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Síria está a usar crianças como escudos humanos

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Os conflitos na Síria estão a agravar-se e a aumentar os confrontos pelo controlo das duas maiores cidades. 

Alexandre Costa (www.expresso.pt)

O exército sírio tem torturado e usado crianças como escudos humanos nos seus tanques, indica um relatório das Nações Unidas.

A ONU colocou, pela primeira vez, as forças governamentais sírias e a milícia shabiha numa lista de 52 Governos e grupos armados que recrutam, matam ou atacam sexualmente crianças em conflitos armados.

O documento indica ainda que a organização recebeu relatórios que dão conta de "graves violações" contra crianças na Síria desde março do ano passado, quando se iniciaram os protestos contra o Governo, e que crianças com, pelo menos, nove anos de idade, foram vítimas de assassinatos, tortura e violência sexual.

A enviada especial da ONU, Radhika Coomaraswamy, indicou à BBC que regressou da Síria com dados terríveis e que nunca tinha visto uma situação semelhante, em que as crianças não só não são poupadas como muitas vezes são mesmo transformadas em alvos.

Muitos antigos soldados relataram as mortes e estropiamentos de crianças em áreas civis, havendo também testemunhos de crianças torturadas e colocadas em tanques para evitar os ataques de forças da oposição ao regime.

"Nós estamos profundamente chocados. A morte e o estropiamento de crianças no fogo-cruzado é algo com que nos deparamos em muitos conflitos, mas estas torturas de crianças detidas, algumas das quais com apenas 10 anos, é algo de invulgar, que não vê-mos noutros locais", referiu Coomaraswamy.

Confrontos pelo controlo de Damasco e Aleppo

A enviada especial da ONU criticou também o Exército de Libertação da Síria por colocar crianças em situação de perigo. Embora tenha clara supremacia militar, o regime sírio está a ter crescente dificuldade em controlar a situação no país.

Os confrontos pelo controlo de Damasco e Aleppo, as duas maiores cidades sírias, estão a aumentar, assim como as manifestações pacíficas de contestação ao regime, indicou à CNN Peter Harling, do Grupo de Crise Internacional.

Os preços dos bens elementares e dos combustíveis, face às sanções internacionais, têm atingido preços astronómicos e a CNN refere que em Damasco comerciantes têm mantido as portas fechadas desde há duas semanas, em protesto pelo massacre de populações civis.