18 de abril de 2014 às 15:54
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BLOGUE A VIDA DE SALTOS ALTOS

Ainda há coisas grátis na crise...

Não dependem de um palco, microfone ou iluminação, basta-lhes um pouco da cidade. Procuram pessoas como alimento para a sua arte. Giuseppe e Maria oferecem diversão a quem passa e a quem fica. São artistas de rua. E são felizes.
Liliana Coelho (sapato nº 37) (www.expresso.pt)
Em tempos de crise, os artistas alegram ainda mais os dias cinzentos DR Em tempos de crise, os artistas alegram ainda mais os dias cinzentos

22 horas, sexta-feira. As pessoas aproximam-se formando um círculo em torno da esplanada da Brasileira na zona do Chiado, em Lisboa. O que os leva ali não é razão nenhuma em especial, ou serão todas menos a de irem assistir a um espectáculo. Não tem local preciso nem horário, aparece sem aviso, mas tem sempre gente. Público que não tem de comprar bilhete, mas que assiste atento e que no final, por vezes, insiste em oferecer uma moeda de troca, que despeja no colorido chapéu-recetáculo.

A atração é um espectáculo que cruza duas técnicas: a circense e a teatral. Um malabarismo e teatro de rua, em actuações imprevistas.  

Nos instantes que antecedem o espectáculo, Giuseppe e Maria piscam o olho aos seus instrumentos de trabalho - as massas, como se estivessem a estabelecer um acordo com elas. Seguram-nas de modo firme, parecem entrar, por breves momentos, num estado "Zen". É este o espírito que induz a um estado de concentração necessário para começar. E são lançadas ao ar. As massas são manipuladas com segurança, num total de seis.

Espetáculos sem bilhete


Rodopiam em deslocação e páram, quase sempre, nas mãos. O número vai sofrendo um crescendo de risco, com a adição progressiva de mais um elemento. O público fica incrédulo. No auge do entusiasmo, continuam o número, mas desta vez adicionam um boné. Seis massas, um boné e a luta constante contra a lei da gravidade. As expressões cómicas dos rostos de Giuseppe e Maria compõem a imagem. A aflição de quem dá a entender que vai deixar cair algo que se parte é seguida da expressão irónica de quem sabe que estava tudo controlado desde o início.

No final, agradecem com uma expressão de satisfação que transparece nos rostos e, em poucas palavras, contam a história.  São italianos de 18 anos, estudantes de Erasmus, que viajam pela Europa à procura de um sonho... ser felizes. São pessoas que oferecem sorrisos grátis mesmo em tempos de crise, mas que infelizmente são muitas vezes esquecidos. Artistas que alegram todos os nossos dias cinzentos sem (quase) nada em troca. Admiro-os por isso!

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Comentários 4 Comentar
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Bem hajam...
É apenas isso que me apraz comentar...bem hajam..

E um obrigado á Liliana por os ter dado a conhecer a quem está longe da capital...
Ainda há coisas que parecem grátis na crise
Às 22 horas de um dia qualquer, num largo qualquer, as pessoas aproximam-se de um indivíduo elegantemente vestido, que começa a actuação. Trata-se de um espectáculo que cruza duas técnicas: a circense e a teatral.

Nos instantes que antecedem o espectáculo, o artista pisca um olho aos seus instrumentos de trabalho - as promessas, como se estivesse a estabelecer um acordo com elas. Segura-as de modo firme, parece entrar, por breves momentos, num estado "Zen". É este o espírito que induz a um estado de concentração necessário para começar. E são lançadas ao ar. As promessas são manipuladas com segurança, num total indefinido.

Rodopiam em deslocação e param, quase sempre, nas mãos. Há as que caem no chão, mas são substituídas de imediato por outras. O público fica incrédulo. No auge do entusiasmo, continua o número, mas desta vez adiciona um barrete.

As promessas, um barrete e a luta constante contra a lei do financiamento. A expressão séria do rosto do indivíduo compõe a imagem. A aflição de quem dá a entender que vai deixar cair mais uma promessa é seguida da expressão irónica de quem sabe que estava tudo controlado desde o início

No final, agradece com uma expressão de triunfante que transparece no rosto e, em poucas palavras, conta a história. É um artista que alegra todos os nossos dias cinzentos sem (quase) nada em troca, apesar de o barrete ter ficado repleto de moedas. Não sei como consegue, admiro-o por isso.
Conheço bem esse artista... Ver comentário
Diversão de borla?
Ó meus amigos, se for leitura grátis o que pretendem, podem ir aqui:

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