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Valência: 21 presos em confrontos com a polícia

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Polícia emprega força em Valência, Espanha, para reprimir protestos de estudantes contra cortes no ensino público. Confrontos prosseguem esta noite depois de provocarem pelo menos quatro feridos e 21 detidos, a maioria menores de idade.

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)

Centenas de estudantes saíram hoje à rua em Valência para protestar contra os cortes no setor do ensino público, aprovados em janeiro pela Generalitat valenciana. A manifestação, convocada pelas redes sociais, está a ser  reprimida com violência pela polícia, que cercou os estudantes junto à estação norte de Valência e está a impedir a passagem de peões. Num comunicado divulgado há pouco, o Sindicato de Estudiantes de los Países Catalanes diz que o número de feridos nos incidentes desta tarde ascende a mais de uma centena.

Segundo a agência EFE, mais de 200 pessoas, na sua maioria estudantes e algumas delas menores, continuam refugiadas nas instalações da Faculdade de Geografia e História da Universidade de Valência, com autorização da reitora, para fugir às cargas policiais.

Desde o início da tarde, foram detidos pelo menos 21 estudantes, quase todos menores de idade. Uma jornalista da Rádio Nacional foi também agredida por um agente.

Desde o meio-dia, pelo menos meia centena de carrinhas da polícia invadiram as ruas de Valência para enfrentar o protesto estudantil. O chefe da Policía da Comunitat Valenciana, Antonio Moreno, justificou a repressão, dizendo que é necessário empregar a força e recursos bélicos para enfrentar a "agressividade"  dos manifestantes. Recusou-se, no entanto, a dizer quantos homens foram mobilizados para pôr fim ao protesto.

Confrontos

Depois de mais de cinco horas de confrontos, os protestos pareciam ter chegado ao fim mediante uma "negociação" feita na rua Barcas, junto ao Teatro Principal, entre o presidente da Federação Valenciana de Estudantes do Ensino Médio, Albert Ordónez, e o comandante das forças policiais. O acordo era para que os estudantes deixassem a zona "em cinco minutos" e, em troca, as autoridades comprometiam-se a libertar os detidos.

Mas o que aconteceu foi que os confrontos prosseguiram junto ao instituto público Lluís Vives. "Não somos veados, somos estudantes", gritavam em coro os estudantes enquanto uma dezena de polícias prendiam e algemavam um deles em frente ao estabelecimento de ensino. O Lluís Vives converteu-se em símbolo das revoltas estudantis desde a detenção, na passada quarta-feira, de um estudante menor de idade, que foi algemado e levado para a esquadra, onde permaneceu "no calabouço" durante várias horas.

"Eu também trago armas. Esta é a minha!", gritava um estudante que reclamava contra a sua detenção mostrando ao alto um livro, enquanto outros colegas defendiam na rua a "liberdade de expressão" para denunciar os "cortes no sistema educativo" valenciano. Pais, professores e políticos uniram-se ao protesto dos estudantes e estão a manifestar-se contra a violenta repressão, gravando com os seus telemóveis as constantes cargas policiais.

O presidente da Federação Valenciana de Estudantes, Alberto Ordóñez, adverte que os protestos vão continuar. Mais de 15.000 pessoas subscreveram uma petição a exigir a demissão da delegada do Governo em Valencia, Paula Sánchez de León. Os partidos da oposição - PSOE, IU e ERC - querem ver o ministro do Interior Fernández Díaz e o diretor-geral da Polícia no Parlamento, a darem explicações sobre as cargas policiais.