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Testemunhas dizem que a polícia iniciou a violência

Intervenientes dos confrontos de quinta-feira, no Chiado, garantem que as imagens de violência nas esplanadas foram registadas depois de uma primeira atuação da polícia.

Liliana Coelho (www.expresso.pt)

"Eu estava frente à pastelaria Bénard quando se deu uma primeira carga policial, sem haver chapéus de sol caídos ou qualquer tipo de violência", explicou ao Expresso Sara Goulart.

Segundo a manifestante, a atuação da polícia terá ocorrido na sequência da detenção de um elemento da manifestação.

"O protesto acontecia de forma pacífica até que as autoridades decidiram deter um elemento, o que originou alguma tensão e protestos", acrescentou a testemunha.

Também João Pascoal, 55 anos, confirma que a carga policial já tinha arrancado antes do cenário de confusão frente à Brasileira.

"A carga policial já tinha começado, e as esplanadas ainda estavam intactas, só em defesa perante esta investida policial é que alguns manifestantes viraram cadeiras e chapéus de sol, e também alguns (poucos) arremessaram chávenas e copos que ainda estavam sobre as mesas", garantiu o participante do protesto, que ficou ferido.

Resposta dos manifestantes

"Ao dirigir-me aos polícias para pararem a agressão a uma senhora caída no chão, recebi como resposta uma bastonada do polícia que me atingiu as costela do lado esquerdo e o braço direito que me deixaram várias escoriações."

Sara Goulart garantiu ainda que houve mais feridos do que aqueles que foram noticiados.

"Posso garantir que assisti pelo menos a cinco pessoas ficarem feridas, três delas na cabeça, além dos dois jornalistas e do agente que foram avançados pela comunicação social", disse a livreira de 34 anos que não pertence a nenhum movimento.

João Pereira, 31 anos, também confirmou que a violência no dia da greve geral resultou em mais feridos.

"Participei no protesto como cidadão, não estou ligado a nenhum movimento, mas desfilei na segunda parte da manifestação, onde estava a Plataforma 15 de Outubro. Posso dizer que foi tudo muito rápido e que houve mais feridos", disse o funcionário da Administração Pública.

Ferimentos na cabeça

João Pereira explicou que a confusão aconteceu no cruzamento da rua Garrett e a Serpa Pinto e que a atuação da polícia foi similar.

"Estava longe, mas assisti à detenção de um elemento e vi que em poucos minutos o corpo de intervenção da PSP partiu para cima dos manifestantes à bastonada, exigindo que todos colocassem as mãos atrás das costas e que se afastassem. Nós cumprimos e começámos a sair na rapidez possível, uma vez que estava muita gente", relatou a testemunha.

"Começaram a bater-nos pelas costas. Eu estava frente à Brasileira e fui ferido na cabeça, mas só na esquina do metro do Chiado é que percebi que tinha sangue a escorrer. Na ambulância, fui com o fotojornalista da Lusa José Sena Goulão para o Hospital de São José, onde levámos seis pontos."

Houve pelo menos sete feridos que foram suturados na cabeça, segundo ouviu João Pereira da equipa médica da pequena cirurgia enquanto estava no hospital.

Além de José Sena Goulão, da agência Lusa, também a fotojornalista Patrícia Melo Moreira, da AFP ficou ferida, enquanto fazia a cobertura da manifestação.

O Sindicato dos Jornalistas já repudiou as agressões e sublinhou que a liberdade de informar foi posta em causa pelas autoridades, enquanto a PSP anunciou que vai proceder à abertura de um inquérito.