A administração e os trabalhadores da Cerâmica de Valadares chegaram hoje a acordo e, segundo fonte sindical, do encontro entre as partes saiu a garantia de que o salário de janeiro será pago até ao dia 20.
Os portões da fábrica de Gaia, que estavam bloqueados pelos trabalhadores há 15 dias, foram abertos para permitir a entrada e saída de materiais.
Fátima Messias, da Federação Nacional dos Sindicatos da Cerâmica disse que, depois da longa manhã negocial, houve "finalmente acordo" entre os intervenientes. "Ao fim de 15 dias e 15 noites, foi feito um acordo com a administração e assinado um compromisso de que o pagamento do mês de janeiro será feito até ao dia 20", explicou.
No âmbito do acordo, acrescentou a sindicalista, foi também assegurado que "o mês de fevereiro será pago a tempo e horas" e que a situação que se viveu à porta da empresa nos últimos 15 dias "não volta a acontecer".
Fátima Messias salientou que os trabalhadores se comprometeram a regressar normalmente ao trabalho na terça-feira, pelas 8:00h.
Desbloqueada entrada da fábrica
Após a reunião com a administração, os trabalhadores mostraram-se visivelmente contentes com o entendimento, desbloqueando a entrada da fábrica para deixar entrar e sair mercadoria.
Fátima Messias sublinhou ainda que "não haverá processos disciplinares", bem como será pago a todos os trabalhadores o vencimento referente aos dias do bloqueio.
"Está tudo resolvido", frisou, acrescentando que houve um "consenso entre trabalhadores e administração".
Conceição Fernandes, de 49 anos e a trabalhar na Cerâmica de Valadares há 20, congratulou-se à Lusa com "a vitória dos trabalhadores".
"Hoje vou descansar, para amanhã voltar ao trabalho. Estou satisfeita com o acordo", disse. Conceição acredita que foi "a persistência que fez vencer" os trabalhadores nesta "luta".
Raul Almeida, da Comissão de Trabalhadores da fábrica, também classificou o acordo como uma "vitória dos trabalhadores", mostrando-se esperançado que, no âmbito "acordo de cavalheiros" alcançado hoje de manhã, "vai ser tudo cumprido e esta situação não volta a acontecer"."Foram 15 dias muito duros, por causa do frio, mas a persistência valeu a pena e os trabalhadores resistiram", concluiu.