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"Vítor Alves foi o homem principal do 25 de abril" (1935-2011)

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O "capitão de Abril", Vítor Alves, que morreu hoje vítima de doença prolongada, é considerado por outros capitães de abril o "homem principal do 25 de Abril". Tinha 75 anos.

Paulo Gaião (www.expresso.pt)

O capitão de abril, coronel Vitor Alves, de 75 anos, morreu hoje de madrugada no Hospital Militar, em Lisboa, vítima de cancro. Nos últimos meses, Vítor Alves viu a doença agravar-se e praticamente não saía de casa, onde recebia cuidados especiais de saúde.

Em declarações ao Expresso, amigos de Vítor Alves consideram-no "o principal homem da revolução". O antigo capitão de abril, comandante Almada Contreiras, refere ao "Expresso" que foi ele "quem estabeleceu pontes e gerou consensos, quer na preparação do 25 de abril, quer na condução da revolução, até ao 25 de Novembro". Outro homem de abril, o almirante Vitor Crespo diz que, na fase de preparação da revolução, foi Vitor Alves " quem fez a conciliação entre o general Spínola, apesar de não concordar com ele, e o MFA".

Depois da revolução também "foi essencial para fazer a ligação" entre os moderados e os radicais. Vitor Crespo considera que foi admirável a "constância na afirmação da vontade pluralista" em Portugal. Vitor Alves foi também o militar que substituiu Otelo Saraiva de Carvalho no comando das Operações no Quartel da Pontinha, cerca das 16 horas do dia 25 de abril. Vitor Alves foi ainda o redator do primeiro comunicado do MFA, divulgado à população, no 25 de Abril.

"O país perdeu um cidadão de primeira"

Em declarações à Lusa, Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril disse que "o país perdeu um cidadão de primeira que tudo arriscou para que a democracia e a liberdade vigorassem em Portugal"            

Vitor Manuel Rodrigues Alves nasceu em Mafra a 30 de setembro de 1935. Foi membro da Comissão Coordenadora do MFA e membro da Comissão de redação do seu programa. Nomeado pela Comissão Coordenadora do Movimento responsável, com Otelo Saraiva de Carvalho, pela preparação militar e política do movimento a 24 de março de 1974. Foi membro do Conselho de Estado entre 15 de maio de 1974 e 17 de julho de 1974 e membro do Conselho da Revolução entre 17 de março de 1975 a 14 de julho de 1982, sendo porta-voz deste órgão.

Foi ministro sem pasta do II e III Governo Provisório entre 17 de julho de 1974 a 26 de março de 1975 e ministro da Educação e Investigação Científica do VI Governo Provisório de 19 de setembro de 1975 a 23 de julho de 1976. Foi conselheiro pessoal do ex-presidente da República. General Ramalho Eanes e presidente da Comissão Organizadora do Dia de Portugal e das Comunidades. Foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade em 1983, no tempo de Ramalho Eanes.

Vítor Alves assentou praça na Escola do Exército em 14 de Outubro de 1954, na arma de infantaria. Tornou-se alferes em 1 de novembro de 1958, tenente a 1 de dezembro de 1960, capitão a 14 de julho de 1963 e major a 1 de março de 1972. Era atualmente coronel na reserva. Vítor Alves fez várias comissões militares na guerra colonial, em Angola e Moçambique.