21/05/2012 atualizado às 18:02
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Água provoca 'conflito' com Espanha

Já se travam batalhas do outro lado da fronteira. Cá preparam-se armas por causa dos planos de Espanha para os projetados desvios de água do Tejo e do Guadiana.

Carla Tomás (www.expresso.pt)
22:30 Quinta feira, 2 de dezembro de 2010
O rio Tejo visto do castelo de Vila Velha de Ródão
O rio Tejo visto do castelo de Vila Velha de Ródão
António Pedro Ferreira

Portugal desconfia dos planos espanhóis para as águas do Tejo e do Guadiana. Do lado de lá da fronteira, as acusações políticas entre diferentes autonomias e o Governo de Madrid há meses que enchem páginas de jornais. Do lado de cá, o Governo acorda para o problema e os seus peões já começaram a preparar 'armas' para a batalha.

A autoridade nacional que tutela a gestão dos rios ibéricos - Comissão para Acompanhamento e Desenvolvimento da Convenção de Albufeira (ver caixa) - já fez o alerta. E a ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, remete "os esclarecimentos" para esta entidade.

"Existe um conflito potencial a médio e longo prazo", afirma Gonçalo Santa Clara Gomes, embaixador e presidente da comissão. Pede, por isso, "mais transparência" a Madrid no que respeita aos planos da bacia hidrográfica e aos projetados desvios de água. Na reunião com a diretora-geral da água de Espanha na segunda-feira, o assunto acabou por ficar de lado. Amanhã, 3, as relações luso-espanholas podem fazer transbordar o Conselho Nacional da Água.

Até agora, o que tem ajudado Portugal é o clima, "porque chove mais do lado de cá", ironiza o embaixador, "mas nada garante que, no futuro, não haja períodos prolongados de seca para os quais temos de nos precaver". Em causa está a manutenção do caudal ecológico e os usos que se faz dos rios, já que a agricultura intensiva da Andaluzia ultrapassa os recursos aquíferos que detém. "Não podemos aceitar que nos tirem a água e que os nossos agricultores sejam prejudicados pelo consumo espanhol", acrescenta.

No Tejo "não se toca"


Santa Clara Gomes recorda que o Tejo produz água para o consumo de cerca de três milhões de portugueses e que um novo transvase do Guadiana "põe em causa a albufeira de Alqueva, que deve ter capacidade para aguentar uma seca de quatro anos". Diplomata, confia "ser possível encontrar uma solução". Se assim não for, "a Comissão Europeia terá uma palavra a dizer". Além disso, "a legislação europeia e internacional protege-nos".

De Espanha as respostas são esquivas. Questionado sobre a concretização do transvase do Tejo Médio (perto da fronteira) e sobre o desconhecimento que as autoridades portuguesas têm dos planos espanhóis, o Ministério do Meio Ambiente e Meio Rural e Marinho espanhol limita-se a dizer: "De momento não podemos responder porque a agenda da diretora-geral da Água está muito apertada".

As rivalidades autonómicas entre Castilla la Mancha, a Estremadura e a Andaluzia, por causa do projeto do Plano da Bacia Hidrográfica do Tejo e do futuro transvase de Valdecañas (Cáceres), enchem os jornais espanhóis. O alcaide de Talavera de la Reina (Castilla La Mancha) e presidente da Federação Espanhola de Municípios, Francisco Rivas, chegou a dizer que no Tejo Médio "não se toca", caso contrário "seria uma guerra".

E o secretário de Estado da Água, Josep Puxeu, foi citado a admitir a "planificação" do transvase de Valdecañas até Múrcia e Valência, e a concordar que não seria apresentada publicamente antes das eleições autonómicas de 2011.

Associações ecologistas fizeram ecoar o alarme. A Plataforma en Defensa del Tajo alertou para o facto de "o plano da bacia passar ao lado do que dizem os técnicos" sobre a qualidade da água. O receio de que a ministra do Ambiente e a Agricultura, Rosa Aguilar Rivero, ceda aos agricultores andaluzes (região de onde é natural) espalha-se entre ambientalistas e técnicos dos dois lados da fronteira.

Do lado de cá, o movimento ProTejo sublinha que o dito plano espanhol "subscreve que os caudais ambientais em Cedilho (à entrada de Portugal) não excedam os limites previstos na Convenção de Albufeira". E exigem a revisão deste convénio para adaptá-lo às exigências da Diretiva Quadro da Água (ver caixa). O castelo de Almourol deixou de ser uma ilha este verão. E segundo Paulo Constantino, do ProTejo, "mesmo com as chuvas de outono, há horas do dia em que as pedras surgem acima da tona de água".

O que tem entrado em Portugal tem estado acima dos mínimos exigidos. Mas segundo fonte do Instituto Nacional da Água (Inag), "o que preocupa são os caudais médios. Se os espanhóis só mantiverem os mínimos estamos fritos".

Os planos da bacia hidrográfica deviam estar prontos desde março, mas a criação das cinco Administrações da Região Hidrográfica portuguesa "levou a alguns atrasos", admite Santa Clara Gomes. O final de 2011 é o o novo prazo estabelecido.

Contextualização

Convenção de Albufeira

O Convénio luso-espanhol nasceu em 1998, em Albufeira, com o objetivo de regularizar o aproveitamento hidráulico dos troços internacionais dos rios. Foi revisto em 2008 para garantir maior cooperação na proteção das utilizações sustentáveis das bacias hidrográficas e definidos limites mínimos de caudais.

Diretiva Quadro da Água

Principal instrumento da Política de Água da União Europeia, assinado em 2000 e transposto para a legislação nacional em 2005. Estipula que os países têm de garantir o bom estado ecológico das massas de água até 2015. E obriga à articulação de planos para a gestão dos rios internacionais.

AQtualização de texto publicado na edição do Expresso de 27 de novembro de 2010

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caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 9:46 | Sexta feira, 3 de dezembro de 2010
Podem existir desde que não haja interesses, e quando os houver haja bom senso para os resolver.
 
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Cuidadinho com os transveses
CondestavelXXI (seguir utilizador), 2 pontos , 12:07 | Sexta feira, 3 de dezembro de 2010
Terra, ar e água são os recursos básicos essenciais à vida. A disputa da água doce já é o motivo de algumas guerras mas tudo indica que vai ser o principal motivo das guerras futuras. Os transvases permanentes entre bacias hidrográficas são um potente rastilho para provocar essas guerras pois permitem estabelecer populações e actividades en zonas onde naturalmente não existiam à custa de recursos não autóctonos. Quando a água na bacia original não for suficiente para as necessidades das respectivas populações teremos uma guerra cujos culpados foram aqueles que permitiram fazer transvases entre bacias hidrográficas.
A independência de uma região vai passar cada vez mais pela sua autosuficiência em água e os actuais estados deixarão de fazer sentido, sendo que a lógica da organização territorial se baseará cada vez mais na respectiva bacia hidrográfica. Longe vão os tempos em que os rios serviam para separar. Hoje devem servir para unir (em torno da respectiva bacia) e... cuidadinho com os transvases.
 
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Que conveniência!
celios (seguir utilizador), 1 ponto , 23:29 | Quinta feira, 2 de dezembro de 2010
Antes do anúncio da FIFA, são todos amiguinhos! Depois de perderem o Mundial, ressuscite-se a padeira de Aljubarrota!
 
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Problema velho e DESCURADO
crise (seguir utilizador), 1 ponto , 23:47 | Quinta feira, 2 de dezembro de 2010
"Não podemos aceitar que nos tirem a água e que os nossos agricultores sejam prejudicados pelo consumo espanhol", diz o presidente da comissão...

É um problema velho de muitos anos, nos quais os nosso dirigentes sempre tiveram a tibieza bastante para "ocultarem" o tema "quente".

Beijos e abraços ajudam a tibieza.

Aí Lusitanos !
 
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Por favor, a calma portuguesa...
Marta Marques (seguir utilizador), 1 ponto , 0:09 | Sexta feira, 3 de dezembro de 2010
... nestes casos diplomáticos é bem mais útil que o histerismo espanhol. Acho que isto é um problema natural a todos os países que partilham recursos. Há que não entrar em histeria como os jornais espanhóis, que são peritos nessas coisas (e os portugueses vão atrás, por isso não começar a guerrazinha ibérica nos media se faz favor). Há convenções, há tratados e há pessoas de um lado e do outro para negociar, e convém ser o mais pacificamente possível, porque a histeria não dá bons resultados nem raciocínios.
De qualquer forma são coisas de grande urgência e inportância, apesar de agora não ser um problema directo, não vamos agora esperar a desgraça para começar a agir. Portugal deve pressionar diplomaticamente o governo espanhol de modo a saber os seus planos, pois é um nosso direito, e a partir daí saber se será necessário uma nova negociação ou não.
 
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    Re: Por favor, a calma portuguesa...    Ver comentário
avisaramalta (seguir utilizador), 1 ponto , 9:54 | Sexta feira, 3 de dezembro de 2010
    Re: Por favor, a calma portuguesa...    Ver comentário
Marta Marques (seguir utilizador), 1 ponto , 23:49 | Sexta feira, 3 de dezembro de 2010
Os espanholitos querem guerra
OhFaChaVor (seguir utilizador), 1 ponto , 0:17 | Sexta feira, 3 de dezembro de 2010
Fechem-se as fronteiras fluviais e inunda-se a Espanha. Ou então começamos a taxar o desaguamento dos rios que vêm lá do lado dos espanhóis!!!
 
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A solução
Manuel Pio (seguir utilizador), 1 ponto , 12:41 | Sexta feira, 3 de dezembro de 2010
Ter culturas agricolas que consomem mais água que a disponível na região é sintoma de que algo não está ambientalmente sustentado.

Em várias localidade de Espanha, especialmente na costa Sudeste e pelo mundo, a solução tem passado pela dessalinização da água do mar, a qual, depois de tratada (mineralizada se for necessário), é utilizada para os fins menos vitais poupando a água doce para a rega e consumo humano.
A dessalinização pode ser uma solução, embora tenha custos ambientais não desprezáveis, como o aumento da salinidade do mar, na zona, ou o elevado consumo energético.

Há que ponderar.
 
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De Espanha?
nao tento (seguir utilizador), 1 ponto , 14:15 | Sexta feira, 3 de dezembro de 2010
É um facto, de Espanha nem bom vento, nem bom casamento, e agora nem água.
Quando há muita agua abrem as torneiras para alagar Portugal, quando ela escasseia fecham para secar o país. Já não há gente para correr com os espanhóis como foi fito a 1 de Dezembro. Agora até queriamos uma fase final do mundial organizado em conjunto com os hermanos. Com o desplante do 1º ministro espanhol dizer que Portugal e Espanha estariam ligados pela rede de TGV.
 
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Vá lá saber...
tiomanecas (seguir utilizador), 1 ponto , 14:50 | Sexta feira, 3 de dezembro de 2010
... o que pode acontecer com o vinho alentejano se os hermanos "secarem" o Guadiana!
Oh, Desespero!!!!!
 
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SEria por isto tambem que muitos
Cisneros (seguir utilizador), 1 ponto , 16:11 | Sexta feira, 3 de dezembro de 2010
queriam a União Ibérica? Assim os rios não eram desviados dentro do mesmo País ou de Regiões irmãs...

De Espanha nem bom vento nem bom casamento... antes divorciados e independentes do que mal casados e sempre às "turras"...
 
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