Ajuda humanitária "em massa" tem de começar a chegar ao Haiti "até hoje à noite" afirmou hoje o responsável dos Médicos do Mundo (MdM), alertando que se aproxima o período "crítico", após o sismo de terça-feira.
"Para podermos salvar vidas, depois de retirar as vítimas dos escombros, temos de ter cirurgia disponível nas primeiras 48 horas", afirmou Olivier Bernard, presidente dos MdM, organização não governamental de ajuda humanitária. "Portanto - disse - estamos a entrar num período crítico".
Um sismo de magnitude 7,0 na escala de Richter abalou terça-feira o Haiti, afectando três milhões de pessoas, segundo estimativas da Cruz Vermelha Internacional.
Desconhece-se ainda o número de vítimas, mas as autoridades haitianas admitem que possam ter morrido mais de 100 mil pessoas e que o sismo tenha provocado ainda milhares de feridos e milhões de desalojados.
"É preciso que uma ajuda humanitária massiva chegue até hoje à noite", alertou Bernard, recordando a dificuldade desta tarefa devido aos "problemas de acesso à pista do aeroporto de Port-au-Prince" e a problemas de "segurança".
Todas as estruturas dizimadas
O responsável referiu que uma das dificuldades reside no facto de "todas as estruturas principais do país - do Estado, e da missão de estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH) - terem sido dizimadas".
Um ponto positivo, contudo, é a presença no país, há 20 anos, de organizações não governamentais.
"Conhecemo-nos, já todos temos zonas geográficas de intervenção", o que deverá facilitar a coordenação dos esforços, adiantou Bernard.
Os Médicos do Mundo vão enviar, sexta-feira, de França, um voo charter com 40 toneladas de material médico e logístico.
O equipamento estará em "Port-au-Prince ao fim da manhã ou início da tarde", referiu Bernard.
Paralelamente, um perito em logística que partiu de Martinica chega hoje a Port-au-Prince, ao mesmo tempo que quatro membros dos MdM do Canadá.