O candidato presidencial Manuel Alegre voltou hoje a desafiar Cavaco Silva a pronunciar-se sobre o projeto de revisão constitucional do PSD, considerando que se não o fizer ficará colado a este "programa político de ataque ao conteúdo social da democracia".
"Não se pronunciou sobre conteúdo e o que foi apresentado é mais do que um projeto de revisão constitucional, é um programa político de ataque ao conteúdo social da nossa democracia", disse Alegre, durante um jantar de apoio à sua candidatura, que decorreu no Barreiro.
O candidato apoiado pelo PS e BE referiu que caso o Presidente da República, Cavaco Silva, não se pronuncie sobre o projeto social democrata de revisão constitucional ficará "colado" a ele.
Alegre não quer "derrubar governos à primeira oportunidade"
"Vai ter que se pronunciar, pois, caso contrário, fica colado a este programa e será o candidato deste programa que visa destruir o conteúdo social da nossa democracia", referiu.
Manuel Alegre garantiu que pretende devolver a esperança aos mais jovens e defendeu que a sua vitória é uma garantia que "a direita não concretiza o projeto estratégico de destruição do estado social".
O candidato salientou que como presidente não vai deixar que se ponha em causa a escola pública, a segurança social ou o Serviço Nacional de Saúde.
Manuel Alegre salientou que não quer "derrubar governos à primeira oportunidade" e defendeu ainda que é preciso garantir a independência do poder político em relação ao poder económico.
Confiança na vitória
"Vou fazer tudo para recuperar a autonomia de decisão nacional perante a ditadura dos mercados financeiros que estão a perverter o ideal europeu. Se for eleito, saberei defender o interesse nacional e não me vergarei perante os grandes especuladores que estão a asfixiar a Europa e a sua economia", apontou.
O candidato quer também que o esforço para sair desta crise não recaia apenas sobre os mais desfavorecidos, afirmando que "a banca tem que dar uma contribuição para ultrapassar a crise".
Manuel Alegre assegurou que na "esquerda democrática" não vai haver "nenhuma lei da rolha" e manifestou confiança na vitória.
"Numa sondagem num semanário, o atual presidente perdeu a maioria em metade do país e, se a esquerda e os democratas o quiserem, é possível ir à segunda volta e ganhar", concluiu.