Manuel Alegre alerta: se o atual Presidente for de novo eleito, não está em causa apenas a possibilidade de uma mudança de Governo, mas de "mudança de regime, mudança de democracia".
O candidato presidencial falava no almoço-comício do dia, em Beja, perante cerca de uma centena de apoiantes e, desta vez, sem fazer qualquer referência ao FMI. Já reagira durante a manhã à confirmação de que os juros obtidos pela emissão da dívida pública desta manhã haviam ficado pelos 6,7% afirmando que "são boas notícias" e reiterando: "Resistir é bom. Quando se resiste bem os resultados são bons".
Ao almoço, Alegre voltou a apelar à mobilização da esquerda para que vá a votos no dia 23, mesmo que seja noutros candidatos (um apelo que tem sido recorrente nas suas intervenções). E chamou a atenção para a importância de fazer uma escolha numas eleições "que são porventura as mais importantes desde o 25 de abril", disse, citando uma frase proferida pelo sindicalista António Chora a que tem recorrido amiúde.
Para Alegre, o momento é de "encruzilhada" e está em causa "preservar a democracia" conquistada com o 25 de abril, a "Santa Liberdade", afirmou, evocando Henrique Galvão ("que tem andado tão esquecido").
"Os portugueses podem escolher um Presidente mais perto dos que mais sofrem e mais precisam ou um Presidente mais perto dos que tudo têm e nada sofrem - estão, aliás, quase todos na sua comissão de honra" , disse, referindo-se naturalmente a Cavaco Silva e oferecendo a "garantia" (a palavra que marca os seus segundos outdoors de campanha): "Se eu estiver na Presidência da República ninguém tocará no Serviço Nacional de Saúde, na escola pública, na segurança social, nos direitos laborais".