21/05/2012 atualizado às 17:13
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Acordo na Cerâmica Valadares

A administração e os trabalhadores da Cerâmica Valadares chegaram a acordo. Salários de janeiro serão pagos até ao dia 20 e não serão abertos processos disciplinares.

14:09 Segunda feira, 13 de fevereiro de 2012

A administração e os trabalhadores da Cerâmica de Valadares chegaram hoje a acordo e, segundo fonte sindical, do encontro entre as partes saiu a garantia de que o salário de janeiro será pago até ao dia 20.

Os portões da fábrica de Gaia, que estavam bloqueados pelos trabalhadores há 15 dias, foram abertos para permitir a entrada e saída de materiais.

Fátima Messias, da Federação Nacional dos Sindicatos da Cerâmica disse que, depois da longa manhã negocial, houve "finalmente acordo" entre os intervenientes. "Ao fim de 15 dias e 15 noites, foi feito um acordo com a administração e assinado um compromisso de que o pagamento do mês de janeiro será feito até ao dia 20", explicou.

No âmbito do acordo, acrescentou a sindicalista, foi também assegurado que "o mês de fevereiro será pago a tempo e horas" e que a situação que se viveu à porta da empresa nos últimos 15 dias "não volta a acontecer".

Fátima Messias salientou que os trabalhadores se comprometeram a regressar normalmente ao trabalho na terça-feira, pelas 8:00h.

Desbloqueada entrada da fábrica


Após a reunião com a administração, os trabalhadores mostraram-se visivelmente contentes com o entendimento, desbloqueando a entrada da fábrica para deixar entrar e sair mercadoria.

Fátima Messias sublinhou ainda que "não haverá processos disciplinares", bem como será pago a todos os trabalhadores o vencimento referente aos dias do bloqueio.

"Está tudo resolvido", frisou, acrescentando que houve um "consenso entre trabalhadores e administração".

Conceição Fernandes, de 49 anos e a trabalhar na Cerâmica de Valadares há 20, congratulou-se à Lusa com "a vitória dos trabalhadores".

"Hoje vou descansar, para amanhã voltar ao trabalho. Estou satisfeita com o acordo", disse. Conceição acredita que foi "a persistência que fez vencer" os trabalhadores nesta "luta".

Raul Almeida, da Comissão de Trabalhadores da fábrica, também classificou o acordo como uma "vitória dos trabalhadores", mostrando-se esperançado que, no âmbito "acordo de cavalheiros" alcançado hoje de manhã, "vai ser tudo cumprido e esta situação não volta a acontecer"."Foram 15 dias muito duros, por causa do frio, mas a persistência valeu a pena e os trabalhadores resistiram", concluiu.
Lusa
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Valadares: Ter esperanças... vãs???
carlos-carlos (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 21:48 | Segunda feira, 13 de fevereiro
Valadares está condenada.

Os trabalhadores acham que foi uma grande vitória darem o prejuízo que deram.

Esta vitória é apenas um compasso de espera para o precipício...

Veremos se é assim ou não.

Por outro lado não é aceitável, seja quem for, trabalhar sem receber.
Mas o caso da Valadares é ligeiramente diferente, porque os clientes é que não estavam a pagar, como seria a sua obrigação.

Este é um problema em cadeia, onde as vítimas mais indefesas serão os trabalhadores que, brevemente, estarão no desemprego, com mais uma fábrica falida.

Os 500 mil euros de prejuízo, não terão recuperação possível.

A crise é muito maior, do que pensam os sindicatos...

Bem sei que não cabe aos sindicalistas resolver a crise, mas também não lhes cabe agravá-la.

 
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    Re: Valadares: Ter esperanças... vãs???    Ver comentário
antonioandre (seguir utilizador), 1 ponto , 1:52 | Terça feira, 14 de fevereiro
    Re: Valadares: Ter esperanças... vãs???    Ver comentário
carlos-carlos (seguir utilizador), 2 pontos , 23:09 | Terça feira, 14 de fevereiro
    Re: Valadares: Ter esperanças... vãs???    Ver comentário
antonioandre (seguir utilizador), 1 ponto , 0:10 | Quarta feira, 15 de fevereiro
    Re: Valadares: Ter esperanças... vãs???    Ver comentário
carlos-carlos (seguir utilizador), 3 pontos , 19:57 | Quarta feira, 15 de fevereiro
    Re: Valadares: Ter esperanças... vãs???    Ver comentário
antonioandre (seguir utilizador), 1 ponto , 23:03 | Quarta feira, 15 de fevereiro
    Re: Valadares: Ter esperanças... vãs???    Ver comentário
carlos-carlos (seguir utilizador), 2 pontos , 23:35 | Quarta feira, 15 de fevereiro
    Re: Valadares: Ter esperanças... vãs???    Ver comentário
António S.Costa (seguir utilizador), 1 ponto , 10:59 | Terça feira, 14 de fevereiro
Estranho ? ou talvez não...
bivolta (seguir utilizador), 1 ponto , 14:36 | Segunda feira, 13 de fevereiro
Os parceiros sociais não intervieram.
 
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esta ideia
my2name (seguir utilizador), 1 ponto , 18:48 | Segunda feira, 13 de fevereiro
Esta ideia de vitória dos trabalhadores, dá-nos a ideia que havia, por parte da administração uma vontade de acabar com a empresa, não pagando aos funcionários os respectivos salários( de propósito).
Não me parece que tenha havido vontade de prejudicar os trabalhadores. Parece-me sim, que houve um problema que é transversal a quase todas as empresas e que tem a ver com os recebimentos. As empresas produzem para clientes e se os clientes não estiverem a cumprir os pagamento colocam os fornecedores em situação de ruptura financeira.
Penso que nunca houve intenção de não pagar; na verdade, não tinham era forma de o fazer.
Os trabalhadores vão receber porque a empresa está a receber dinheiro de clientes; caso contrário não o receberiam.
Que nunca mais volta a acontecer? Isto é uma utopia que dá gosto de ouvir, mas que na pratica, não serve de garantia, pois ninguém pode prometer aquilo que não controla.
Exercendo os seus direitos, os trabalhadores, pararam a empresa. Espero sinceramente que com isto, não a tenham colocado numa situação delicada, pois deixou de cumprir, possivelmente, com os seus compromissos, originando fuga de clientes.
Espero que esta luta, não determine, daqui a uns meses, a insolvência da empresa: Veremos, no futuro próximo, se por dois meses de ordenado em atraso, não perderão os seus empregos. Espero que a Valadares consiga trabalho para compensar as perdas de 15 dias.

 
 
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carlos-carlos (seguir utilizador), 2 pontos , 21:55 | Segunda feira, 13 de fevereiro
Re: Acordo na Cerâmica Valadares
cruz novo (seguir utilizador), 1 ponto , 21:53 | Segunda feira, 13 de fevereiro
Está estabelecida em portugal a desconfiança entre trabalhadores e empresários.
Como resultado a falta de investimento em tecnologia acarreta, aliada à reduzida produtividade, incapacidade na competividade no mercado.
Acentuadamente em empresas com a "idade" da Valadares.
Não ficaremos surpreendidos se numa mais mês menos mês seja apresentado um requerimento de insolvência.
De lamentar que o "fosso" entre trabalhadores e empresários se esteja a manifestar um verdadeiro "inferno" para a economia do país.
 
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Irresponsabilidade bipartida
Jofiro (seguir utilizador), 1 ponto , 23:09 | Segunda feira, 13 de fevereiro
A situação da Valadares é um reflexo da situação da construção civil. Isso impunha uma linguagem verdadeira a quem lá trabalha. Da parte da Administração e dos Sindicatos. A irresponsabilidade mútua permitiu a uns exigir o que a Valadares não pode, nem deve, dar; a outros, ceder onde a competência exigia firmeza. A bem da Valadares que, daqui por um ano, estará, provavelmente, em vias de falência. Veremos.
 
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Porque estão os trabalhadores satisfeitos?
Maria Portuguesa (seguir utilizador), 1 ponto , 1:24 | Terça feira, 14 de fevereiro
As dificuldades da Valadares, e de outros produtores de materiais de construção, resultam da quebra acentuada na construção civil.
A grande publicidade à volta da greve poderá ter acelerado os pagamentos dos clientes ...desta vez.
O que vai acontecer a partir de agora? Como pode a administração garantir que não voltarão a ocorrer atrasos?
Para a Valadares, quais vão ser as consequências desta paragem de 15 dias?
Têm os trabalhadores razão para estar satisfeitos?
 
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A economia não funciona...e o trabalho é que paga!
Nuno Vitorino (seguir utilizador), 1 ponto , 11:30 | Terça feira, 14 de fevereiro
Relevante dos tempos em que vivemos é a ideia dominante que trespassa os comentários anteriores de que é aceitável e justificado ser o factor trabalho a absorver o impacto e as correcções da economia de mercado... ou seja os clientes não pagam as mercadorias então justifica-se que as empresas não paguem os ordenados aos seus trabalhadores e se estes fizerem alguma coisa para garantirem os seus direitos são apontados como responsáveis pelo eventual declinio das empresas, uma ideia que serve como fato feito à mão para travar a acção dos trabalhadores pela chantagem social. Ora sendo este um argumento aparentemente plausivel carece de uma pergunta fundamental: Porque não funciona o sistema?; Quem se apropriou das mais valias criadas pelo trabalho já dispendido? e será nas respostas a estas perguntas que encontraremos os responsáveis das falencias das empresas e dos ordenados em atraso... e seguramente não são os trabalhadores. Avisado quando opininamos sobre lutas sociais e laborais é também ter presente que a agudização do actual problema da economia se faz num contexto social e politico em que a correlação de forças é desfavorável ao trabalho (malgrado o novo Programa do PSD tenha decretado o fim das classes e portanto também da luta de classes o facto é que ela existe, como se pode constatar) e essa é uma situação que urge alterar.
 
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