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Rússia: Arquivos divulgam documentos do massacre em Katyn

Rússia divulga através da Internet documentos sobre o massacre em Katyn, no qual morreram mais de 25 000 prisioneiros de guerra polacos.

Os arquivos do Estado russos divulgaram hoje através da Internet uma série de documentos sobre o massacre em Katyn, em 1940, de oficiais polacos pela polícia política de Estaline, o NKVD. 

Trata-se da primeira vez que os documentos são divulgados na Rússia.  "Por decisão do Presidente da Federação da Rússia, Dimitri A. Medvedev, as cópias eletrónicas dos documentos originais sobre o 'problema de Katyn' do 'dossier número 1' foram publicados", pode ler-se no "site" da Agência Federal dos Arquivos. 

Outros documentos ainda em segredo

Uma nota do chefe do NKVD, Lavrenti Beria, com a assinatura do ditador soviético Joseph Estaline, onde é proposta a execução dos oficiais polacos detidos, está entre os sete documentos divulgados.  A publicação daqueles textos tem sobretudo um aspeto simbólico, na medida em que o segredo foi levantado em 1992, por ordem do então Presidente Boris Ieltsine. 

Numerosos documentos continuam secretos, apesar dos repetidos pedidos da Polónia para serem desclassificados e para lhe serem transmitidos. 

O chefe dos Arquivos Federais russos, Andrei Artizov, indicou que os documentos foram divulgados na Internet para reduzir ao silêncio aqueles que negam que a URSS foi culpada do massacre.  Cerca de 22 000 oficiais polacos foram abatidos na floresta de Katyn (Rússia), mas também em Kharkiv (Ucrânia) e em Mednoie (Rússia). 

Gorbatchov admite responsabilidade russa

Os oficiais tinham sido feitos prisioneiros pelo exército soviético, que invadiu a 17 de setembro de 1939 as regiões polacas do leste, no âmbito do pacto germano-soviético Ribbentrop-Molotov.  Durante dezenas de anos a URSS acusou o exército alemão dos assassínios e só em abril de 1990 o dirigente soviético Mikhail Gorbatchov reconheceu a responsabilidade do seu país. 

A questão do massacre tem envenenado as relações entre a Rússia e a Polónia e este ano, pela primeira vez, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, convidou o seu homólogo polaco, Donald Tusk, para participar nas cerimónias de homenagem aos assassinados, no passado dia 7.  Três dias depois, quando se deslocava para participar nas cerimónias fúnebres em memória das vítimas de Katyn, o Presidente polaco, Lech Kaczinski, morreu num acidente de aviação. 

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