24 de abril de 2014 às 8:49
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Agricultores em defesa da produção nacional

Centenas de agricultores marcharam hoje, desde a estação ferroviária de Aveiro até a feira agrícola Agrivouga, em protesto contras as políticas agrícolas do atual e anteriores governos.

Centenas de agricultores marcharam hoje, desde a estação ferroviária de Aveiro até a feira agrícola Agrivouga, em protesto contras as políticas agrícolas do atual e anteriores governos e apelando ao consumo de produtos nacionais.

Envergando cartazes com as palavras "A seca é só nossa", "Parem de sugar o povo" ou "Não a tanta importação, sim à produção", os diversos agricultores contactados pela Lusa insurgiram-se, sobretudo, contra a falta de apoio a quem mais produz.

"As pessoas não são incentivadas a produzir, porque o preço à produção é cada vez mais irrisório e todos os fatores da produção, seja adubos, seja sementes, seja gasóleo, aumentam cada vez mais", disse à Lusa João Sousa, dirigente da Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro (ALDA).

"Há cada vez menos rendimento para os agricultores, daí o abandono da agricultura familiar", lamentou o dirigente, considerando que "é preciso dar a possibilidade às pessoas para produzirem como produziam no passado e escoar [a produção] e não importar".

"Não só estamos a prejudicar a nossa economia como estamos a mandar dinheiro para o estrangeiro", disse João Sousa. Em representação do Partido Comunista Português (PCP), a eurodeputada Inês Zuber disse à Lusa estar "solidária, porque esta manifestação é demonstrativa não só da vontade que os agricultores têm em continuar a produzir, mas também da capacidade que Portugal tem para produzir os seus próprios recursos".

"Não somos um país pobre, temos potencial para aumentar a nossa capacidade alimentar muito mais do que existe hoje, que é apenas cerca de 20 por cento das nossas necessidades", disse a eurodeputada".

Para o presidente da Associação de Agricultores da Guarda (AAG), António Machado, "a política agrícola que é aplicada em Portugal é um desastre", pelo que. em declarações à agência Lusa, quis "lançar um apelo à ministra da Agricultura", Assunção Cristas, para que pare "de dar dinheiro a quem nada produz." "Os milhões e milhões de euros que vieram da Comunidade [Europeia] foram dados a pessoas, na área da agricultura, que só têm a terra. Mas um agricultor não é aquele que tem terra, é aquele que nela produz. E é a esse que é preciso dar ajudas", disse à Lusa António Machado.

Com 84 anos de idade, o presidente da AAG garantiu à Lusa lembrar-se bem "dos anos 1930 e 1940, em que metade da população portuguesa passava fome." "Hoje já estamos [em situação] igual. São milhões de portugueses a passar fome e damo-nos ao luxo de batermos o recorde da Comunidade em terras abandonadas. Isto não pode continuar assim".

Comentários 3 Comentar
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Desertificação do País!
É um gravissimo problema nacional.Muito do dinheiro mal investido nas autoestradas tinha chegado para criar dinâmicas de desenvolvimento no interior de Portugal evitando o abandono da terra e o êxodo da sua população.
SRs. AGRICULTORES OU EMPRESÁRIOS AGRÍCULAS.
Pergunto aos senhores agricultores se já viram algum estrangeiro, mormento Holandês, que estão instalados no Alentejo, vir para a rua BERRAR por subsídios ou dizer q n conseguem vender os produtos? APRENDAM com eles como se enxofra.
Devem fazer uma coisa q o tuga n gosta de fazer q são emparcelamentos de terrenos a fim de fazerem culturas em larga escala dado que fica muito mais barata e assim já a podem vender em concorrência com os estrangeiros que a vêem cá vender os seus produtos.
Saibam escolher os produtos q têm melhor venda e de mais fácil cultura p que possa ser rentável. Percam de uma vez por todas o choraminga, o choradinho deixado pelos comunas de destruíram, não só toda a agricultura como todo o país. Mandem pessoal ou vão à Holanda e vejam como eles fazem, a fim de aprender. No Almograve, Costa vicentina, a terra não dava até que chegaram uns estrangeiros e começaram a trabalhar para exportar, agora eles ensinam como se faz, mas com muito trabalho.
O povo diz que para todos os males há um remédio
O povo diz que para todos os males há um remédio e os ditados do povo têm 100% razao. Caros lavradores aglumerem os vossos produtos e vao vendelos nas pracas do dentro das cidades do país. Peguem nos vossos tractores e vao por exemplo prá Praca do Comércio em Lisboa que tem uma área maior que 10 continentes, modelos, pingo doce , aldi e lidl`s, e vendam directamente ao público os vossos produtos. Nao se deixem ditar os recos pelos sanguesugas, gaios etc... Há tantos lugares idiais para venderem os produtos basta um bocadinho de imaginacao.
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