"Nós temos de garantir a disponibilidade de vacinas para os grupos prioritários, mas temos de ser suficientemente inteligentes para vacinar pessoas de outros grupos, de acordo com a prioridade", afirma ao Expresso Rui Lourenço, presidente da Administração Regional de Saúde do Algarve.
O Algarve recebeu quarta-feira mais três mil doses de vacinas contra a gripe A, já antes tinha recebido outras tantas, e começou esta semana a efectuar a vacinação nas crianças institucionalizadas e em Centros de Acolhimento Temporário.
"Começámos terça-feira, à média de 20 ou 30 crianças por dia", conta ao Expresso Luís Villas-Boas, director do Refúgio Aboim Ascenção. "Fomos nós que pedimos para as crianças serem vacinadas, houve uma resposta pronta da ARS e teremos sido os primeiros no país a fazê-lo", diz.
Confrontado com a resistência de alguns grupos face ao pouco que se conhece ainda da vacina, Luís Villas-Boas não tem dúvidas: "Entendi seguir as recomendações da Direcção Geral de Saúde, na qual tenho toda a confiança. Decidi assumir a responsabilidade, como faço quando há, por exemplo, necessidade de uma operação, uma vez que os pais não podem responder por estas crianças", acrescenta.
Vacinar ou não, eis a questão
"Até aqui as pessoas têm levado algum tempo a decidir-se e só o fazem em função de casos pontuais que lhes sejam próximos. O facto de existir resistência à vacinação por parte de um grupo que é tomado como um exemplo na sociedade não nos pode fazer desperdiçar a oportunidade de vacinar as pessoas e evitar a pandemia", argumenta Rui Lourenço.
Só no Refúgio Aboim Ascensão, há perto de 80 crianças e cerca de 90 funcionários. Até agora, diz Villas-Boas, todos têm optado por vacinar-se. Para além do Refúgio, outras instituições, como a Casa dos Rapazes em Faro, também já iniciaram a vacinação das crianças contra a gripe A.
Recorde-se que, segundo a ministra da Saúde, só na próxima semana poderá dar-se início à vacinação generalizada das crianças com menos de 5 anos, desde que haja vacinas disponíveis na sua área.
Uma vez que no Algarve a adesão à vacina não tem sido elevada, os responsáveis admitem que será possível ter doses disponíveis para ir além do escalão dos 5 anos, dependendo da procura por parte do chamado grupo B, que inclui os doentes com menos de 65 anos, diabéticos e insulinodependentes ou que sofrem de doenças pulmonares crónicas ou cardiovasculares, entre outras.
No caso das crianças até aos 5 anos sem doenças ou complicações, não é necessário um atestado do médico a solicitar a vacinação. Basta mostrar a intenção, agendando com os profissionais dos Centros de Saúde a melhor data para efectuar a vacina.