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Trabalhadores da RTP acusam Miguel Relvas de interferência na gestão

Em causa está a solicitação do ministro dos Assuntos Parlamentares para a administração da RTP repensar o contrato com a Euronews. A Comissão de Trabalhadores acusa Miguel Relvas de interferir na gestão. 

A Comissão de Trabalhadores (CT) da RTP acusou hoje o ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, de interferir na gestão da empresa, quando pediu à administração para repensar o contrato com a Euronews.

Ouvido no Parlamento a 30 de agosto, o ministro com a tutela da comunicação social revelou então que os cerca de dois milhões de euros gastos anualmente no Euronews, um canal onde a RTP não tem "qualquer acompanhamento editorial", resultam num "ato de gestão errado e desnecessário" num "momento de aperto" para as contas públicas.

Para a CT do canal público, a intervenção do ministro foi "indiscutivelmente denunciadora da sua interferência na gestão da RTP".

"Ao afirmar perante os senhores deputados o que pretendia da administração da RTP e sugerindo o que no seu entendimento é o serviço público de rádio e televisão, no qual não cabe a Euronews (...) o país presenciava impávido e em direto" aquilo que a CT define como uma "passagem de recados intencionais do ministro Miguel Relvas para os responsáveis da RTP", diz uma nota hoje revelada pela CT.

"Este episódio configura uma situação claramente inconstitucional e ilegítima. Estando o serviço público de rádio e televisão consignado na Constituição da República, necessita de uma maioria de dois terços para se efetuar a sua alteração na lei fundamental", prosseguem os trabalhadores.

A administração da RTP entregou hoje ao Governo o plano de reestruturação da empresa, revelando a CT que manifestará a sua oposição a "qualquer corte no que são as obrigações do contrato de concessão de serviço público de rádio e televisão".

A Lusa contactou o gabinete de imprensa do ministro, que não respondeu até ao momento.