21 de maio de 2013 às 11:02
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Agarrem-me, senão eu caio

O episódio da Lei das Finanças regionais é esclarecedor. Ferreira Leite é contra o despesismo. Menos na Madeira. Jardim, através do PSD, faz chantagem. E o PS responde com chantagem. Sócrates está em minoria, mas ameaça com instabilidade a cada contrariedade.
Daniel Oliveira (www.expresso.pt)

O PSD é contra o despesismo. Não, o PSD é contra o despesismo se a despesa não for dele. Na Madeira, onde um homem mantém o maior partido da oposição e o país refém dos seus caprichos, o PSD acha que se deve gastar sem grandes limites. E é isso que propõe ao país.

É verdade que a lei das finanças regionais tem uma injustiça: contar no seu PIB com os dinheiros de um offshore que nada dá à Madeira em emprego, receitas ou impulso à economia. Porque existe, então? Vão perguntar a quem o mantém. Mas o PSD quer mais. Quer, depois de fazer do endividamento o alfa e ómega da política nacional, que a Madeira se possa endividar sem freio. Que a Madeira, com duas ilhas próximas uma da outra, continue a gastar o mesmo ou mais em despesas de funcionamento do que os Açores, com nove ilhas distantes.

Mas apesar de tudo isto, não deixa de ser reveladora a dramatização que o governo faz da Lei das Finanças regionais, lei que tem um efeito orçamental marginal. Não se limita a apresentar argumentos, como seria normal. Faz uma chantagem extraordinária, como se a estabilidade política estivesse em jogo de cada vez que a vontade do PS, que não tem maioria, é contrariada.

Aprovado que está o seu orçamento, sem nenhuma concessão de monta da qual se possa queixar, este episódio revela, em toda a sua crueza, a estratégia de José Sócrates para os próximos tempos: usar a sua minoria e a eventualidade da queda do governo como uma espada de Dâmocles sobre o país. A culpa, na verdade, é do PSD. Sem liderança e em autogestão, não assusta os socialistas. E enquanto isto durar podem continuar a fazer o jogo do "agarrem-me, senão eu caio". Governar com sentido de responsabilidade e negociando, como tem de fazer qualquer governo em minoria, com os outros partidos? Só em versão encenada. E sempre contrariado. Acabado de sair das urnas, o governo sonha com eleições. E o país fica adiado.

Comentários 15 Comentar
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A teoria e a prática
Esta dialética é muito interessante, bem escrita, e denota uma fina atenção à dinâmica das várias partes envolvidas.
Mas não tem nada a ver com a realidade.
A realidade é esta:
Enquanto o PS tiver sondagens que lhe dizem que a haver eleições hoje teria maioria absoluta, vai usar a chantagem da crise política todos os dias, mesmo que seja por não ter sido convidado para a festa de anos da menina Mafalda, e o PSD vai recuar.
No dia em que o PSD tiver uma sondagem que lhe preveja uma maioria em eleições antecipadas, vai lançar tudo o que tiver à mão para provocar uma crise política sem o conseguir, e o PS vai abanar com a pancada mas não vai sair a não ser que alguém o obrigue.
Tudo o mais é engraçado motivo de conversa, mas é fantasia.
Concordo consigo Ver comentário
Orçamento e Política
A política do Orçamento diz-me, para já, apenas uma coisa: a política em Portugal não merece o nome que tem, a não ser que o seu nome seja o que todos sabemos: simplesmente mau. Transformar um instrumento de "sobrevivência" ou viabilidade do Estado num mero instrumento de manutenção do poder, de preferência absoluto, é simplesmente absurdo. Por outras palavras: fazer do Orçamento do Estado para 2010 uma estratégia de mera manutenção no poder, ou de absolutização do mesmo, é, em meu entender, "crime político". E uma sociedade que continua a eleger pessoas que não sabem distinguir o interesse comum e nacional do interesse partidário, só merecem ter um partido: o OR, ou seja, o Olho-da-Rua. Em tudo isto, espero que a Presidência da República esteja a fazer, como deve, o seu trabalho. Espero mesmo!
Agarrem-me, senão eu caio
A situação politica que estamos a viver só é possivel, porque o povo não sendo já analfabeto na sua totalidade ainda não é culto na sua maioria. Por tal facto calhou-nos em sorte uma Oposição que se pretende ser comandada como alguns dizem por uma Carocha sem parra sem uva nem física nem intelectual, ou como outros preferem um ventríluco de Belem, que hoje diz uma coisa e àmanhã outra, conforme o lado para que dormiu. Também o que se pode esperar do resto de um partido bolorento, que sabe a ranso e cheira a mofo. Fica asim o caminho livre para o Soba manipular os cordelinhos para que as Marionetas dancem conforme lhe convém. Isto de Sol na Eira e Chuva no Nabal até a Nossa Senhora de Fátima parece mal. Uns comem os figos e a outros rebenta a boca. Dado que o Governo se prepara para vender patrimonio para reduzir a dívida pública, porque não a Madeira e sempre ficavamos livres do Soba. Há um ditado que diz que quando os galgos não dão para a caça, o melhor é desfazer-se deles.
Se D.O. fizer contas, percebe o que está em jogo
Quando o Governo do Continente assumiu subir o Taxa do IVA de 19 para 21% para contribuir para a baixa do Deficit Público do país, logo AJ Jardim na Madeira, respondeu acto contínuo, que não tinha de seguir a pisadas do Governo Central.
Hoje os continentais suportam uma Taxa de IVA de 20%, na Madeira é de 14%, ou seja, na realidade o imposto para nós, é superior em + 6%.
Mas há outra realidade que tem de ser observada, é que na ilha cobram menos receita de IVA em cerca de 43% ver simples cálculo (Difª. 0,06 : IVA madeira 0,14 = 42,86%), se comparamos a aplicação de Taxa igual à do continente, o mesmo é dizer que as Finanças da Madeira tem menos essa receita.
O grave, é que esta disparidade que AJJ se recusou pessoalmente alto e bom som de pelo menos aproximar a Taxa, o que tem como consequência maior, exigir à finanças do continente que paguem os seus devaneios políticos e demagógicos à nossa custa.
São estes pequenos pormenores, que o mantêm AJJardim à mais de 30 anos à frente dos destinos da Madeira, porque faz obra, é verdade, mas depois sempre que excede os plafonds das suas dividas, as suas necessidades financeiras acabam por ser sempre cobertas pelas ajudas da UE e do Governo Central.
Concluíndo a insularidade serve para tudo, até para fazer os continentais de parvos, a quem ele chama cubanos e dá outros piropos, riem-se dos seus despautérios e ele continua inimputável e com poder absoluto, sem correctivo.
E nós é que PAGAMOS, esta é que é a VERDADE.
Não caia, Daniel!
Não caia! Vá-se a eles e parta-lhes as caras que eu ajudo...
Palavra que, se não vier comigo, eu vou só.
(Apesar do metro e meio e menos de 50 quilos, nem faz uma pequena ideia do que sou capaz quando está em causa esta nossa pátria, tão amarfanhada, envergonhada e anestesiada)
Daniel,
E o BE tenta meter veneno em tudo mas se Deus quiser, nunca passará de um agrupamento de interesseiros e perigosos lunáticos !

Quantas empresas de sucesso e postos de trabalho criou o querido Daniel até hoje ?!!

Abraço.
Re: Daniel, Ver comentário
Re: Daniel, Ver comentário
Sócrattes e a "noite das facas longas."
O Governo não sonha com eleições.Sócrates sabe que estar no poder,mesmo sem maioria absoluta,lhe dá uma condição de vantagem sobre a oposição e segurança dentro do PS.Se o Governo caísse o PS passaria por uma noite das "facas longas" e o lº a responder seria José Sócrates.Estar,no poder a qualquer custo ,é hoje,mais do que nunca, a sua estratégia pessoal .
O Pais não merecia esta chantagem
O PSD mas principalmente o País não merece sofrer a chantagem de João Jardim . Portugal tem proporcionado aos ilhéus condições de que mais nenhuma outra provincia usufriu durante estes anos todos. Os madeirenses têm o IVA a 15%, pagam menos de IRS, a totalidade deste e de todos os impostos ali cobrados reverte para a região, e possuem uma divida de 4,6 mil milhões de euros, ou seja 7% da dívida pública do País quando os madeirenses são apenas 2,5 % da população. O PSD não tem razão, nem a restante oposisão eleitoralista bacoca.
- Nada de publicidade, se faz favor.

Dr. Daniele,

Agora há de fazer o Orçamento do Estado; portanto o Parlamento deve pôr-se ao trabalho com muita seriedade. Os telejornais da TV portuguesa dedicam um mar de tempo a este tema e põem no ar entrevistas com os maiores personagens públicos e com a gente da rua. O dever principal dos políticos é cuidarem dos interesses do povo, trabalharem a fim de que a "economia" receba um "impulso" determinante e afinal encontrarem "receitas" a solução de problemas contingentes. Leio no artigo que o PS faz chantagem; se assim for, a sua atitude é realmente inconcebível porque de tal forma ele não procura o bem de Portugal. E' lamentável que os partidos tentam sempre ficar à superfície e não afogar-se. Assim fazendo, frequentemente estão à mercê das alas ?politicas?.

António
Florença (Itália)
Daniel Oliveira
O que o sr quer demonstrar é que o governo e os restantes politicos são uns verdadeiros chantagistas?
Sócrates é uma "raposa"!
Sócrates é um homem astuto! Diria mesmo que é uma autentica "raposa"!
Todo o seu percurso académico, profissional e político são a cabal demonstração dessa faceta!
We didn't start the fire
Foi sempre assim. Está bem visto, mas a verdade é que nada muda em relação ao que conhecemos.
Também não conheço nenhuma sondagem que dê maioria absoluta ao PS neste momento. Depois dos 9,3% do deficit até acredito que a coisa lhes corra mesmo menos bem.
Não percebo é porque é que era preciso meter a Madeira neste caldinho.
Não se pode comparar a Madeira com os Açores. Pode! Os Açores têm nove ilhas e a Madeira tem o relevo mais difícil e acidentado que há em Portugal. Os Açores têm dois aeroportos principais na Terceira e em S. Miguel? E quem pagou o da Terceira, já agora? O Aeroporto do Funchal só serve a Madeira. O da Terceira serve o tráfego internacional e os americanos e é rentável.
Nos Açores faz-se uma estrada sem problemas. Na Madeira é necessário toda uma série de túneis e viadutos.
Os Açores têm uma actividade económica, a começar pela agricultura. A Madeira só tem o turismo.
Pelos princípios expostos, não havia investimento público na região de Lisboa, que já é a mais rica do País.
A verdade é que os socialistas tiraram dinheiro à Madeira e deram aos Açores. Vá-se lá entender porquê, mas os Açores são socialistas e a Madeira, não…
Desfazer uma injustiça é despesismo, mas 1% do PIB são 1650 milhões de euros. O deficit aumentou de 5% para 9% assim, com um estalar de dedos, e agora o problema é a Madeira?
Estamos a falar de 50 milhões... zinhos, oh Daniel!
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