Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Sociais-democratas perigosamente perto do PS

PSD cresceu uns significativos 3% e consegue o melhor resultado desde a subida de Sócrates ao poder.

Fernando Diogo

Os portugueses evidenciaram uma enorme descrença quanto à capacidade dos actores políticos para resolver a crise económica. Os partidos recuaram quase todos nas intenções de voto, excepção feita ao PSD que cresceu uns significativos 3% e consegue o melhor resultado desde a subida de Sócrates ao poder. No campeonato da popularidade os resultados são ainda mais negros, pois órgãos de soberania e líderes partidários foram todos corridos com nota negativa.

PS - Apesar da crise e das dificuldades por que passa o Governo, o PS aguentou-se bem: uma ligeira erosão de 0,4%. Pior são os avanços do PSD.

PSD - O melhor resultado dos sociais-democratas na era Sócrates. Um crescimento sensível de 3% coloca os 'laranja' a apenas 7,6% dos 'rosa'.

CDU - A CDU encolheu 0,1% e, por demérito alheio, só perdeu pontos para o PSD. Ao contrário de Jerónimo, os comunistas estão de boa saúde.

BE - A crise está a 'queimar' o Bloco. A perda de 1,5% deixou o partido de Louçã mais distante do PCP e mais perto do CDS. Más notícias.

CDS/PP - Só os bloquistas perderam mais do que os populares. O recuo foi pouco expressivo, mas parece consolidar a tendência de último da tabela.

Manuela Ferreira Leite: Todos perderam, ela perdeu mais

Manuela Ferreira Leite amealhou no primeiro mês de liderança um simpático saldo de popularidade e com a mesma eficiência desbaratou-o no mês seguinte. Resultado: a presidente do PSD desceu para o segundo posto entre os responsáveis da oposição, a seguir a Francisco Louçã, e ficou mais distante do 'intocável' José Sócrates. Mas vamos por partes. Em Julho, Ferreira Leite estreou-se com 5,1% na tabela de popularidade, deixando para trás os seus 'camaradas' oposicionistas, e pareceu ameaçar ao longe o líder do PS. Em Agosto, com declarações seleccionadas sobre a função do casamento e silêncios sobre o seu pensamento político, tudo mudou.

Perdeu 3,1% e fixou-se num saldo positivo de 2%, deixando-se ultrapassar pelo coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, que, apesar de um decréscimo de 0,2%, regressou à posição do mais popular da oposição, com +2,3%. José Sócrates pode sorrir, mas pouco. Apesar de uma ligeira quebra (-2,2%), ganhou terreno à líder do PSD. Do alto dos seus +22,5% não é provável qualquer desconforto nos próximos tempos. Jerónimo de Sousa e Paulo Portas também perderam. Afinal, foi um mês em que todos saíram derrotados.

José Sócrates - O primeiro-ministro e líder do PS viu o seu capital de aceitação popular cair 2,2%. Com um saldo positivo de 22,5%, continua muito longe da concorrência partidária e à sua frente só vê o PR com +38,2%.

Francisco Louçã - Perdeu a 'liderança' da oposição durante 30 dias. Caiu apenas 0,2% e regressou ao segundo lugar dos mais populares com +2,3%.

Paulo Portas - O dirigente do CDS/PP foi o líder menos perdedor no barómetro de Agosto. Uma perda residual de 0,1% deixou-o ainda em terreno positivo: +1,2%.

Jerónimo de Sousa - O dirigente comunista conheceu uma nova quebra: -0,7%. Mês após mês, Jerónimo afunda-se (-2,3%), mas não afecta o partido.

A sondagem, efectuada pela Eurosondagem para o Expresso, SIC e Rádio Renascença, realizou-se de 23 a 29 de Julho de 2008. Teve por objecto perguntas sobre a energia nuclear, o papel da oposição, a crise económica, o subsídio de férias, a diplomacia económica portuguesa, o casamento homossexual e heterossexual, os bairros sociais e as minorias étnicas, para além da intenção de voto e da actuação dos titulares dos órgãos de soberania e dos líderes partidários. O universo é a população com 18 anos ou mais, residente em Portugal Continental e habitando em lares com telefone fixo. A amostra foi estratificada por região: Minho, Douro e Trás-os-Montes (20,5%), Área Metropolitana do Porto (14,5%), Beiras, Estremadura e Ribatejo (29%), Área Metropolitana de Lisboa (26,3%), Alentejo e Algarve (9,7%). Foram efectuadas 1248 tentativas de entrevistas e, destas, 225 (18%) não aceitaram colaborar no estudo de opinião. Foram validadas 1023 entrevistas. A escolha do lar foi aleatória nas listas telefónicas e entrevistado, em cada agregado familiar, o elemento que fez anos há menos tempo. Desta forma resultou, em termos de sexo: feminino 51,3% e masculino 48,7%; e no que concerne à faixa etária: dos 18 aos 25 anos 15,6%, dos 26 aos 35 anos 19%, dos 36 aos 45 anos 18,6%, dos 46 aos 59 anos 22,4% e mais de 60 anos 24,4%. O erro máximo da amostra é de 3,06% para um grau de probabilidade de 95%.