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Guiné-Bissau presta homenagem a Titina Silá

Embora o feriado não seja oficial, as mulheres guineenses não serão punidas se não forem trabalhar.

Dia 30 de Janeiro foi feriado não oficial no país e foram feitas homenagens a todas as mulheres que combateram pela independência da ex-colónia portuguesa. Titina Silá que foi morta há exactamente 30 anos, foi a principal homenageada.

De seu nome verdadeiro Ernestina Silá,(Titina Silá) foi uma combatente e formadora de milícias, que embora morrendo jovem, conseguiu fazer a diferença e cativar todos aqueles que a conheceram. Teodora Inácia Gomes, deputada do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), foi uma dessas pessoas. “Em 1963, estivemos juntas na Guiné-Conacri e na frente sul. Em Agosto desse ano fomos para a antiga União Soviética fazer um estágio político", recorda a antiga combatente.

Pouco tempo depois, Titina viu-se obrigada a regressar à pátria, onde deu formação à guerrilha, mas em 1964 já estava de volta à União Soviética para estudar socorrismo."Era uma lutadora incansável, amável, simples, uma pessoa excepcional e uma grande patriota", afirmou a deputada guineense, sublinhando o apreço que Amílcar Cabral tinha por ela.

Titina, morreu a 30 de Janeiro de 1973, quando se dirigia à Guiné-Conacri para assistir ao funeral de Amílcar Cabral, morto uma semana antes. Teodora recorda que Titina foi vítima de uma emboscada, levada a cabo por militares portugueses que a afogaram no rio Farim, no norte da Guiné-Bissau.

Tributo a todas as mulheres

Tal como muitas outras combatentes do PAIGC, que deram a vida pela independência do país,  também Ernestina não viveu o suficiente para ver este sonho concretizado.  É a pensar nelas que se instituiu o feriado não oficial que hoje se celebra. O dia é dedicado apenas às mulheres e mesmo não sendo um dia de descanso, qualquer mulher que não vá trabalhar não será punida por isso, assegura Teodora Gomes.

Questionada pela Lusa sobre a importância das mulheres na luta pela independência, Teodora Gomes não deixou margens para dúvidas, ao garantir que todas tinham formação militar e que ela própria chefiou uma equipa de 95 jovens mulheres. "Também dava aulas a explicar as razões da nossa luta e porque combatíamos a exploração capitalista", explicou ainda a deputada e recordou que "foram muitas as mulheres que deram a vida pela independência da Guiné-Bissau."