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Zimbabwe em estado de emergência

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Pelo menos 565 pessoas morreram e outras 12.546 estão infectadas pela cólera no Zimbabwé. Sem água potável, a população é forçada a matar a sede em ribeiros e poços contaminados.

Maria Luiza Rolim*

Pelo menos 565 pessoas morreram e outras 12.546 estão infectadas pela cólera no Zimbabwe, situação que se está a agravar em especial na capital Harare, a região mais atingida, devido às más condições sanitárias. A epidemia ameaça atingir a África do Sul, visto que milhares de zimbabweanos, desesperados, estão a tentar atravessar a fronteira.

Os hospitais entraram em colapso, com um sistema de saúde já enfraquecido devido à crise económica.

Médicos protestam

Faltam medicamentos, equipamentos médicos e comida para os doentes. A situação levou a que uma centena de clínicos e enfermeiros saíssem para a rua, ontem, em Harare, em protesto pela penúria dos hospitais e pelos parcos meios disponibilizados pelo governo. Os manifestantes - que se concentraram junto ao Ministério da Saúde - foram dispersados pela polícia.

Sem água potável, a população é forçada a matar a sede em ribeiros e poços contaminados. Os programas de alimentação para as crianças - outra arma para combater uma doença de fácil prevenção como a cólera - são uma miragem.

Segundo os Médicos sem Fronteiras, a cidade de Beitbridge é uma das mais afectadas. "Há lixo por toda a parte, o esgoto corre a céu aberto, falta água e electricidade diariamente", diz um comunicado da organização.

Pior surto de sempre

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou esta semana para a gravidade da situação e teme o pior: estima-se que o balanço de mortos já ultrapasse o milhar. Nas áreas atingidas, a taxa de infecção ronda os 50%.

Segundo a OMS, os surtos de cólera sucedem-se anualmente no país desde 1998, mas nunca se viu nada com essas proporções. A última epidemia, em 1992, registou três mil casos.

Mugabe argumenta que o país se encontra nessa situação por causa das sanções impostas pelo Ocidente. Os críticos do presidente, por sua vez, acusam-no de ter arruinado a economia do Zimbabué com políticas irresponsáveis e má gestão.