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"Uma ausência de Orçamento seria mais grave", defende Passos

"Eu não quero que Portugal tenha um segundo memorando". Em entrevista à TVI, o primeiro-ministro frisa que o aumento de impostos e o corte de pensões não podem ser perpetuados, mas indicia um novo agravamento em 2013. A coligação está a cumprir uma "missão histórica".

Raquel Pinto (www.expresso.pt)

"O Orçamento [do Estado] não é do ministro das Finanças. É do Governo e permite que Portugal reduza o défice com o que ficou acordado com a troika", defendeu o primeiro-ministro em entrevista esta noite à TVI.

Passos Coelho salienta que para "cumprir objetivos é preciso reduzir o défice para valores aceitáveis" e que "todas as políticas de ajustamento com austeridade trazem custos, riscos e muito sofrimento e dor social. Temos consciência".

O chefe de Governo defende que "uma ausência de Orçamento seria mais grave do que ter um Orçamento duro e difícil". E uma situação difícil exige um Governo "muito determinado", que "está coeso" e a "cumprir uma missão histórica": "Aproveitar a desgraça para tirar o país da crise, com reformas ambiciosas e abrir a economia ao mundo". 

"Chegaremos lá vivos, mas vai custar muito"

Passos confia "totalmente" no juízo que o Presidente da República fará do Orçamento. Deixa ainda a garantia de que a reforma do Estado social deve estar para além de qualquer Governo e o "debate deve ser o mais participado e abrangente", esperando que o PS se envolva nas discussões.

E volta a reiterar o que tem sempre defendido até ao momento: "Pedir mais tempo para cumprir objetivos exige que Portugal esteja fora dos mercados, temos que pedir mais dinheiro e pedir um segundo programa".

O corte de 4 mil milhões nas despesas públicas "é para ficar", de forma permanente até 2014. "Chegaremos lá vivos, mas vai custar muito. Nunca me ouviram dizer que vai ser pera doce. Custa muito no desemprego", mas Passos Coelho insiste:  "Eu não quero que Portugal tenha um segundo memorando", dando o exemplo da Grécia que teve de renegociar "condições muito piores" e vai ter que cortar "14 mil milhões de euros em despesa".

"Não podemos perpetuar este tipo de fiscalidade"

"Quem paga a despesa do Estado são os cidadãos, os impostos. Mas o aumento de impostos e o corte das pensões não podem ser definitivos. Não podemos perpetuar este tipo de fiscalidade", assegura o governante, admitindo que "é difícil rever despesa do Estado sem rever prestações sociais e salários". A reforma do Estado pressupõe rever despesas com pensões, saúde e educação, antevê o governante. 

Passos Coelho afirma que "temos que corrigir défice sem asfixiar a economia. É um exercício arriscado, não há uma magia em que dá tudo certo ao milímetro. O nível de incerteza e risco é grande", mas destaca que "Portugal já beneficiou este ano de uma baixa de juros".

Para o primeiro-ministro, os resultados no país têm aparecido, por exemplo no "equilíbrio" das contas externas. "Nos últimos dez anos tivemos muito dinheiro, desemprego a aumentar, a economia quase estagnada" e agora "estamos a inverter esta situação, com um sector exportador mais dinâmico".

Sobre a questão da emigração crescente em Portugal, Passos sublinha que as pessoas estão à procura de oportunidades que não encontram no país, o que é legítimo" e "não é o Governo que gera empregos".

"Governo não está para cair"

A mensagem que deixa é a de que o "Orçamento é do Governo e dos deputados da maioria que o aprovaram" e que a ideia de que se querer "separar" o primeiro-ministro e ministro das Finanças "é falsa". Questionado sobre o lugar que ocupa Paulo Portas na coligação, coloca Vítor Gaspar em segundo e relega o ministro dos negócios estrangeiros para terceiro plano.

Mas assegura: "O Governo não está em crise, nem para cair. Houve e sempre haverá tensões e visões diferentes".