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Sócrates é um "insulto" para os portugueses

Jardim quer ajudar portugueses do Continente a derrubar o governo socialista em 2009 e diz que não se identifica com o PSD que prefere a burguesia ao povo.

Sara Moura, na Madeira

O primeiro-ministro José Sócrates foi, como se esperava, o alvo de Alberto João Jardim hoje à tarde na festa anual do PSD-Madeira. Num discurso requentado, com poucas novidades, Jardim apontou baterias a Sócrates - o "inimigo da Madeira" - e mostrou-se disponível para ajudar a derrubar o governo socialista no próximo ano.

"Sócrates não pode continuar a governar Portugal (...), é um insulto os portugueses serem governados por ele", disse Jardim no Chão da Lagoa, acrescentando que não há nenhuma guerra entre a Madeira e o Continente. O que existe é a união dos madeirenses - que têm direito à diferença - com os portugueses do Continente para "juntos" acabarem com os interesses que "estão a dar cabo do país".

Os interesses, disse, que só beneficiam a "burguesia", e neste aspecto Jardim não vê muitas diferenças entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite, que ontem nos Açores criticou o "folclore" político e o dinheiro gasto em festas partidárias.

"Há gente que não gosta do povo e prefere estar com a burguesia do eixo Lisboa-Estoril-Cascais (...) isso não é o nosso PSD, não é o PSD do povo madeirense", respondeu Jardim naquela que foi a única referência à líder social-democrata, que esteve ausente da festa.

Mesmo assim, em nome do derrube de Sócrates, Alberto João Jardim disse estar solidário para ajudar o partido nos combates eleitorais de 2009. "Chegou a altura de dizer aos portugueses do Continente e aos pobres portugueses de Lisboa, que somos nós, povo, que temos que mudar Portugal", disse, prometendo aos "portugueses do Continente" o apoio dos "portugueses da Madeira" para dar a volta que tem que ser dada no país.

Uma volta que tem que ser completa, desde a política económica "agarrada" ao equilíbrio orçamental, que faz "lembrar" Oliveira Salazar até a incapacidade negocial com Bruxelas, pois, segundo Jardim, Portugal tem estado de "cócoras" na União Europeia e esquecido a Madeira.

"O Estado português desapareceu da Madeira e só existe com as suas polícias e com os seus tribunais que não estão cá fazendo seja o que for" acusou, queixando-se da falta de investimento público e do esquecimento que o arquipélago tem sido votado na captação de capitais estrangeiros.

"O estado português não investe um tostão que seja para o desenvolvimento do povo madeirense, corta o dinheiro e (...) agora pega nas possibilidades de investimento estrangeiro e leva para a zona de Lisboa".

Já falando para o interior do PSD-M, Jardim pediu o voto do povo nas eleições de 2009, mas em nenhum momento referiu o nome de Ferreira Leite. A omissão foi também uma opção de Jaime Ramos (secretário-geral do PSD-M), Miguel Albuquerque (presidente da Câmara Municipal do Funchal) e Nivalda Gonçalves (líder da JSD-Madeira), nas suas intervenções no palco do Chão da Lagoa.