24 de abril de 2014 às 4:13
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Testemunho: a dura realidade do Alzheimer

O Alzheimer afeta não só os doentes, mas também os familiares que os rodeiam. Uma realidade dura que nem os mais fortes aguentam. No dia Dia Mundial do Doente de Alzheimer, veja o vídeo com um testemunho na primeira pessoa e leia o texto onde damos conta de dois estudos que avançam diferentes conclusões em relação ao efeito da ingestão de suplementos de ginkgo biloba.
Mafalda Ganhão (texto) e André Oliveira (vídeo) (www.expresso.pt)

Um ensaio clínico conduzido por investigadores alemães e russos concluiu que o ginkgo biloba - um extrato de planta muito utilizado para melhorar a circulação sanguínea - tem um efeito positivo em dois tipos de demência: demência vascular, devido a insuficiente transporte de sangue ao cérebro, e doença de Alzheimer, de origem neurodegenerativa. Em ambos os casos, o Ginkgo Biloba melhorou a função cognitiva, os sintomas neuropsiquiátricos e as funções motoras.

O estudo, aleatório, envolveu 404 doentes com idade igual ou superior a 50 anos, a quem foi dado durante 24 semanas um suplemento de ginkgo biloba ou um comprimido placebo. Recorrendo depois a exames para avaliação das funções cognitivas e motoras dos pacientes, os investigadores registaram melhores prestações em testes de memória e agilidade mental nos que tomaram ginkgo biloba.

De acordo com o estudo, os resultados explicam-se pelo efeito vasodilatador deste extrato, o que "facilita o fluxo de sangue pelos vasos sanguíneos" e pela sua capacidade em fluidificar o sangue, o que em conjunto permite melhorar a circulação nas áreas afetadas pela doença.

Números
 
90.000
Doente de Alzheimer em Portugal, uma doença degenerativa que se estima afetar atualmente 36 milhões de pessoas em todo o mundo.

Ginkgo biloba não reduz risco de contrair a doença


Já em termos de prevenção, outro estudo, publicado este mês na revista "The Lancet Neurology", concluiu que o extrato de ginkgo biloba não reduz de forma significativa o risco de as pessoas idosas desenvolverem a demência.

Para esta pesquisa foram selecionadas 2.854 pessoas com mais de 70 anos de idade, tendo em comum o facto de já se terem queixado de problemas de memória. Parte desses idosos ingeriu, ao longo de cinco anos, uma dose de 120 miligramas de ginkgo biloba duas vezes ao dia.

Após esse período, 4 por cento dos participantes a quem tinham sido dadas as doses de ginkgo biloba foram diagnosticados com a doença de Alzheimer, enquanto essa incidência entre o grupo do placebo foi de 5 por cento - uma diferença considerada pelos investigadores como "estatisticamente insignificante".

Ainda assim, o coordenador desta pesquisa, Bruno Vellas, da Universidade de Tolouse (França), ressalva que é ainda preciso "determinar os efeitos do ginkgo biloba a longo prazo".

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Em memória dos meus queridos avós
Todos os anos, em Março e em Dezembro, relembro a perda dos meus queridos avós maternos, vítimas desta maldita doença. Ele, nem 75 anos tinha, terminou os dias acamado depois de errar entre a passividade e as agressões à família, fruto da doença. Um AVC dos grandes em 2002 matou-o, acabou o trabalho sujo q a Alzheimer começara. Ela, em 2010, oito anos depois e a uma semana do Natal, depois de muita angústia, comportamentos estranhos e erráticos, sobressaltos de noite e de dia, uma trombose violenta no cérebro q a atirou também p uma cama, sustos e idas ao hospital devido a infecções, escaras que nunca tivera cá em casa mas q foram adquiridas em meio hospitalar, infecções e problemas vários, foi-se embora de vez poucos dias antes do Natal desse ano. Na véspera, visitei-a e algo me dizia que ia ser a última vez q a veria.
Os criminosos da classe política deviam sofrer na pele o que eu e tantos familiares destes doentes sofremos: a dor de ver alguém a cair em câmara lenta por um precipício abaixo em direcção à morte, sem poder fazer nada; os gastos monetários que deixam qualquer família de rastos, senão depauperada, como foi o nosso caso, e as Finanças têm ainda a lata de não ajudar (benefícios fiscais, p. ex.); os médicos q nem sempre se querem dar ao trabalho de melhorar as coisas; as lacunas escandalosas do SNS q forçam as famílias a recorrer ao privado; as dificuldades por que passam quem escolhe cuidar dos doentes em casa, pq mandá-los p um lar é acelerar-lhes a morte.
Apesar de tudo...
... quero deixar o meu sincero agradecimento a todos os q ajudaram os meus avós, directa ou indirectamente; quero curvar-me perante todos os familiares de doentes de Alzheimer, que cuidam dos seus, trilham um caminho doloroso e demonstram assim a grandeza do amor sincero perante uma sociedade estúpida, corrupta e insensível; quero testemunhar a minha admiração aos cientistas lusos que todos os dias lutam por descobrir novos tratamentos, novas terapias e até novas formas de prevenção da doença. E quero deixar um apelo à memória. Basta de politiquices e de status quo, a Alzheimer pode atingir qualquer um, até pessoas novas. É uma guerra que todos temos de travar e que só nós, Humanidade, podemos ganhar.
Um beijo, avó Conceição. Um beijo, avô Ângelo.
Re: Apesar de tudo... Ver comentário
Re: Testemunho: a dura realidade do Alzheimer
Se retirarmos uma peça num mecanismo complexo com partes rotativas, a princípio parece que tudo funciona bem.
Mas, com o tempo a falta da peça produz um desgaste precoçe e faz com que todo o sistema colapse.

É o que se passa com o organismo humano. Falta uma peça fundamental, mas á primeira vista parece que não faz lá falta nenhuma.
Passados 60, 70 anos é que a gente se apercebe a falta que ela faz...
Re: Testemunho: a dura realidade do Alzheimer Ver comentário
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