Quando o cubano Guillermo Fariñas ganhou há algumas semanas o Prémio Sakharov, Aminatu Haidar também estava na lista de nomeados. Vem de longe o seu empenho na luta pelos direitos humanos e pela liberdade do povo do Sahara Ocidental. Em 1987, na sequência de uma manifestação para exigir a Marrocos a celebração de um referendo sobre a autodeterminação do território, foi presa e esteve quatro anos desaparecida em prisões marroquinas, sujeita a torturas. Em 2005 foi novamente detida, desta feita por sete meses, ao mesmo tempo que o Parlamento Europeu exigia a sua libertação e de outros presos de consciência sarauís. Em Novembro do ano passado protagonizou a famosa greve de fome que se concluiu com a possibilidade, inicialmente vedada, de poder regressar à sua terra.
Uma pequena vitória, essa, à qual se somará uma outra hoje mesmo, às 12 horas, com o reconhecimento por parte da Universidade de Coimbra do trabalho de Aminatu em prol dos direitos humanos. Um gesto mínimo, na verdade, mas só a multiplicação de pequenos gestos destes pode levar a opinião pública a tomar consciência da dramática situação que se vive no território da Sahara Ocidental, anexado por Marrocos em 1975. Ontem mesmo, Marrocos invadiu um acampamento sarauí
, onde milhares de pessoas protestavam contra a degradação das suas condições de vida, e provocou um número de mortos ainda por determinar. Neste blogue onde se relata o evoluir dos acontecimentos
fala-se também de muitos detidos levados para parte incerta.
O Sahara Ocidental - com uma zona pesqueira apetecível, o que não ajuda a resolver o impasse - permanece assim como o último território africano por descolonizar. Em 1991, Marrocos e a Frente Polisário acordaram a realização de um referendo sobre a autodeterminação do território, que continua por realizar. Metade da população vive instalada em campos de refugiados, em condições de tal forma precárias que alguns organismos internacionais falam em "tragédia humanitária". A maneira como o Parlamento português aprovou resolutamente um voto de solidariedade com Aminatu no ano passado legitima o apelo da própria para que Portugal faça esforços diplomáticos no âmbito da ONU para terminar com uma ocupação que dura há trinta e cinco anos. Menos do que isso é ignorar a força serena de Aminatu.