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Seminaristas belgas obrigados a testes para prevenir pedofilia

A Igreja Católica belga vai submeter os candidatos ao sacerdócio a testes e acompanhamento psicológico para evitar novos casos de pedofilia. O anúncio foi feito dias depois de uma queixa apresentada em tribunal por 70 vítimas. 

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)

Na Bélgica, uma equipa de psicólogos vai estudar o perfil, formação académica e desenvolvimento pessoal dos seminaristas, que depois serão submetidos a uma avaliação psicológica antes de serem consagrados padres. A ideia é evitar novos casos de pedofilia como os que tem ensombrado a Igreja Católica belga. 

Os candidatos a padre deverão também seguir um código de conduta que está a ser elaborado pelo episcopado belga. "Temos de asssegurar que (os seminaritas) são equilibrados em todos os planos, sobretudo no plano afetivo. É a conclusão que devemos tirar de todos os casos de pedofilia, e considero isso positivo", afirmou o arcebispo Andre Joseph Léonard em entrevista à televisão flamenga VTM.

Em declarações aos jornais locais, Léonard disse: "A Igreja deve proteger melhor as crianças".

Queixa coletiva

Na passada sexta-feira, 70 vítimas de abusos sexuais cometidos por padres belgas apresentaram no tribunal de Gand, Bruxelas, uma queixa coletiva contra a Igreja Católica da Bélgica. A ação legal inclui o Vaticano, acusado de ter permitido e, em alguns casos, encoberto as ações dos padres belgas durante anos.

O escândalo sobre a prática de pedofilia por parte de padres belgas atingiu o seu ápice em abril do ano passado, quando o bispo da cidade de Bruges, Roger Vangheluwe, foi obrigado a renunciar depois de admitir ter abusado sexualmente de um seu sobrinho durante mais de oito anos.

Transferido da Bélgica para a França, onde devia fazer penitência, tendo sido proibido de cair no esquecimento, Vengheluwe voltou a escandalizar a opinião pública belga reconhecendo que, na realidade, havia abusado de dois de seus sobrinhos, e não apenas de um, e minimizou os fatos.

A admissão de Vangheluwe levantou uma onda de denúncias. Em setembro de 2010, uma comissão publicou um relatório com os depoimentos de 500 pessoas que acusaram os religiosos de terem cometido abusos sexuais.

A maioria das denúncias reportava a abusos cometidos entre os anos 50 e 80 que, entretanto, já prescreveram tanto para a justiça civil como para a eclesiástica. 

Depois de meses de silêncio, os padres reconheceram em junho a sua "responsabilidade moral" e se comprometeram em indemnizar as vítimas, assim como melhorar a seleção dos seus aspirantes a sacerdotes.