21/05/2012 atualizado às 19:01

Alexandra: Diplomacia russa "atacada" na imprensa

A actuação do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia no caso da entrega de Alexandra à mãe biológica, depois de ter estado à guarda de uma família de Barcelos durante quatro anos, está a ser alvo de fortes críticas na imprensa do país. (Vídeo no fim do texto)

10:59 Sábado, 30 de maio de 2009

A diplomacia russa está a ser alvo de fortes críticas na imprensa devido à sua participação no processo de entrega de Alexandra à mãe biológica .

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"O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, que colaborou na devolução de Alexandra à mãe biológica, optou pela posição de patriotismo informativo. O tom das declarações dos seus funcionários é clara: não é preciso fazer da mosca um elefante. Embora fosse mais correcto dizer: fazer de um elefante uma mosca, em que se transformou a transferência da menina para a Rússia", escreve o diário Moskovski Komsomolets.

Na quinta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia acusou órgãos de informação russos e portugueses de publicarem "artigos claramente provocatórios" sobre este caso.

"Não é importante o futuro da criança, que de facto caiu noutro mundo e que nem sequer fala russo, porque, ao que tudo indica, a mãe não falou com ela até aos seis anos. O importante é conservar a imagem de grande potência. Por isso é preciso, pelo menos por enquanto (se é possível! por favor!), não bater na criancinha em frente das câmaras. E não falar com os jornalistas com a voz embrulhada a uma mesa coberta com as nossas iguarias nacionais", ironiza o diário.

Escreve o Moskovski Komsomolets: "As nossas autoridades e órgãos de informação oficiais parecem ter desaprendido a olhar para a situação de forma simplesmente humana. Por isso, na realidade, hoje, a imagem da Rússia é salva não por funcionários indiferentes e jornalistas patrióticos, mas por pessoas simples".

O diário tem em vista a onda de simpatia para com o casal de acolhimento português na Internet russa.

O jornalista Serguei Parkhomenko foi ainda mais cáustico aos microfones da rádio Eco de Moscovo, considerando que Alexandra foi separada da família de acolhimento para "levantar em mais meio milímetro a dignidade nacional russa".

"E receio muito que estes jogos, 'Traz uma criança para a Rússia a qualquer preço' e 'Jogo da criança russa', se tornem populares entre os diplomatas e funcionários consulares russos em todo o mundo... Para o burocrata, o principal é apenas agradar às chefias. Ele não se preocupa com mais nada", sublinha o jornalista.

Os canais de televisão, incluindo o NTV, que iniciou a discussão ao mostrar as imagens de violência sobre Alexandra, deixaram de abordar este tema.

Apenas na Internet se podem encontrar posições favoráveis a Natália Zarubina, a mãe de Alexandra.

"O problema dos que exigem que a menina seja devolvida a Portugal consiste em que eles propõem criar um precedente mundial de renúncia aos direitos paternais e começar um processo universal de redistribuição das crianças segundo o princípio da eugénica", escreve Olga Sagareva no jornal electrónico "Novie Khroniki".

"Ou seja, retirar todas as crianças às mães alcoólicas associais, às mães pobres, infectadas com o virus da SIDA em África e enviá-las para Portugal, para os tios e tias ricas. Retirar todas as crianças africanas aos países e entregá-las a Madonna e Angelina, enviá-las para os Estados Unidos, para o Pólo Norte", sublinha.

A menina, de seis anos e filha de uma imigrante russa, estava à guarda de uma família de Barcelos, em Portugal, há quatro anos, mas uma decisão do Tribunal da Relação de Guimarães, confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça, determinou a sua entrega à mãe. O pai, um imigrante ucraniano, vive actualmente em Espanha.

A criança, que fala apenas português, passou recentemente a viver com a mãe e a avó numa cidade russa, a 350 quilómetros de Moscovo.


Trata-se de um problema ético

Nikolai Svanidzé, um dos mais conhecidos membros da Câmara Social junto do Presidente da Rússia, considera que, no "caso Alexandra", os interesses da criança devem ser postos acima do "ponto de vista estatal-patriótico".

"'Vencemos Portugal, a criança irá ser educada no nosso país'. Considero que aqui não se deve pensar em que país deverá ser educada a menina, mas pensar nela. E se lá os pais eram normais e aqui as condições forem realmente horríveis e a mãe for alcoólica... Se esta for tão desequilibrada e tão terrível no tratamento com a criança ao ponto de ser necessário privá-la dos direitos maternais, então isso deve ser feito e a menina deve ser entregue aos pais portugueses", considera Svanidzé, em declarações à rádio Eco de Moscovo e à Agência Lusa.

Este conhecido jornalista e historiador russo critica a posição daqueles que defendem que Alexandra deve viver na Rússia, mesmo que em condições difíceis.

"Não conheço os detalhes do processo, não sei com que idade ela (Alexandra) se viu em Portugal. Aqui, dentro de algum tempo, ela esquecerá o português e começará a falar russo. Isto é, se se puder chamar russo à língua com que a mãe irá falar com ela, a menina irá falar russo. Neste caso, a língua é secundária... O importante consiste no modo de vida que ela terá e o que lhe vai ser dito em russo", acrescenta.

Nikolai Svanidzé afirma que a Câmara Social, órgão consultivo junto de Dmitri Medvedev para Direitos Humanos e Questões Sociais, irá acompanhar o caso, mas não exclui a possibilidade de isso ser insuficiente.

"Pensa que as pessoas, toda a nossa respeitada Câmara Social, da qual sou membro, irão constantemente à terra onde vive a criança para verificar em que condições ela vive?.. Foram desvendados muitos crimes que tiveram grande ressonância no nosso país e que estiveram sobre o controlo dos mais altos dirigentes do Estado?", interroga Svanidzé. "O mesmo se passa neste caso. Se a mãe for tão terrível como se escreve, o destino da criança também será terrível", frisou.

"Penso que temos forças e braços compridos, incluindo da Câmara Social, para acompanhar este caso. Mas se não se conseguir privar a mãe dos direitos maternais e ela continuar a humilhar a criança... pobre criança", acrescentou.

Nikolai Svanidzé reconhece que o problema da adopção na Rússia é um "problema terrível". "Todos nós falamos dos americanos que maltratam as nossas crianças por eles adoptadas. Se se comparar a porcentagem de maus tratos em relação às nossas crianças nas famílias americanas e a porcentagem de maus tratos e de mortes de crianças nas nossas famílias biológicas, para já não falar das famílias de acolhimento, a percentagem, falando suavemente, não nos é favorável", sublinhou.

"Trata-se de um problema ético, moral. A situação das crianças é pesadíssima, temos um baixo nível de responsabilidade paternal. Semelhantes situações são analisadas, no nosso país, do ponto de vista estatal-patriótico", lamentou.


Lusa
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... crianças...
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 11:34 | Sábado, 30 de maio de 2009
Casa onde todos têm razão... não há pão que chegue!
 
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    o pensamento do dia....by dedalo    Ver comentário
THUNDERSSTORM (seguir utilizador), 1 ponto , 11:47 | Sábado, 30 de maio de 2009
FORMAÇÃO... INFORMAÇÃO....
orion_hum (seguir utilizador), 1 ponto , 12:39 | Sábado, 30 de maio de 2009
Ora muito bem...
É dada formação adequada às famílias de acolhimento?
Por quem? Qual o tipo de formação de quem acompanha estes casos?
Discute-se muito sobre o papel dos juízes, no entanto eu tenho alguma reticência sobre o acompanhamento pela assistência social.
Penso que não são devidamente preparadas (não sei se devido a formação de base) e portanto há aqui uma lacuna grave que condiciona todo o processo. Já para não falar das graves falhas em termos de articulação de informação.
O juíz tem que se basear em factos, os tais papéis tão criticados, ou passamos ao caos.
No entanto, é inadmissível que perante factos contraditórios não se apure melhor a situação.
Toda a gente se tem que convencer que os pais e mães e as crianças têm direitos. As famílias de acolhimento têm que entender que não são pais, e que fazem parte de um processo transitório de integração da criança, e devem dessa forma informar e ajudar a criança quer nesse período quer na preparação para o regresso aos pais ou adopção. A assistencia social deve tentar até ao limite e ajudar os pais a serem capazes de criar os filhos.
Só em casos muito extremos se devem retirar as crianças definitivamente, mas deve garantir-se que estão protegidas.
A grande questão é: QUEM TEM ESFOFO PARA SER FAMÍLIA DE ACOLHIMENTO?
Neste caso é notória a falha grave ao ser feita a entrega a uma mãe, quando a própria filha se queixa que esta lhe bate!
Não há casos iguais. Nem crianças iguais.
 
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Russos do Mal
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 1 ponto , 12:46 | Sábado, 30 de maio de 2009
E assim se cria mais uma fantochada...

Este Ocidente da Treta está mesmo decadente...
 
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Mas isto é possível na Rússia?
Dunca (seguir utilizador), 1 ponto , 13:00 | Sábado, 30 de maio de 2009

"A actuação do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia no caso da entrega de Alexandra à mãe biológica, depois de ter estado à guarda de uma família de Barcelos durante quatro anos, está a ser alvo de fortes críticas na imprensa do país."

Fortes críticas? Mas pode se criticar na Rússia ? E eu a pensar que não...
 
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Aproveitar as sinergias
SirArthur (seguir utilizador), 1 ponto , 14:17 | Sábado, 30 de maio de 2009
Neste momento e neste caso temos dois países de certo modo a "culparem-se a eles próprios", o que é algo diferente e até "refrescante" num Mundo onde o mais comum é culpar o outro.

Posto isto, e como a Alexandra não é, infelizmente, a única criança em risco quer de Portugal quer da Rússia e muito menos do planeta, creio que seria mais proveitoso aproveitar este ambiente para se discutir as condições das crianças e do seu bem estar.

Quanto ao resto, no âmbito social, Russos e Portugueses são iguais. Um bêbado russo só difere de um português no idioma no qual lança os impropérios, uma mãe alcoolatra portuguesa não é melhor que uma russa e nem os russos normais amam menos os seus filhos que os portugueses... somos todos meramente humanos.

Politizar este caso concreto será sempre um erro, o mediatismo em excesso também pode prejudicar a criança (que só a RTP teve o bom senso de lhe desfocar a cara nas primeiras reportagens). Não há aqui nenhum Rússia contra Portugal ou Portugal contra a Rússia.
 
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Respeitem a criança...
Malekas (seguir utilizador), 1 ponto , 19:44 | Sábado, 30 de maio de 2009
Admiro os pais adoptivos que acolheram a Alexandra não sei quanto tempo, e lhe proporcionaram tudo o que puderam.
Quando a acolheram e eles próprios admitiram isso em várias entrevistas, estavam cientes de que, mais tarde ou mais cedo, poderiam ter de abir mão da menina, o que na verdade veio a acontecer.
Embora compreenda o sofrimento do casal, creio que não é com telefonemas regulares para a miúda que está na Rússia e a coagi-la psicololgicamente que assegurarão à criança a necessária estabilidade emocional de que tanto necessita nesta nova etapa da sua vida.
 
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Finalmente...
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 7:48 | Domingo, 31 de maio de 2009
começo a ver posições mais sensíveis em ambos os países... Esta onda de chauvinismo/xenofobia, em ambos os países, estava a tornar-se confrangedora.
Á família que a acolheu deve ser reconhecido o esforço que fez mas sabendo que não tinham direitos alguns sobre a criança, inclusivé porque nunca os quiseram ter, é altura de fazerem o devido luto emocional e deixarem de alimentar os nossos média com a sua "desgraça". A mãe, pode ser tudo o que alguns quiserem, desde russa a galdéria, mas tem todos os direitos sobre a criança. A Justiça portuguesa assim o reconheceu e quando ela decidiu regressar ao seu país natal, a criança teve de a seguir.
Sim, eu sei que ela é desempregada, alcoólica, promíscua, e até que vive numa casa degradada no fim do mundo; que a família portuguesa podia dar tudo o que a mãe nunca terá para dar; que a "agressão" (4 palmadas no rabo/pernas e uma sacudidela mais brusca) em frente das câmaras de TV não augura nada de "bom"; e que imclusivé, o "insensível" juíz do caso ficou "perturbado" com a "agressão", etc, etc, mas a Justiça - portuguesa e a do resto do mundo - dá (e bem!) prioridade aos pais biológicos e foi o que aqui aconteceu.
 
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    o que os mass media fabricam    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 9:23 | Domingo, 31 de maio de 2009
    Re: o que os mass media fabricam    Ver comentário
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 15:53 | Domingo, 31 de maio de 2009
    Re: o que os mass media fabricam    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 16:28 | Domingo, 31 de maio de 2009
    Re: o que os mass media fabricam    Ver comentário
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 18:51 | Domingo, 31 de maio de 2009
    alternativas não lhe faltam    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 19:11 | Domingo, 31 de maio de 2009
Indecisão
flyboy (seguir utilizador), 1 ponto , 9:00 | Domingo, 31 de maio de 2009
Por princípio,é com os pais biológicos que a criança deve estar.No entanto,neste caso,não terá sido a decisão certa.Mas,afinal, a menina é russa,isso não se pode negar. Ler em: http://rumoincerto.blog.c...
 
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