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Seixas da Costa ataca "preconceitos antigos" contra Portugal

Embaixador em Paris critica as "ideias feitas" sobre Portugal num artigo publicado hoje no "La Tribune". Em declarações ao Expresso, Seixas da Costa lembra reticências passadas da França "e não só" à adesão de Portugal à ex-CEE e ao euro.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris (www.expresso.pt)

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Num artigo publicado hoje no diário económico e financeiro francês "La Tribune", o embaixador de Portugal em França, Francisco Seixas da Costa, ataca as "ideias feitas" e os "preconceitos antigos" contra a Europa do Sul e Portugal, a propósito do debate sobre a actual crise económica e financeira.

"As ideias feitas resistem em ser desmentidas pelas evidências", escreve o diplomata, antes de sublinhar: "Portugal não tem qualquer dificuldade em ser julgado pelas suas performances, que aceita ver comparadas com as de outros parceiros da zona euro. Direi mesmo mais: agradecemos que isso seja feito. O que recusamos é que as ideias feitas estejam a ser um critério técnico".

Críticas à Comissão da União Europeia...

Esta manhã, em declarações ao Expresso, Seixas da Costa foi mais longe. O embaixador em Paris qualifica de injusto o tratamento de "menor rigor" das agências internacionais de rating e afirma: "Surpreendentemente, ou não, também a Comissão Europeia se deixou arrastar nesse registo de facilidade".

"O caso português deve ser lido à luz dos seus méritos e deméritos próprios; não estamos em competição com ninguém, mas também não queremos ser confundidos com ninguém; exigimos que seja sublinhado que Portugal foi e é um país cumpridor das suas obrigações internacionais, um escrupuloso pagador das suas dívidas", acrescenta o ex-secretário de Estado dos Assuntos Europeus.

...ao "passado recente" francês

Realçando que o artigo foi escrito por razões de oportunidade e de fundo, Seixas da Costa diz ao Expresso que "em França e não só, a imagem de Portugal foi, no passado recente, ligada a um sentimento de desconfiança quanto à capacidade do país atingir certos objectivos estratégicos".

No artigo que publica hoje no «La Tribune», Seixas da Costa realça o caminho que Portugal percorreu desde os anos 1970, bem como a transparência e o realismo do orçamento para 2010

No artigo que publica hoje no «La Tribune», Seixas da Costa realça o caminho que Portugal percorreu desde os anos 1970, bem como a transparência e o realismo do orçamento para 2010

Jorge Simão

"Não esquecemos as reticências de certas figuras políticas, agora recolhidas na História, sobre as hipóteses de Portugal poder vir a ser membro da então CEE; esse mesmo discurso, modulado por critérios de tecnicidade que viemos a demonstrar, esteve também presente na consideração da nossa adesão ao Euro", acrescenta o embaixador, referindo-se designadamente a um recente livro de memórias de Jacques Chirac, no qual o ex-Presidente francês revela conversas com a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, sobre o assunto.

O próprio Jacques Chirac teria sido contra a entrada de Portugal na ex-CEE, segundo revela num livro Jacques Attali, ex-conselheiro do falecido ex-Presidente François Mitterrand. Attali diz, num dos três tomos de "Verbatim", que Jacques Chirac considerava então os portugueses "analfabetos", o que o antigo Presidente desmentiria posteriormente. Chirac garantiria mesmo, numa entrevista à Rádio Alfa, durante a campanha eleitoral para o seu segundo mandato na Presidência francesa, que até gostava da música do português Fausto!

...e aos "herdeiros dos arautos do descrédito"

No artigo que publica no "La Tribune", o embaixador Seixas da Costa realça o caminho que Portugal percorreu desde os anos 1970, bem como a "transparência" e o "realismo" do orçamento para 2010, antes de afirmar: "Alguma surpresa foi ver este percurso de determinação e transparência posto de lado pelos responsáveis das agências de rating, que parecem determinados a colocar todo o "Sul" da zona euro num mesmo "clube". Não se trata de um problema de justiça, trata-se de uma questão de rigor. Foi sob o efeito desta manifesta irresponsabilidade que se verificou na passada semana um movimento dos mercados, com efeitos negativos nos spreads que afectam a dívida pública portuguesa".

"O mundo veio provar que esses arautos do descrédito estavam enganados; e o futuro virá a confirmar que os seus zelosos herdeiros estão igualmente errados", conclui o embaixador em Paris nas declarações ao Expresso.