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Túnel londrinho serve de palco a espectáculo interactivo

O túnel de Greenwich, aberto ao público em 1902, tem 300 metros de comprimento

Intitulado "The Tunnel", esta performance cria uma atmosfera invulgar, com os elementos do grupo a executar movimentos ao som de música criada para o efeito. (Veja o vídeo no final deste artigo)

O túnel de Greenwich, em Londres, é o palco inesperado de um espectáculo onde os transeuntes têm de passar pelo meio da audiência e artistas para chegar ao seu destino.

O espectáculo, intitulado "The Tunnel", cria uma atmosfera invulgar, com os elementos do grupo espalhados executando movimentos e diálogos pelo túnel ao som de música criada para o efeito.

O trabalho procura explorar os mitos do que está debaixo do chão das cidades e dos edifícios, mas, além da audiência, acaba por interferir com os transeuntes que usam a passagem subterrânea.

"As pessoas vêm do trabalho, cansadas, e estão a pensar: agora vou chegar a casa, vou fazer o meu jantar, o que é que tenho em casa para comer? Enquanto estão a pensar nisso no meio do túnel aparece alguém a girar à sua frente e a estabelecer um encontro íntimo, de certa forma a quebrar o aborrecimento que essa pessoa poderia ter - ou não", descreve um dos membros do colectivo de cinco artistas, o português Bruno Humberto.

"Ou possivelmente a irritar a pessoa", acrescenta, em entrevista à agência Lusa.

O túnel de Greenwich, aberto ao público em 1902, tem 300 metros de comprimento, está a 15 metros de profundidade e liga as duas margens do rio Tamisa, sendo usado diariamente por dezenas de pessoas.

O resultado da "performance", admite Bruno Humberto, "não é entretenimento porque não é uma peça de teatro com uma narrativa linear, porque neste espaço não funcionaria".

"O que tentamos fazer são pequenos acontecimentos, princípios de histórias que depois as pessoas poderão finalizar nas suas mentes quando caminham para casa", explica.

O espectáculo esteve no local sete noites das três semanas anteriores e termina hoje, tendo atraído público mas também curiosos.

"Tivemos uma pessoa que veio seis vezes. Ele trabalhava num lado e vivia do outro e passava aqui todos os dias e falou com todos nós individualmente", conta Tristan Shorr, outro dos elementos do grupo, responsável pela música.

Noutras ocasiões, os membros do grupo foram alvo de agressões verbais.

"A dificuldade é termos de nos adaptar constantemente ao espaço, ao material que estamos a criar na performance. Temos de improvisar sem que se note e manter a mensagem a funcionar independentemente das circunstâncias", diz Bruno Humberto.

"Desenhámos a peça para dois públicos: um convidado, que sabe do espectáculo, e um que não sabe do espectáculo, o transeunte, ciclistas ou pessoas que precisam de passar de um lado para o outro", refere a francesa Noyale Colin, formada em dança.

"Esse tem sido o desafio da peça: satisfazer os dois públicos", resume.