Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Um Bloco Central para sair do pântano?

A solução é má mas qualquer outra pode ser bem pior.

Martim Silva (www.expresso.pt)

A agência internacional de rating Standard & Poors desceu a notação de risco para Portugal, com receios de que não consigamos pagar a dívida. Passámos de A+ para A-.

O risco de incumprimento aumentou para o nível mais elevado de sempre (pior que nós só países pouco recomendáveis como a Grécia, Argentina e Venezuela).

Pelo segundo dia consecutivo, a Bolsa portuguesa afundou-se. Ontem teve mesmo a pior queda de entre todas as bolsas mundiais.

A isto já não se podem chamar sinais. A nuvem de fumo está em Portugal é é bem densa e negra. Podemos gritar aos quatro ventos que temos um primeiro-ministro com nome de filósofo grego mas que não somos a Grécia. Que somos muito melhores. Que estamos a ser alvo de um ataque de especuladores internacionais sem rosto. Mas, facto, somos o próximo a cair.

Entendamo-nos: não há nada mais importante para o País discutir e resolver nesta altura que este assunto. Nada!

A situação é de urgência e perante a urgência exige-se rapidez, decisão e firmeza.

Passos vai voltar a reunir-se com Sócrates. É a segunda vez no espaço de uma semana que os dois conversam.

De paliativos, de respostas fáceis, de discursos bonitos já temos todos a nossa dose. São precisas soluções que sejam sólidas.

Não se trata de irmos arranjar dinheiro para respirarmos mais seis meses. Trata-se de perceber o que temos de fazer para que o país não volte a ser colocado nesta situação. Trata-se de pensar que papel tem de ter o Estado, quanto tem de gastar, onde temos de cortar, onde temos de investir. Porque fomos nós que nos colocámos neste papel de fragilidade e somos nós que temos de arranjar forças para dele sair.

Quando se olha para Passos e Sócrates podemos gostar do estilo, simpatizar com o discurso ou até achar graça às gravatas de um ou outro. Mas dificilmente vemos neles estadistas daqueles que ficam para os livros de história. Não é muito. Mas é o que temos. E o que temos tem de conseguir entender-se.

Se para isso for preciso um Bloco Central, que venha ele (tenha, o nome, a forma, a incidência que quiserem). Mesmo quem sempre foi contra esse entendimento, como eu (por reduzir drasticamente a oposição e permitir o eclodir de discursos radicais de franjas), pode aceitá-lo, da mesma forma que se toma um comprimido de óleo de fígado de bacalhau.

Quando tem de ser, tem de ser. E agora tem mesmo de ser.