O ministro dos Negócios Estrangeiro francês, agenda Alain Juppé, elogiou hoje o trabalho do governo português na tomada de decisões difíceis na luta contra a crise, num encontro que manteve com o homólogo português, Paulo Portas.
"Gostaria de renovar o apoio de França a Portugal. Vocês estão a levar a cabo uma política difícil de reforço orçamental, de decisões corajosas em face da crise e nós estamos convencidos de que Portugal vai conseguir ultrapassar o desafio", disse Juppé, numa conferência de imprensa conjunta com Paulo Portas.
Juppé efetuou hoje uma visita oficial a Lisboa, tendo sido o convidado de honra do Seminário Diplomático, que o ministério português dos Negócios Estrangeiros organizou em Lisboa com os embaixadores portugueses espalhados pelo mundo.
Encontro bilateral com países árabes na agenda
Portas e Juppé mantiveram também um encontro bilateral, onde os dois ministros debateram temas como os movimentos de democracia nos países árabes, a situação na Síria e o atual contexto europeu, no quadro da crise da dívida soberana na União Europeia.
"Manifestei confiança em relação ao trabalho que está aqui a ser feito, em Portugal, em relação ao reforço orçamental corajoso", disse Juppé, frisando que Lisboa e Paris "partilham as mesmas ideias no que diz respeito ao reforço da zona euro".
Paulo Portas, por seu lado, pediu rapidez na aprovação do novo tratado europeu para reforçar o governo económico e a disciplina orçamental na zona euro, que deverá ser um dos principais temas de debate na próxima cimeira de líderes da União Europeia, marcada para 30 de janeiro.
"Este tratado deve ser concluído de forma célere e sem sobressaltos, respeitando todas as referências democráticas que fazem parte da construção da União Europeia", disse Paulo Portas, na conferência de imprensa.
O ministro português destacou ainda "os esforços e a determinação" portuguesa na luta contra a crise da dívida soberana.
"É assinalável, é singular e é diferente a situação de um país como Portugal, que está firmemente decidido a ser visto no mundo como um país que honra a sua palavra e os seus compromissos e que, estando a atravessar uma situação difícil, tem a certeza de que a vai conseguir ultrapassar", afirmou.