pingos da chuva vai-lhe sair caro. Ou está no governo ou não está! Se concorda com as medidas dá a cara por elas, se não concorda sai do governo. Mas parece que para este partido vale tudo para estar no poleiro.
Daniel Oliveira:Deve tomar comprimidos de fósforo!
Caro Daniel Oliveira,

Começar uma crónica com:

« Nunca foi tão evidente o divórcio entre um governo e o País. », é fazer de nós muito esquecidos.

Além de fazer de nós esquecidos é não fazer um pequeno esforço para ver as últimas sondagens.

Começar um artigo da forma como o começou, é retirar credibilidade ao que vêm a seguir, e não me apetece ler textos pouco credíveis.

Cpts.

Sócrates assaltou o poder!
Essa é que é a verdade dos factos: subiu de técnico da Covilhã ao PS,a secretário geral, secretário de estado, ministro e depois 1º ministro,durante 6 anos de PS no poder.O resto da história e as penosas consequências do desastre desse "assalto" sabem-no bem agora os Portugueses!
Mas havemos de sair desta!Haja Fé até Almeida!
Re: Sócrates assaltou o poder!
Re: Sócrates assaltou o poder!
Re: Sócrates assaltou o poder!
Re: Sócrates assaltou o poder!
Re: Sócrates assaltou o poder!
Re: Sócrates assaltou o poder!
Re: Sócrates assaltou o poder!
Re: Sócrates assaltou o poder!
Re: Sócrates assaltou o poder!
'as responsabilidades da oposição
Leio que há comentadores que ficaram enjoados ao ler as primeiras frases e não continuarem a ler. Ainda bem, este texto não é para eles. Pelos seus alvos, dá para perceber onde se situam as suas simpatias, e de que lhes serve ler um texto que é essencialmente uma (auto)crítica da esquerda?

Textos como o do Daniel não existem para serem tiros nos pés. Serve antes para alertar para algo que só tem mesmo importância para a Esquerda: que esta não pode esperar sentada sem fazer os trabalhos de casa.

É legítimo esperar que o governo caia de podre nas mãos dela... se não fosse, então viveríamos sob a ação de um governo ilegítimo porque esse foi o curso de ação do PSD... por duas vezes. Nem sequer se pode argumentar que não há alternativas, há sempre alternativas para o super-mau. A um PS, por exemplo, bastaria apenas respeitar o acordo da Troica que ele próprio concebeu e assinou, com um rosto mais humano e mais energia para defender Portugal diante da Troica em vez do inverso.

Mas os exemplos que dei, também mostram os perigos de tal estratégia. Os governos de Barroso/Santana terminaram prematuramente e nada me desdiz que isso não vai acontecer com este. O atual também está a deixar o país pior do que estava,... continuar onde se estava não vai bastar. E depois há a construção de consensos para enfrentar isso.

Por vezes esquecemos-nos que a queda do Cavaquismo foi precedida por uma refundação do ambiente social, liderada pela esquerda. É o que me parece que DO pede!
Única saída
A única saída seria os partidos da Oposição (i.e., a Esquerda) unirem-se, e reclamarem a REESTRUTURAÇÃO DA DÍVIDA E A SAÍDA DA UE E DO EURO.

A crise política está a adensar-se, não se vislumbram quaisquer soluções pelo caminho que levamos, e pelo contrário HÁ A CERTEZA de que tudo vai piorar:

Não há, portanto, alternativa a não ser mudar de caminho!!!

Mas não é pela via da contestação e do reivindicalismo, mas sim das POLÍTICAS, que alguma solução pode ser encontrada.

E não vejo outra possibilidade a não ser através da acção do ESTADO, mas tem de ser um Estado que trabalhe para os cidadãos e não para as empresas!!!

Outros países em situações igualmente graves utilizaram um leque de soluções: para não falar em Cuba, com um regime extremista, temos a Argentina, o Brasil, a Suécia, e mais recentemente a Islândia.

Carente de receitas, só o Estado pode forçar a "inciativa privada" a investir no que é do INTERESSE NACIONAL, em vez de dispersar e desbaratar os POUCOS recursos ainda disponíveis em actividades ESPECULATIVAS!!!!

É necessário um PLANO DE SALVAÇÃO NACIONAL, uma REORIENTAÇÃO DA ECONOMIA, e uma MUDANÇA RADICAL DE MENTALIDADES!!!

anatomia-de-um-assalto-iv-as-responsabilidades-da-
Diz o povo que a verdade é como o azeite:-Pode demorar mas acaba por vir sempre ao de cima. No presente demorou pouco mais de um ano para a maioria, porque eu pertenço aquele grupo que o afirmei desde muito cedo. Poucos são os que estão isentos de culpas e a oposição ao chumbar em bloco o PEC IV não pode vir agora sacudir a água do capote. A estratégia da direita entendo a da esquerda não. Fazer cortinas de fumo com Freeport e PPP que significam 0,3% do PIB pode colar durante algum tempo, mas não leva a engano o tempo todo. Este governo além de neoliberal ainda padece do mal de favorecer os amigos com um descaramento nunca dantes visto. Com uma Justiça incapaz de punir, a não ser os pobres, já se ouvem apelos a outro métodos menos ortodoxos e condenáveis.

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/09/helena-roseta-este-governo-rouba-os.html#uds-se arch-results

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Cumplicidades
No limite somos todos cúmplices, porque permitimos que gente desta se apoderasse do poder. Os partidos da oposição, e não sei a quais se refere, pois é diferente a responsabilidade do PS e a dos restantes partidos com assento parlamentar e que nunca governaram.
Excelente exortação
Os meus cumprimentos pelo texto; reflecte o sentimento da maioria dos portugueses.

Faço só um reparo nesta frase: "Sim, quando a troika chegou estávamos numa aflição". Não devemos menosprezar o problema que tínhamos; o Estado sem a assistêntica financeira não teria liquidez nem para pagar salários. Também não seria uma situação fácil.

Claro, que a teoria do "caminho único" é uma negação da inteligência. Há sempre opções. Só que nenhuma é fácil e temos de escolher a que dói menos.
Da tomada por este Governo, além de dolorosa parece-me ser contraproducente.
Esse é que é o grande problema
Não obstante o facto de uma vasta maioria dos portugueses já se ter apercebido que assim não vamos lá, o assustador é olhar para as alternativas. Vamos correr este governo do poleiro. Muito bem... e quem fica no poleiro? O PS parece-me mais à deriva do que nunca, ainda envolvido em guerras internas socráticas, não se afigurando como uma alternativa credível. Temo que com o PS no poder, das duas uma, correríamos o risco de ver o país na bancarrota em muito pouco tempo, ou então teríamos mais do mesmo. Até porque, como alguém já escreveu (DO?), ninguém pense que a Trioka não está a adivinhar o que se vai passar no espectro político português e provavelmente já terá avisado o AJS para ter juizinho senão fecham a torneira. O partido comunista, honras lhe sejam feitas, mantem o seu discurso consistente mas, na minha opinião, inconsequente. O Bloco continua com a demagogia do costume, própria de que não tem pretensões a vir a governar e agora também com guerras internas. Isto é verdadeiramente preocupante. Provavelmente só um governo de figuras de renome e consensuais na sociedade terá hipótese de ser bem sucedido. Figuras que a bem da nação se cheguem à frente e com espirito patriótico e de missão se entreguem de corpo e alma ao país e às pessoas. Essas figuras vão escasseando e é também preocupante não ser visível, depois das ultimas tragedias, que tais figuras se juntem para emitirem uma opinião conjunta e se comecem a posicionar de modo formar uma alternativa credível.
Tiro no toutiço ou um trago de 605 forte?
Não sei o que é que será mais trágico, se é este governo durar até ao fim da lesgislatura ou se é ele não durar até ao fim da lesgislatura.
Também me preocupa sobremaneira o conceito de intervenção cívica deste povo estúpido, que se resume essencialmente a ir para a rua berrar chavões mais do que estafados.
Nem me surpreende o estado a que chegámos nem tenho esperança que isto algum dia melhore, antes pelo contrário.
O povo é estúpido e mesquinho. Se no próximo Sábado o Relvas aparecesse ante a manifestação a acenar com um emprego de ganhar bem e sair cedo, aquela gente matar-se-ia entre si para o conseguir. Sempre foi assim desde que me conheço e não creio que as coisas tenham mudado na última semana.
A maioria das pessoas tem a sorte que merece, alguns nem mereciam tanto.
Quanto a mim, só me resta decidir entre saltar para diante de um comboio ou dar um tiro no toutiço.
assumo as minhas...
Sinceramente penso que o problema maior deste país está bem expresso na parte final deste texto mas infelizmente todos nós somos também um pouco responsáveis por ele. A nossa responsabilidade advém do facto de não termos a tempo exercido os nossos direitos (ou deveres) de exigirmos responsabilização e respectiva penalização àqueles que nos últimos 20 anos tem sido "timoneiros" deste país.
Parece-me que o problema da desonestidade e deslealdade dos nossos políticos não começou com a "crise", e no entanto só agora que tudo esta a apertar de forma quase esmagadora é que parece aparecer um laivo de revolta e exigência que, sejamos sinceros tinha sido muito mais útil se tivesse chegado mais cedo.
Esperemos que ainda haja tempo, por todo nós, eu acredito
enquanto não leio a crónica de amanhã..
Bravo!
Sublinho a lucidez, que gostaria ler mais vezes em DO, deste parágrafo com o qual concordo a 100% (aliás, é o que venho a escrever e a desafiar que DO fizesse desde sempre que aqui escrevo:

"Não basta os partidos da oposição concordarem com este diagnóstico. Têm de ser consequentes. Não é apenas ao governo que se têm de exigir responsabilidades. É a todos. Quem contesta este caminho tem de apresentar alternativas - há quem esteja a dedicar as suas energias a essa tarefa difícil, mas deixarei isso para amanhã - e saber como as pretende aplicar."

Vem tarde, temo que tarde demais e mesmo assim penso que não vai dar em nada (também sou por natureza optimista... veja bem onde cheguei depois de tanto ver...)

O partido glutão, petrificado em 1989, não tem quadros nem credibilidade, o BE é o que é enquanto consegue ser alguma coisa, o PS anda com a sombra de Sócrates, Soares e Alegre às costas, sem um sobressalto, um arrepio ou algo que nos faça vislumbrar uma réstia de dignidade ou credibilidade, é um prato antigo e frio, indigesto e fora de validade que é agora requentado...

Que alternativa credível pode sair desta caldeirada? E assim, tipo fast-food, em semanas o que não foi feito em dez anos?... Duvido e já nem falo de estar céptico sobre o acerto das medidas que iriam propôr.

Para rematar: alguns do PSD discordam genuinamente deste caminho, mas penso que outros (ratos?) pensam mais na frase de Passos... "Que se lixem as eleições!"... e estão assustados...
A pe(n)talogia já acaba amanhã.
"Quem contesta este caminho tem de apresentar alternativas - há quem esteja a dedicar as suas energias a essa tarefa difícil, mas deixarei isso para amanhã."

Pois. Bem me parecia que era dificil. Fica para amanhã. Parece uma música dos Deolinda! Fácil é aumentar os impostos que é o que temos visto.

Já escrevi não sei quantas vezes nesta caixa de comentários que nada disto é inevitável. Que alternativas há muitas. Que Portugal pode mandar a Troika embora amanhã! Mas lá está! É difícil!

Quanto ao sobressalto cívico esperei por ele em Setembro de 2009. Nessa altura os portugueses quiseram mais do mesmo. Tudo o que não fosse gastarmos 110% daquilo que produzimos era salazarismo, fascismo neoliberal, derrotismo anti-patriótico, maledicência da oposição, travestismo jornalistico.

Parafraseando DO, a propósito da diatribe RTP, diria que se os portugueses quiseram em 2009 mais do mesmo, só têm aquilo que merecem!

Eu por mim acho que os Portugueses merecem melhor que isto. Não sei é se os Portugueses querem! Porque, lá está, é DIFICIL!

PS.: Os dois primeiros parágrafos são pura demagogia ou DO defende que deveriamos ter tido este ano défice zero para não nos endividarmos mais? É dificil!
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Edição Diária 17.Abr.2014

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