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Trabalhadores manifestam-se hoje pelas ruas de Valadares

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Conversa de membros da administração da Cerâmica de Valadares com trabalhadores durante o dia de ontem resultou infrutífera

José Coelho

Três dias após o bloqueio da Cerâmica de Valadares, mais de 100 trabalhadores vão realizar hoje uma manifestação pelas principais ruas da freguesia de Vila Nova de Gaia.

Isabel Paulo (www.expresso.pt)

Inconformada com os dois meses de salários em atraso, a comissão de trabalhadores da fábrica de cerâmica decidiu, durante a noite, organizar uma manifestação pelas principais artérias de Valadares.

A marcha de protesto foi anunciada hoje de manhã pela União dos Sindicatos do Porto, depois dos trabalhadores terem recusado a proposta da administração da Cerâmica de Valadares de pagar os ordenados em atraso relativos a dezembro no dia 3, amanhã, e os de janeiro a 17 de fevereiro.  

"Os trabalhadores já estão cheios de promessas e, por isso, recusaram a proposta. O facto é que a administração comprometia-se a pagar um mês amanhã, mas ainda estava dependente do negócio com um cliente", afirma Manuel Mota, da comissão de trabalhadores.

Após vários dias de negociações para resolver o drama dos pagamentos em atraso, parte dos trabalhadores optaram por bloquear a atividade da empresa, encontrando-se concentrados, desde segunda-feira, à frente da porta principal da fábrica.

Atrasos desde o verão

"Esta situação dos atrasos nos ordenados já vem desde agosto, o que até já levou 21 trabalhadores a fazerem acordos de rescisão com medo de ficarem sem nada no futuro", refere Manuel Mota.

A administração da Cerâmica de Valadares já ameaçou chamar as autoridades para obrigar os trabalhadores a desmobilizarem, mas até agora a comissão de trabalhadores tem-se mostrado irredutível, inviabilizando qualquer transporte de mercadorias da empresa até que sejam pagos os dois meses de ordenados em dívida.

A manifestção terá início às 17h, mantendo no entanto os cerca de 400 trabalhadores um grupo de piquete à porta da fábrica enquanto os restantes farão um cordão humano pelas ruas de Valadares.

Segundo Galvão Lucas, presidente da Cerâmica de Valadares, a maioria dos trabalhadores continua a laborar na fábrica, imputando a um grupo "de agitadores" o braço de ferro que já podera estar resolvido.

"Este impedimento das viaturas de mercadorias entrarem e sairem é insustentável e a administração da empresa terá de tomar medidas se esta situação se mantiver até segunda-feira", adverte Galvão Lucas, referindo que não irá "continuar a contemporizar" com os trabalhadores que estão a bloquer as entradas e saídas da fábrica.