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Alentejo é pólo de desenvolvimento sustentável

Alexandre Coutinho
8:04 Domingo, 15 de maio de 2011

A desertificação do Alentejo está a ser combatida com projectos alternativos.Este ano, a Conferência GEN 2011 - Ecovillages and Sustainable Living - ponto de encontro dos membros da organização Global Ecovillage Network (GEN) - realiza-se no Tamera (Odemira), de 7 a 11 de Julho. Além de um foco especial na vertente da educação, pondo em prática métodos de facilitação e pedagogia, será feito um balanço dos desenvolvimentos do GEN na Europa, África e Médio-Oriente. Os Ecovillages funcionam como centros de treino e pesquisa para o desenvolvimento sustentável numa sociedade mais vasta e o Ecovillage Tamera representa um exemplo vivo e um campo de trabalho prático para os temas desta conferência.

Tamera é um Centro Internacional de Pesquisa para a Paz, uma escola do futuro e um ponto de encontro internacional de trabalhadores, oriundos de muitas partes do mundo, para a paz. Foi fundado em 1995 num terreno com cerca de 134 hectares situado no Baixo Alentejo, na freguesia de Relíquias e concelho de Odemira. A sua fundadora, Sabine Lichtenfels, deu o nome "Tamera" a este projecto que numa língua antiga significa "junto à fonte primordial". O nome é um apelo para a ligação primordial às nossas origens, à natureza, à vida comunitária e ao empenho pela paz mundial.

Actualmente, encontram-se em Tamera cerca de 160 colaboradores e estudantes de diferentes faixas etárias e nacionalidades. O objectivo é investigar o conhecimento necessário para o estabelecimento de aldeias para a paz que devem e podem surgir em muitos países. Estes modelos assentam num modo devida sustentável, tanto do ponto de vista ecológico como social, incluindo a cooperação com a natureza e com os animais.

Tamera é uma comunidade de investigação dedicada à formação humana e tecnológica, levando a cabo experiências quer sociais, quer tecnológicas através da convivência autêntica entre as pessoas baseada em novos valores éticos e do aproveitamento descentralizado da energia solar, reflorestação e recuperação da natureza pela permacultura e paisagem aquática, arquitectura com materiais naturais e da auto-suficiência regional, criando-se células germinativas de uma nova cultura pela paz, independentes dos grandes sistemas ideológicos e das grandes indústrias e sistemas centrais de fornecimento.

Tamera associa o seu trabalho de investigação ao trabalho político em rede, a peregrinações e acções de apoio e de paz em regiões de crise. Trata-se de acções exemplares cuja finalidade é contribuir tanto para a criação de um campo morfogenético pela paz como para a efectiva criação de comunidades de paz e para a paz.

Solidariedade entre todos os seres vivos, apoio mútuo, processo de cura individual e global ou formação para a paz, ecologia profunda, abordagem holográfica, consciência e devir histórico são conceitos essenciais do ensino/aprendizagem da "Educação para a Paz Monte Cerro" e do "Campus Global", entidades responsáveis pela criação de uma rede mundialmente interligada de iniciativas em prol da paz.

A vida na Terra e no Universo como um Todo interligado permite que uma alteração microscópica num determinado local do planeta possa provocar um efeito global. Tamera demonstra na prática que a paz é possível através da vida comunitária baseada na confiança e na solidariedade e se este princípio for aplicado a diferentes comunidades em diversas regiões do mundo, de tamanhos e complexidades diferentes, poderá surgir um efeito global de cura.

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