Joanesburgo, 02 Jan (Lusa) - O presidente sul-africano, Kgalema Motlanthe, decretou um dia de luto nacional pela morte da deputada Helen Suzman, durante muitos anos a única deputada branca no Parlamento sul-africano a levantar a voz contra o apartheid.
O dia de luto nacional será domingo, dia em que se realizará o funeral de Helen Suzman, quando as bandeiras deverão ser colocadas a meia-haste.
Num discurso na noite de quinta-feira, o presidente lembrou que "Helen Suzman conquistou o seu lugar na História política da África do Sul através da sua corajosa e persistente luta contra o desumano sistema do apartheid".
O presidente da República salientou na sua declaração que a ex-deputada e líder do Partido Progressista (oposição) foi "uma das poucas vozes da razão no parlamento" nos tempos em que a repressão atingiu o seu auge na África do Sul.
"Nos tempos em que o governo do apartheid tentou calar por completo todas as vozes que se erguiam contra as desumanidades infligidas contra milhões de sul-africanos, foi Helen Suzman quem se destacou como uma das vozes persistentes da razão nos dias mais negros da História do nosso país", refere a declaração do presidente Kgalema Motlanthe.
De todos os sectores do espectro político as homenagens e tributos a Helen Suzman têm-se sucedido desde que foi anunciada, na tarde de ontem, a sua morte aos 91 anos de idade.
Suzman, nascida a 17 de Novembro de 1917, era filha de um casal de judeus lituanos que emigrou para a África do Sul para escapar às perseguições de que eram alvo na sua terra. Estudou economia e estatísticas na Universidade de Witwatersrand e acabaria por abandonar a sua carreira académica para fundar o Partido Progressista, em 1959, que viria a ser durante muitos anos (entre 1961 e 1974) a única voz a opor-se ao sistema de descriminação racial conhecido por "apartheid" no então parlamento branco da África do Sul.
Frederik de Klerk, o último presidente branco da África do Sul e promotor da transição política para a democracia representativa a partir de finais de 1989, prestou também homenagem a Suzman, considerando-a uma das inspiradoras da notável Constituição sul-africana, aprovada em 1996.
"Ela falou sempre sem medo e trabalhou activamente em prol da justiça na qual tão fervorosamente acreditou. Viveu para ver a concretização de muitos dos seus ideais, designadamente a aprovação da Constituição interina, em 1993, e da nossa actual Constituição, em 1996", disse De Klerk, salientando que, apesar de terem sido adversários políticos durante anos, sempre se respeitaram mutuamente.
A ex-deputada recebeu os maiores elogios de políticos de vanguarda, como os presidente do ANC, Jacob Zuma, do Congresso do Povo, Mosioua Lekota, da Frente Democrática Unida (UDM), Bantu Holmisa, da Aliança Democrática (sucessora do Partido Progressista), Helen Zile, e do arcebispo anglicano e Nobel da Paz Desmond Tutu, entre muitos outros.
Para Tutu, foi também graças ao trabalho e intervenção de Suzman na sociedade que a África do Sul conseguiu efectuar uma transição pacífica para a democracia.
"A sua morte deixou um enorme vazio na nossa nação... Ela contribuiu para que o povo negro entendesse que nem todos os brancos eram iguais. Eu saúdo-a. O seu nome deveria ser escrito em letras de ouro", referiu Desmond Tutu.
AP.
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