24 de abril de 2014 às 5:48
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Alberto da Ponte não se sente um gestor "a prazo"

Novo presidente da RTP prometeu manter o "diálogo"  com os trabalhadores, mas escusou-se a revelar os cenários para a privatização ou concessão da empresa.
Lusa
Alberto da Ponte prometeu "manter o diálogo" com os trabalhadores da RTP Nuno Fox Alberto da Ponte prometeu "manter o diálogo" com os trabalhadores da RTP

O presidente do novo conselho de administração da RTP escusou-se hoje a revelar aos trabalhadores os cenários para a privatização ou concessão da empresa com que irá trabalhar, e garantiu não se sentir um gestor "a prazo".

Alberto da Ponte e a sua equipa chegaram hoje cedo à Avenida Marechal Gomes da Costa, em Lisboa, para o primeiro dia de trabalho e passaram a manhã em reuniões, primeiro com os diretores da RTP, depois com os trabalhadores e em seguida com o Conselho de Opinião da estação.

De acordo com o porta-voz da comissão de trabalhadores (CT) da RTP, Camilo Azevedo, a reunião decorreu "de forma civilizada", o novo presidente do conselho de administração (CA) comprometeu-se a reunir-se regularmente com os colaboradores e a dar-lhes a "informação necessária", mas escusou-se a revelar os seis cenários para a privatização ou concessão da empresa com que terá que trabalhar.

"'Os cenários são confidenciais', foi o que nos disse", indicou à Lusa Camilo Azevedo, sem esconder o "desalento" com que os trabalhadores receberam a posição.

Fim da RTP2 não é ponto assente


Sobre o tema, de acordo com um comunicado da CT, Alberto da Ponte referiu apenas a "existência de diversos cenários, desde a manutenção do status quo até ao da mudança mais radical da organização da RTP", mas também que "a ideia de extinguir a RTP 2 não é ponto assente em todas as hipóteses em estudo".

Também aos representantes do Conselho de Opinião da RTP foi reiterada a "promessa de manter o diálogo, porque será útil para a empresa", disse o presidente do órgão, Manuel Coelho da Silva, em declarações à Lusa.

De resto, Alberto da Ponte manifestou-se empenhado em "retirar o problema da RTP da comunicação social", afirmou que entrava na empresa com "espírito de missão" e que, por isso, tinha aceitado o teto salarial previsto no Estatuto do Gestor Público.

"Disse também que não estava a prazo, podia estar ali sete anos", revelou ainda Camilo Azevedo.

Já de acordo com o comunicado da CT, o gestor disse aos trabalhadores da RTP "que não aceitaria o cargo se ele trouxesse anexa a incumbência de agir como 'comissão liquidatária'".

Contas em situação favorável


Alberto da Ponte deverá encontrar uma empresa com as contas em situação favorável, a ter em conta a carta enviada aos trabalhadores da RTP pelo seu antecessor, Guilherme Costa, que assim se despediu na terça-feira.

"A empresa vem conseguindo uma forte diminuição dos custos operacionais, que se situarão este ano nos 235 milhões de euros, isto é, cerca de 70 milhões abaixo dos valores de 2007/2009. O CA da RTP informou há dias o Conselho de Opinião da sua projeção de 25 milhões de lucro no final do ano, pelo que os fundos públicos correntes recebidos pela empresa, deduzidos do valor estimado deste resultado líquido, serão em 2012 inferiores aos 200 milhões de euros", indicou o antigo presidente.

Guilherme Costa atacou ainda o que considerou "inverdades" ditas reiteradamente pelo Governo sobre o custo da RTP aos contribuintes, que ainda recentemente o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, voltou a colocar em um milhão de euros por dia.

"Pagar dívida não é despesa, segundo qualquer critério económico conhecido. O endividamento bancário da RTP, que era superior a mil milhões de euros em 2003, situava-se nos 150 milhões no final do primeiro semestre deste ano, incluindo agora o 'leasing' das suas novas instalações na MGC [Av. Marechal Gomes da Costa], entretanto adquiridas", afirmou o gestor.

Comentários 4 Comentar
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Ponte, gestor da RTP, vai merecer o salário?
A prazo ou não, o importante é que faça um bom trabalho e que não desmereça o salário, como muitos outros antes dele.
É óbvio que não está a prazo !!

Enquanto trata da liquidação, terá tempo para fazer um "fato por medida".

À medida dele e de quem o Relvas indicar !!
Sempre houve gente capaz de assumir funções
lesivas dos países e seus cidasdãos. O ultra liberalismo é a face da traição à pátria.. Quando os alemaes invadiram a Noruega, não lhes foi difícil descobrir um homem que se prestou formar um governo fantoche, faltando ao respeito que devia ao seu pais e a solidariedade que devia aos seus compatriotas. Os dicionários de todas as línguas registam hoje o seu nome, na qualidade de substantivo comum, como sinónimo de colaborador, que ninguém terá duvidas em traduzir para traidor. Em todos os tempos e em todos os países houve sempre quem se prestasse a assumir funções e a tomar atitudes lesivas do interesse nacional e da sua própria dignidade. O nosso pais ao e excepção. Veja se o que se passa actualmente na vida política portuguesa. Lá diz o poeta que traidores houve algumas vezes. O quisling português chamou se Miguel vasconcelos. Mas não são os países que registam exemplos deploráveis de felonia e de traição. A pessoa humana esta súbdita a fraquezas e a recalcamentos que a levam muitas vezes a tomar atitudes dúplices e nem sempre compatíveis com a lealdade que deve aos seus pares e ao seu próprio pais como acontece actualmente na vida política portuguesa. Quem se pode gabar de não ter sido atraiçoado no âmbito das suas actividades por um quisling movido pelo interesse, pelo ódio, pela partidarite ou simplesmente por uma lamentável falta de carácter? Vivemos tempos obcuros. Torna se urgente um levantamento popular para repor a dignidade deste País e dos seus cidadãos...

Hoje assisti a um filme que nos mostrava o fim da
2ª grande guerra, quando em França os alemães depois da guerra perdida tentavam levar para a Alemanha por via ferrea um carregamento de obras de arte roubadas m França. Um corajoso resistente ia sabotando a linha ferrea para impedir os intentos dos fascistas alemães, o que conseguiu. Fez-me lembrar os traidores do governo português ao entregarem, privatizando, a quem der mais, o que resta do Estado português, sem que apareça um patriota que o impeça, dada a passividade da ~generalidade da população...
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